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Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

É inútil comparar quem foi mais gênio, Tostão ou Dirceu

Volta e meia, essa 'enquete' é ressuscitada sabe-se lá de onde. Os dois astros do Cruzeiro se completam em genialidade


27/01/2021 04:00



Uma legião de gente foi saudar Eduardo Gonçalves de Andrade pelo aniversário de 74 primaveras. De Pelé ao mais longínquo torcedor brasileiro, todos expuseram suas memórias afetivas criadas a partir do convívio, em campo ou da arquibancada, com o gênio Tostão.

Nunca o vi jogar, senão por vídeos editados ou pela forma mais linda de se construir uma imagem: a partir dos relatos emocionados dos que tiveram essa dádiva.

Como cronista, aí, sim, tenho a honra de tê-lo – ao lado de Nelson Rodrigues e Armando Nogueira – como referência na escrita. Alberto “Vibrante” Rodrigues, meu ídolo eterno e a voz do Cruzeiro, assim descreve esse outro dom de Tostão: “Ele escreveu vitórias com a genialidade das pernas e hoje a usa nas mãos para escrever suas crônicas”.

Mas não há um aniversário sequer de Tostão sem que ressuscitem uma enfadonha reflexão: “Tostão ou Dirceu Lopes? Quem é o maior jogador da história do futebol mineiro?”

Jamais vi sentido nesse questionamento. Mas ontem, ao me preparar para esses rabiscos semanais, esse “Tostão ou Dirceu Lopes?” ficou impregnado, segurando meu punho, impedindo-me o deslizar das linhas.

Pois bem, se não tinha a quem pedir socorro, ao menos, fanfarrão que sou, parti por dividir minha angústia. Enumerei dezenas de amigas e amigos e lhes provoquei: “Fulano, quem foi melhor: Tostão ou Dirceu Lopes?”, perguntei com sarcasmo.

Pronto! Se tirei a tranquilidade de uma manhã de muitos queridos, por outro lado, experimentei uma das mais lindas sensações possíveis a um amante de histórias: escutei suspiros e lembranças tanto pelo aniversariante Tostão quanto pelo seu ex-companheiro Dirceu Lopes.

O Chico Ferreira tinha 6 anos quando, sentado na arquibancada do Mineirão, em 1971, descobriu a magia do futebol. Quem lhe apresentou foi Tostão, após dar um lençol no goleiro Pedrinho, do Ceará, e empurrar as bolas para o fundo da rede.

Ronaldo Nazaré recordou dos tempos de Tostão no cimento das quadras de futebol de salão, onde formava time com Ronaldo Drummond e Ruy Guimarães. Esse último sempre dizia: “O problema do Tostão era um só, ele nunca errava”.

“Uma máquina de jogar futebol”, “um monstro”, “driblava o adversário antes de dominar a bola”. Alguns também expuseram suas justificativas pelo Príncipe Dirceu Lopes. “O que dizer de um menino de Pedro Leopoldo para quem Garrincha foi até seu quarto da concentração para chamá-lo de maior de todos os tempos?”, lembraram dessa pérola.

Teve também o meu amigo Evandro Oliveira, que, ao ouvir “Tostão ou Dirceu Lopes?”, resmungou e escapuliu de forma magistral: “Entre os dois, escolho o Piazza”.

O próprio eterno capitão Piazza se intitula o cruzeirense mais sortudo do universo, pois sendo o último homem do setor defensivo do escrete de 1966, teve o privilégio único de ver tão de perto a genialidade conjunta de Tostão e Dirceu Lopes.

Por fim, a conclusão dos meus amigos e amigas foi uma linda unanimidade: ambos eram gênios, se completavam. Sozinhos, mas, principalmente, juntos no Cruzeiro, eles foram responsáveis por apresentar o futebol mineiro ao Brasil.

Entre tantos depoimentos, guardei um para fechar esses rabiscos escritos pelas vozes de várias testemunhas. Ele veio do amigo e mestre Dalai Rocha, soando como poesia: “Música ou cinema? Falar ou ouvir? Pintura ou escultura? Dirceu ou Tostão? Quer caminhar com uma perna só? Escolha um deles”.

OBRIGADO! Alberto “Vibrante” Rodrigues, Ângela Azevedo, Beto Magalhães, Bruno Gervásio, Chico Ferreira, Cristiano Maranguape, Dalai Rocha, Evandro Oliveira, João Chiabi, José Paulo Barcelos (meu veio), José Roberto e Juliano Fantoni, Leopoldo Moura Jr., Luiz Otávio e Marcus Barreto, Márcio (Bloco Raposão), Mateus Pessoa, Nonato, Omar Franco, Oswaldo Bueno, Papai Jairo, Paulo Martins, Renatão Gomes, Rita de Cássia Pereira, Ronaldo Nazaré, Tati e Wilder, por sepultarem a pergunta mais boba já feita sobre dois gênios.

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