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Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

O mundo dá um duplo twist carpado

Enquanto o outro lado chafurda na lama, o Universo conspira para fazer do Galo de Patric um imbatível esquadrão


postado em 10/08/2019 04:00 / atualizado em 10/08/2019 07:48

Lateral-direito Patric é, atualmente, titular do time atleticano(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press - 6/6/18)
Lateral-direito Patric é, atualmente, titular do time atleticano (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press - 6/6/18)


Semaninha gloriosa essa que passou. Às vezes, acontece. Acabo de ver um vídeo em que o presidente da República sugere fazer cocô dia sim, dia não como forma de combater o aquecimento global. Aquele que, segundo um ministro, só existe porque os termômetros foram instalados no asfalto. Em meio ao desalento, o ópio do povo tratou de nos conduzir de volta ao paraíso.

A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? Agora você precisa de mais uma dose de Atlético Mineiro. Bem, a primeira poção já havia sido administrada na semana anterior, quando eliminamos o Botafogo, essa brita encarnada em nossas chuteiras. A segunda a gente tomou no domingo passado, ao bater o Cruzeiro por 2 a 0. Não é milagre, é Atlético Mineiro: de repente, não havia mais presidente, não havia ministro, não havia Brasil.

O River já havia eliminado o Cruzeiro da Libertadores. Mas, como felicidade pouca é bobagem, o Internacional ganhou dos caras no Mineirão e pode agora eliminá-los da Copa do Brasil. Só imagine o Thiago Neves na zona de rebaixamento, apenas um campeonato a disputar, a Fifa mordendo aqueles seis pontos, a polícia mandando prender. E agora, Zezé? Sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, Zezé. Zezé, para onde?

Diante dos fatos, começo a temer uma overdose – a primeira provocada por ópio do povo. Meu pobre coração atleticano, carunchado por tantas injustiças, tantos azares, suportaria a conquista de um título ao mesmo tempo em que o rival se desmilinguisse, ao que tudo indica, para todo o sempre? Estaríamos nossas pessoas preparadas para o ruir do castelo de areia, quer dizer, o castelo de barro preto? Não torço contra porque sou um pé-frio danado nessa modalidade de corvo secador. Apenas imagino o despertar de um coma profundo: Cruzeiro não há mais. E agora, Zezé?

Enquanto o outro lado chafurda na lama, o Universo conspira para fazer do Galo de Patric um imbatível esquadrão. Senão, como explicar o surgimento desse Vina, o próprio Patric, a segurança do Cleiton, a sabedoria de Rodrigo Santana, o aparecimento do único Jair que a gente respeita? Falta o Universo dedicar-se à conspiração que resolverá a seca de Alerrandro e Ricardo Oliveira. Di Santo, quem sabe? Para ingressar na nossa seita, nome ele tem. Se Di Santo e o Pastor são por nós, quem será contra nós? E nem falei em São Victor.

O Palmeiras não era aquilo tudo, está claro; o Flamengo é freguês; o Santos a gente eliminou outro dia mesmo. O Fluminense é o primeiro time fora da zona de rebaixamento do Brasileirão, o Corinthians não consegue se firmar. Se o Galo ganhar a Sul-Americana, prometo desde já dar a volta no quarteirão correndo pelado. Se ganhar o Brasileiro, aumento o circuito para uma meia maratona. Se o Cruzeiro cair, irei até a Califórnia. Nunca mais usarei uma peça de roupa.

E agora, José? Agora a gente ganha do Fluminense, o Santos perde para o São Paulo, o Grêmio surpreende o Flamengo, e o Bahia, o meu segundo time (era o Vasco, mas fico com pena de até nisso eles serem vice), passa pelo Palmeiras fora de casa. Acabamos a rodada em terceiro, a um ponto do Verdão e quatro do Santos. Vai, Universo! (Não torço por isso, como já disse, mas é claro que o Avaí ganha do Cruzeiro, um jogo de seis pontos. Se o CEC levar, a Fifa tira depois.)

Antes do ponto final, dou uma última zapeada nas notícias mais importantes. “Torcida invade Instagram de Dorival Júnior: ‘Vem para o Cruzeiro’”, “Fora Fred caloteiro! Assuma sua dívida e vaza do Cruzeiro”, “Atlético é absolvido no STJD por chinelo atirado em campo”. O mundo não dá voltas. O mundo dá um duplo twist carpado. Agora aguenta.



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