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Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

Galão campeão arrumou um vice freguesão, o tal Mengão

Deve-se reconhecer que o time do balneário, mesmo historicamente afeito a todo tipo de golpe, tem sido um bom perdedor


26/02/2022 04:00 - atualizado 26/02/2022 07:52

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Nossa última conquista sobre o rubro-negro agora foi pela Supercopa: eles têm se acostumado com a supremacia atleticana (foto: Reprodução)
“O Flamengo tem muito a ensinar a Michel Temer: é legítimo que o vice deseje ser o primeiro, mas o vice bom, convicto, é aquele que faz do segundo lugar uma profissão de fé”

Deve-se reconhecer que o time do balneário tem sido um bom perdedor.

Volto ao domingo passado, embora muito se tenha falado sobre o título da Supercopa, e até a Terceira Guerra Mundial já se aventou nesse rápido correr de uma semana frenética. Acontece que, assim como se assiste à guerra como um testemunho da história, o que vimos no domingo vai ficar pra sempre – o Gaganhô mais uma vez, de novo daquele jeito sobrenatural. Como se depois de quatro chances de um xeque-mate, o Putin acabasse por entregar a rapadura.
 
Antes da histórica decisão, escrevi sobre o embate como a luta do bem contra o mal, a peleja de Deus e o Diabo, a Força contra o Império, o lado errado da história versus o punho do cerrado do Rei. Disse o que todo mundo sabe sobre o Flamengo de Todos Os Tempos, e a injustiça que se comete ao deixar de fora dessa seleção gente como José de Assis Aragão e José Roberto Wright. Enfim, falei apenas obviedades, atestadas mundialmente por instituições como o jornal inglês “The Guardian”.

Infelizmente, os flamenguistas desaprovaram meus escritos, e quem pagou o pato foi a senhora minha mãe, lembrada por eles nas redes sociais como praticante do mais antigo dos ofícios – coitada da dona Vera. O torcedor e influencer do Flamengo Mauro Sérgio acusou este escriba de exercer o revisionismo histórico e as fake news – motivo pelos quais seria eu um bolsonarista enrustido. Eu gostava de Mauro Sérgio quando ele era jornalista, antes de vestir o capuz, quer dizer, a camisa da Jovem Klan.

Pois bem, eu só fiquei quietinho. O mineiro sabe que aquele que fala demais dá bom dia a cavalo, basta esperar pela hora do cumprimento. Pois o cavalo selado passou quatro vezes diante dos flamenguistas, e por quatro vezes, ao tentar montá-lo, caíram do cavalo. Quando Everson saltou para pegar o pênalti de Vitinho, era o cavalo de novo. “Bom dia”, disse Mauro Sérgio, embora já fosse noite quando Gabigol e os seus botaram no peito a medalha de Primeiro a Chegar no Hotel.

O Flamengo tem muito a ensinar a Michel Temer e todos os demais vices, do passado e do futuro: é legítimo que o vice deseje ser o primeiro, mas o vice bom, o vice de verdade, convicto, é aquele que faz do segundo lugar uma profissão de fé – e agarra-se à posição com unhas e dentes, ainda que o primeiro posto se apresente de coração aberto. O Flamengo é isso, o vice em estado de arte.

Deve-se reconhecer que o time do balneário, mesmo historicamente afeito a todo tipo de golpe, tem sido um bom perdedor. Foi vice do Brasileirão, vice da Libertadores, vice-vice da Copa do Brasil, e só foi vice da Supercopa porque tinha sido vice antes.

Tamanha expertise no vicenato estaria fazendo Lula repensar a chapa com Geraldo Alckmin – “o Flamengo tem mais experiência e mais eleitores”, teria dito o ex-presidente a interlocutores, segundo a fonte da praça da Liberdade.

Por quatro vezes o Flamengo, esse Temer ao contrário, recusou-se a galgar o degrau de cima. Enquanto se esvaíam os match points, sob a sinfonia mágica do Eu Acredito, tocava em minha mente psicótica aquela do Sérgio Sampaio: “Há quem diga que eu dormi de touca, que eu perdi a boca, que eu fugi da briga, que eu caí do galho e que não vi saída. Que eu morri de medo quando o pau quebrou”. No pênalti desperdiçado por Vitinho, pude rever Gabigol sob a mesa quando a casa caiu naquele bingo pandêmico.

É sabido que os flamenguistas têm visto como mau agouro o reforço de torcida vindo do BBB. Sim, em seu terceiro ano na Série B, era natural que o cruzeirense desejasse alguém da Série A pra chamar de seu – e mais natural ainda que esse corvo fosse pousar no Ninho do Urubu.

Para o regozijo de Mauro Sérgio, a partir da próxima semana o cruzeirense dedicará torcida exclusiva ao Crüzëirö, que enfrenta o Galão da Massa no dia 6. É uma boa oportunidade de o Flamengo aprumar-se rumo ao bi da Guanabara, seu título mais importante. E se vier o vice, melhor ainda. “Quem gosta de título é cartório”, teria dito Mauro Sérgio, “nóis gosta é de vice”.

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