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Estado de Minas PADECENDO

Quando o casamento termina

Não existe vida de solteiro depois dos filhos! Para toda escolha, há uma renúncia


postado em 02/02/2020 04:00 / atualizado em 01/02/2020 21:27


Bebel Soares 




Casamento é um compromisso que a gente tem que assumir todos os dias quando acorda. No Brasil, um em cada três termina em divórcio. A média de duração de um casamento também vem caindo, está em 14 anos. Mas, por que tantos divórcios?

Estou casada há 16 anos, mas acompanho muitas histórias de casamentos que terminaram, tanto dentro do nosso grupo, que tem mais de 10 mil mães, como casos de amigas próximas, e os motivos que levam ao fim são muito parecidos.

A primeira reclamação das mulheres é que os homens são imaturos e machistas e não dividem as responsabilidades, enquanto nós estamos mais independentes e seguras, dando conta de toda a carga mental sozinhas.

Filhos trazem uma tensão ao relacionamento, as responsabilidades recaem mais sobre a mulher, que, mesmo quando não assume a parte financeira, fica responsável por todas as outras: levar e buscar na escola, marcar e levar a médicos, dentistas e todas as questões de saúde. A mãe fica responsável pela alimentação, pelos cuidados com higiene, com o sono da criança. A carga mental materna acaba deixando a relação do casal em segundo plano.

Há também os casais que perdem a conexão. Que ficaram tão envolvidos com a criação dos filhos, com as contas a pagar, que, de repente, notam que não têm mais nada em comum.

E você já viu o fenômeno do marido que vira filho? De repente, o cara não é mais parceiro, ele é mais um para a mãe cuidar, ele disputa a atenção da esposa como se fosse o filho mais velho, e não como o pai e corresponsável pela prole. Ou acha que não está recebendo a devida atenção e volta para a adolescência, se esquecendo de todas as responsabilidades que assumiu dividir. Não existe vida de solteiro depois dos filhos! Para toda escolha, há uma renúncia.

É só uma fase, e passa, mas quando falta maturidade a um dos cônjuges, ou aos dois, acaba colocando uma terceira pessoa na relação. A confiança quebrada leva ao divórcio.

Também posso incluir nessa lista as relações de violência contra a mulher. A Lei Maria da Penha descreve os seguintes tipos de violência doméstica: violência física, violência psicológica, violência sexual, violência patrimonial e violência moral.

Não conheço as estatísticas, mas dentro do nosso grupo de discussão, a violência psicológica me parece a mais recorrente, e a mais difícil de ser detectada pela mulher. É uma forma de violência muito sutil, e com um poder de destruição enorme. A vítima deixa de acreditar em si mesma. Fica refém do casamento, que, muitas vezes, para quem vê de fora, é perfeito. Quando ela consegue tomar as rédeas da própria vida, ela não consegue continuar casada.

“Violência psicológica: entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, violação de sua intimidade, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação”(Lei 11.340, de 7 de agosto de 2006).

O que as mulheres esperam de um casamento? Nós esperamos uma parceria, alguém para dividir as responsabilidades e multiplicar os momentos felizes. Queremos um companheiro. Alguém que queira caminhar junto, amadurecer junto. Na prática, o que recebemos muitas vezes é uma criatura narcisista e egocêntrica que deseja toda a atenção para si.  Não nos cabe educar marmanjos, mas precisamos pensar em como educar nossos filhos para que eles entendam que a conta não vai fechar se eles mantiverem esse padrão antigo.

Divórcio não é mais uma vergonha para as mulheres. Além disso, hoje nós temos independência financeira, dois fatores que tornam mais fácil a decisão de colocar um ponto final na relação quando ela não está indo bem. Geralmente, as mulheres esgotam todas as possibilidades para recuperar a relação, a cumplicidade, antes de tomar a decisão de se separar. Para que isso funcione é preciso manter a gentileza, o diálogo, o respeito.

Provavelmente, as mulheres são as responsáveis pelo aumento no número de separações, como bem disse a Dani Villani, que participa do nosso grupo: “Eu ainda acho que as separações acontecem porque não se fazem mais mulheres como antigamente, mas ainda se fazem homens como antigamente. Aí surgem problemas”.

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