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Estado de Minas PREVENÇÃO AO SUICÍDIO

Setembro amarelo: conscientização deve ser em todos os meses do ano

O suicídio é causa imediata de morte de 12 mil pessoas no Brasil e mais de 1 milhão no mundo a cada ano


25/09/2020 06:00

(foto: Marcelo Camargo/EBC)
(foto: Marcelo Camargo/EBC)

"Se ele quisesse mesmo tinha pulado da ponte!"
"Francamente! Nada contra, mas acho que está fazendo para aparecer e chamar a atenção."
"Está toda cortada, uma menina bonita dessa, não é possível."
"Gente, outro dia estava cantando e feliz, não é possível."

As sensações de insuportável e interminável são algumas das tantas que são sentidas pelo indivíduo nos preâmbulos do suicídio, causa imediata de morte de 12 mil pessoas no Brasil e mais de 1 milhão no mundo, por ano. Ao final da leitura desta coluna, provavelmente serão mais 5 pessoas que atentaram contra a própria vida. O suícidio na sua maioria das vezes são atos finais de doenças tratáveis, acredita-se que 90% dos casos poderiam ser tratados.

A campanha Setembro Amarelo começou nos EUA e, em 2015 passou a ser feita no Brasil. A origem deste movimento veio da história do jovem Mike Emme, conhecido por ser uma pessoa carinhosa, com habilidades de mecânica e restauração. Ele foi responsável pela restauração do Mustang 68 de cor amarela. Os mais próximos, familiares e amigos não perceberam sinais de adoecimento e em 1994 o rapaz retirou a própria vida. Em seu velório, diversas fitas amarelas com os dizeres "se precisar, peça ajuda" foram distribuídas e, desde então, a cor e as fitas são símbolos dessa campanha de conscientização sobre a prevenção ao suicídio.

Os transtornos psiquiátricos precisam ocupar um espaço de destaque na sociedade, de forma a serem tão importantes como as doenças crônicas como hipertensão, diabetes e as doenças trágicas como infarto e derrame cerebral. O fato de alterar o comportamento é recebido com muito preconceito, seja pela denotação de "loucura" ou mesmo da inadequação às regras sociais. Com isso, muitos estão sofrendo e não estão sendo vistos ou tratados.

Uma das principais abordagens deve ser a redução do preconceito e aumento do acolhimento dessas pessoas. A atenção, monitoramento, autocuidado e cuidado mútuo devem ser também estimulado de forma a reduzir surpresas fatais. São inúmeros casos que passaram despercebidos como o do ator Robin Williams, famoso, rico, divertido e excelente ator. O que acabei de fazer na frase anterior é exatamente o que não podemos fazer buscar justificativas ou um perfil para o adoecimento. Transtornos mentais e suicídio não têm jeitinho, carinha ou tipinho. São doenças que devem ser avaliadas e acompanhadas por profissionais e apoiadas por amigos e familiares.

A partir do momento em que pararmos de buscar explicações e justificativas e nos debruçarmos em ajuda especializada e atenção correta a essas pessoas vamos caminhar com passos mais acelerados para a redução de danos e cuidado. O tema é amplo porém não deve ser esquecido e nem negligenciado. Conheça as pessoas para conhecer as alterações, busque ajuda sempre que sentir inseguro, não deixe pra depois.

Converso muito com meus pacientes no consultório ou nos plantões de urgência. Todo mundo se sente confortável em fazer exames de check-up e marcar consultas para realizar exames e a avaliações quando é um Cardiologista, Neurologista ou Endocrinologista, mas quantos de nós vamos fazer um check-up da saúde mental após uma crise de ansiedade, tristeza, insônia, abuso de medicamentos ou drogas? Quantos de nós fazemos uma consulta de rotina com o Psiquiatra, ou até mesmo com seu Clínico, mas com ênfase na saúde mental? A saúde vai muito além dos exames de laboratório, pressão e glicemia. Converse com seu médico saúde mental deve ser prioridade, de verdade.

Tem alguma dúvida ou gostaria de sugerir um tema? Escreva pra mim: ericksongontijo@gmail.com 

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