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Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

Cuide-se, você é patrimônio do Cruzeiro

A paralisação das competições dá ao mundo do futebol chance de se reorganizar. A nós, a responsabilidade de nos cuidar


postado em 18/03/2020 04:00

A derrota para o Coimbra, no Independência, resultou na demissão de Adilson Batista e marcou a paralisação da temporada para o Cruzeiro(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
A derrota para o Coimbra, no Independência, resultou na demissão de Adilson Batista e marcou a paralisação da temporada para o Cruzeiro (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)


O Ginásio do Horto sempre foi palco para clubes de torcidas fantasmas ou maquiadas, mas nunca tendo como protagonista o Cruzeiro. Isso explica a tristeza (mas também responsabilidade) por não estarmos nas arquibancadas no último domingo, em respeito aos riscos das aglomerações num cenário de pandemia por coronavírus.

Foram noventa minutos indo da tristeza à perplexidade. Assistimos pela TV a um show de horrores, passe errados e um amontado de jogadores perdidos em campo. Para sacramentar, o torturante silêncio foi cortado pelo som da bola escorregando na rede. Gol de falta do time de laranjas (vestido de laranja).

Nessa peleja muda, se pôs fim à segunda passagem de Adilson Batista como treinador do clube pelo qual conquistou o duplo título de “ídolo”. Primeiro, como jogador, e depois, como um de nossos mais apaixonados torcedores (até ele tem “Bi”).

Assim iniciou-se a pausa no futebol brasileiro para nós cruzeirenses. Por outro lado, nasceu também, nesse hiato sem data para terminar, a oportunidade para exercitarmos, serenos e humildes, a reflexão sobre acertos e erros e os ajustes de planejamento. Não só a torcida, mas. principalmente, nossos gestores.

Entre os ruídos, um precisa ser extinto de uma vez por todas, o da prepotência em olhar para o torcedor ora como cartão de crédito, ora como bomba-relógio. A reconstrução não pode ser tratada como “obrigação” para um, e como “sacrifício” para o outro.

Causa ojeriza ouvir o mantra “o torcedor precisa se engajar”. À racionalidade das planilhas é preciso lançar – com frequência – uma pitada de poesia. A beleza do futebol não pode se resumir à vida chata que nos reserva o excel. Não se pede prova de amor a todo momento. Fazer-se por merecê-lo e cativá-lo são exercícios diários, para inteligentemente evitar a mágoa e o abandono. O que gera engajamento é estímulo constante. Seja dentro de campo, com resultados, e fora dele, com transparência. Ou se reinventar quando o primeiro deles nos falta, como agora.

A criação do Conselho Gestor e a limpeza moral, administrativa e financeira feita por ele geraram o nosso primeiro momento de empatia. Já se tornou uma página heroica e imortal da nossa história. Agora, o cenário nos pede criatividade para o surgimento de novos engajamentos.

Essa paralisação, infelizmente, gerada por uma pandemia mundial desacreditada por alguns ignorantes fundamentalistas e políticos boçais, pode servir para essa remodelagem, esse “Conselho Gestor 2.0”. Sem jamais abrir mão do exemplo de retidão trago por seus integrantes para dentro de um Cruzeiro ainda doente, não totalmente recuperado do abominável vírus WNPMS-2019 (Wagner Nonato Pires Machado de Sá).

De cá, enquanto controlamos nossa ansiedade por esses ajustes vindouros, nós da Nação Azul temos uma obrigação humanitária, que vai muito além do futebol. Devemos utilizar essa forçada paralisação para cuidar de nossa saúde, de nossos parentes, amigos, companheiros de escola e trabalho. Respeitando o isolamento físico.

O momento nos pede um adiamento da voz coletiva nos cânticos das arquibancadas; do abraço no instante do gol; do gole de cerveja compartilhado no intervalo; do aperto de mãos em reza a cada pênalti defendido pelo Fábio; das resenhas acaloradas no pós-jogo; e das lágrimas derramadas no ombro alheio a cada título conquistado. Pense bem no tamanho da sua responsabilidade! São cuidados fundamentais para manter vivo o maior patrimônio do Cruzeiro: a sua torcida.

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