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Estado de Minas coluna

Sororidade: o poder do feminino

'Algo mágico acontece quando uma mulher muda seu olhar. Quando desconstrói tudo que aprendeu sobre o papel do homem e o papel da mulher'


13/09/2020 04:00









O papel feminino que exercemos hoje foi construído às custas de muitas mortes na fogueira. Muita misoginia, estupros, violência. Muito terrorismo para deixar as mulheres em silêncio, amedrontadas e obedientes. Obedecendo aos homens sem questionar. Aceitando o machismo sem questionar. Aceitando a desvalorização do trabalho de cuidado que se tornou uma obrigação feminina.

Mãe leva para a escola. Mãe marca consulta com pediatra. Mãe programa seus compromissos de acordo com os horários das atividades dos filhos. Ser mãe é ser professora, médica, psicóloga, terapeuta ocupacional, recreadora, contadora de histórias. É praticar a zenitude mesmo com a cria naquele nervo. É ser orientadora educacional, que precisa explicar a necessidade é a importância das tarefas. É ser eternamente chata.

Pai não, pai faz porque ele é legal, pai não é obrigado. Pai que troca fralda: que anjo!. Ah, mas ele até faz a papinha do bebê: que homem!. O que é obrigação para a mãe, para eles tudo é bônus, valendo troféu pai do ano!

Hoje, toda a sobrecarga fica com as mulheres, e junto com todas as cobranças ainda temos que lidar com homens violentos. Os dados sobre violência doméstica, especialmente durante a pandemia, são alarmantes. E mesmo os homens que não são violentos se beneficiam dessas ações. Já reparou a primeira coisa que um homem que se acha exemplar por não ser violento faz diante de uma notícia sobre violência doméstica?

Ele não comenta sobre o absurdo da atitude, ele aproveita o momento para mostrar como ele é bom! Como ele é diferente daquilo. Como ele é melhor. Ele massageia o próprio ego em vez de entender que o que ele faz é apenas o básico. Nada mais que a obrigação de qualquer pessoa decente. Mas não, a violência do outro fica valendo um troféu marido do ano.

Enquanto isso, mulheres aprendem a ver umas às outras como rivais. Nos colocamos em segundo plano, deixando os homens em primeiro, reinando absolutos. Idolatrando e supervalorizando tudo que eles fazem. Deixamos todo o poder nas mãos deles. Em casa, no trabalho, na política, nos esportes. Eles sempre estão em primeiro lugar. Eles sempre estão unidos.

Eu entendo esse medo que homem sente de mulher, nós temos uns superpoderes inexplicáveis. Eles nos entregam um espermatozoide, a gente entrega um bebê inteiro. E ainda produzimos leite para alimentar aquele bebê. Nós sangramos todo mês e isso significa que estamos saudáveis. Todo homem saiu do útero de uma mulher. Deve ser por isso que eles insistem em querer controlar nosso corpo.

Por que tanto medo de mulheres que querem equidade? Veja bem, equidade! O justo para ambas as partes. O acesso aos mesmos salários, aos mesmos cargos, a divisão das tarefas domésticas e cuidado com os filhos. Mesmos direitos e deveres. O respeito mútuo. O companheirismo.

Algo mágico acontece quando uma mulher muda seu olhar. Quando desconstrói tudo que aprendeu sobre o papel do homem e o papel da mulher. Quando percebe que, se o homem foi colocado num pedestal, ela pode ir lá e dividir o espaço com ele.

Tudo muda quando uma mulher entende que a rivalidade só nos prejudica. E que temos muita força quando nos unimos e apoiamos. Então começamos a enxergar que juntas podemos chegar muito mais longe do que sozinhas. Isso se chama sororidade: “A união entre as mulheres apoiada na empatia e companheirismo que busca alcançar e manter relacionamento e atitudes positivas entre elas. Sem julgamentos”.

Sororidade muda o mundo, e as pessoas têm muito medo de mudanças. Mudar dói, mas depois da dor vem a recompensa.

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