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Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

Vou printar a tabela do Brasileiro e eternizar o Galo na liderança

Com o Atlético em primeiro, o torcedor olha para para a classificação como se vislumbrasse a Mona Lisa


14/08/2021 04:00 - atualizado 14/08/2021 07:38

O Galo, de Hulk, assumiu a ponta do Brasileirão com um futebol cerebral que o mantém com chances reais também na Libertadores(foto: PEDRO SOUZA/ATLÉTICO)
O Galo, de Hulk, assumiu a ponta do Brasileirão com um futebol cerebral que o mantém com chances reais também na Libertadores (foto: PEDRO SOUZA/ATLÉTICO)

Havia um tempo em que, ao ver o Galo no topo da tabela, sonhava, como Raul, com o dia em que a Terra parou. “Estátua!”, pensava cá com meus esfumaçados botões. E, então, na minha condição de atleticano patológico, imaginava o fim dos tempos, o planeta a despencar no Cosmos com o Galo em primeiro, e portanto campeão – visto que dali em diante o mundo seria um grande WO.

Ou aquele meteoro que, por vias tortas e desgovernado, nos daria o Brasileirão, o título impossível que nós, atleticanos, perseguimos há 50 anos como uma utopia perdida, algo que foi arrancado de nós quando éramos meninos, e cuja ausência – sempre presente – nos fez adultos antes da hora. Por minutos a fio, olhava a tabela como um turista no Louvre olha a Mona Lisa.

Tantas vezes eu pensei nisso desde que a Fabi foi diagnosticada com a doença que, percebo agora, perdi a coragem de dizer o nome. Se o tempo parasse, preferencialmente com o Galo em primeiro na tabela, a gente ganhava essa guerra. E se eu pudesse decidir quando o relógio haveria de ser brecado, recuaria os ponteiros até 24 de julho de 2014, no minuto final da decisão da Recopa, que vi com ela e o Francisco no setor da Galoucura, o Mineirão lotado. A gente era feliz e sabia. Se a fotografia pode conter o tempo, este seria o meu retrato em branco e preto.

Acontece, porém, de estarmos em 2021. O Galo está em primeiro e pode, hoje, abrir cinco pontos sobre o Palmeiras. Mas agora eu não desejo que o mundo pare, ao contrário – contra todos os diagnósticos, quero que esse tempo passe e rápido. Porque é urgente salvar as florestas, é urgente que todos se vacinem, é urgente alimentar quem tem fome, e é urgente que o amor predomine sobre o ódio. Senão, morreremos todos de Brasil antes de o Galo ser campeão.

Se o meteoro não vem, o negócio é lutar, lutar, lutar, como ensina a nossa Marselhesa. Vicente Motta é que sabia das coisas: “vencer, vencer, vencer” podia ser o ponto alto do hino que compôs, mas ele escolheu o ápice que vem da luta – “lutar, lutar, lutar, com toda a nossa raça pra vencer”. A vitória, pois, é consequência da luta. Que parar o tempo, que nada – nós vamos é driblá-lo, botar no bolso. E viver a delícia do momento presente, afinal, o único que de fato existe e é real, o resto é coisa da nossa cabeça.

Eu me recuso a morrer de Brasil! Então, vou fazer como esse Galo atual (que, assim como o genocida, de doido não tem nada) – é tudo método, como ensina o Mário Marra. E luta. Contra o River, na Argentina, foi frio, lúcido e confiável. Já não é mais o Galo que tirou o Boca, no velho estilo não-é-milagre-é-atlético-mineiro. É o Galo do Nacho sério e cordato na hora do gol. É o Galo que ganhou do Juventude, porque era só questão de tempo. É o Galo que saiu do banco pra eliminar o Bahia. O Hulk é o nosso tanque que funciona, letal, sem cortina de fumaça. Como num tabuleiro de xadrez, xeque-mate, vida ou morte, um, dois, três (e viva os Racionais!).

O tempo correndo solto, jogo quarta, jogo domingo, a CPI pra acompanhar, o Palmeiras ensanduichado entre as duas batalhas contra o River Plate, depois do Boca, antes do São Paulo ou do Palmeiras, quem sabe o Flamengo na final. Vamo que vamo!

Ao contrário do que prega o poeta, atentos venceremos – o Palmeiras, o River, o Bolsonaro, a Copa do Brasil, o Brasileirão, a Libertadores, a doença maldita, e o Lukaku no Mundial. Distraídos, não caiam nessa, empataremos.

E agora, só pra passar o tempo, vou fazer um print da tabela, colar no teto do quarto, deitar na cama e olhar pra ela como quem vai à Capela Sistina. Gaaaaaaaaloo!!!

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