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Estado de Minas COLUNA DO BAPTISTA CHAGAS DE ALMEIDA

Crise no governo Bolsonaro mostra que a gente já viu esse filme

Perda de governabilidade e ameaça de impeachment rondam o governo federal


postado em 26/04/2020 06:00 / atualizado em 26/04/2020 09:34

Bolsonaro e Moro: o mais famoso
Bolsonaro e Moro: o mais famoso "casamento" do governo acabou mal (foto: Reprodução da internet/Twitter/@jairbolsonaro)


Este domingo traz uma verdadeira ressaca na política nacional. Os últimos acontecimentos da semana passada falam por si. Se até impeachment entrou no cenário, como pretende a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), o que mais é necessário ressaltar?

Em resposta rápida, basta o registro: “Pandemônio em Brasília”, destacou ontem a manchete do jornal, fazendo o resumo da ópera na política nacional. As agendas oficiais, sem exceção, informavam apenas o registro de praxe: sem compromissos oficiais. Nem precisava, era óbvio, mas vale frisar a repetição.

Afinal, “a gente já viu esse filme no passado. O presidente perde governabilidade e vira um zumbi”, relata o ex-diretor do Banco Central (BC) Alexandre Schwartsman, acrescentando que “quando o impeachment avança, o mercado já coloca isso no preço dos ativos e tudo melhora...”

O líder do governo na Câmara, deputado Vitor Hugo (PSL-GO), primeiro ressaltou que “o presidente, em seu discurso, foi cirúrgico”, embora não seja médico, já que é militar. Daí ter partido para o ataque: “A esquerda e a quase esquerda envergonhada defendem Moro agora e governadores pré-candidatos à Presidência da República oferecem vagas a rodo para o ex-ministro”.

Quase não entendi direito, mas deixa pra lá. Tinha mais gente do PSL, e vale ressaltar um último registro antes de mudar de assunto: “Isso não é um pronunciamento de um presidente, é uma tragédia! Espero que Jair Bolsonaro não parta para desmoralizar Sergio Moro. Será o atestado de sua insanidade”. Desta vez é o deputado Julian Lemos (PSL-PB). Nada a acrescentar, já basta, né?

O assunto novo é… é… é… continuar, não dá para brigar com as notícias envolvendo o presidente da República, Jair Bolsonaro. O jeito então é trazer um ex-presidente da República. É claro que Lula não poderia perder a oportunidade. Afinal, lá na época da Operação Lava-Jato da Polícia Federal (PF), em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), o então juiz Sergio Moro o condenou a quase uma década.

“Não pode haver inversão da história. O Bolsonaro é filho do Moro, e não o Moro cria do Bolsonaro. Nessa disputa toda, os dois são bandidos, mas é o Bolsonaro que é a cria e não o contrário. E os dois são filhos das mentiras inventadas pela Globo”.

Parece até o metalúrgico do sindicato no ABC Paulista, mas é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mesmo voltando ao noticiário. E no seu velho estilo metalúrgico de partir para o ataque. Ficamos assim.


Será mesmo?

O Instituto Brasil 200 é uma associação civil sem fins lucrativos e sem vinculação político-partidária, com sede em São Paulo e representação em todos os estados da federação. Feito esse registro vale destacar a resposta rápida diante de declaração em entrevista ao Estadão: “Presidente do Instituto Brasil 200, Gabriel Kanner diz que a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça é o começo do fim de Bolsonaro”. Para registro: o instituto reúne cerca de 300 empresários de todo o país que apoiaram o presidente.

A bola da vez

A panela de pressão política já está em fogo alto para fritar o ainda ministro da Economia, Paulo Guedes, o outro alvo do presidente Jair Bolsonaro e seus filhos. Ele tem tudo para se juntar aos ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e, claro, ao ex-juiz da Lava-Jato Sérgio Moro. Guedes, no entanto, não deu o braço a torcer diante dos rumores. Tanto que teve reunião para tratar de destravar o crédito para aquecer o cenário econômico. Já que é domingo, melhor ele rezar, se é que pretende continuar no cargo. Ele ainda não deixou claro o que fará.

Não tem teto

A Boeing anunciou, em pleno sábado (será fuso horário?), a rescisão do acordo que daria à gigante norte-americana o controle sobre a divisão de aviação comercial da Embraer. Em comunicado ao mercado financeiro, a empresa avisou que “exerceu o seu direito de rescindir” já que a Embraer não teria “atendido às condições necessárias”. Trata-se de um negócio bilionário, grande mesmo, envolve nada menos que US$ 5,26 bilhões. Nem precisa fazer as contas em reais. Cinco bilhões de dólares sozinhos falam por si.

Ao combate

O Colégio de Líderes da Assembleia Legislativa (ALMG) aprovou requerimentos para realizar reuniões especiais com secretários de Estado. O objetivo é tomar ciência das informações sobre a atuação de cada pasta no combate à pandemia da COVID-19. Serão ouvidos os titulares das seguintes secretarias: de Governo, de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, a Secretaria-Geral do Estado, a de Infraestrutura e Mobilidade, e até a de Cultura e Turismo. Inclua ainda a de Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
 
(foto: CADU GOMES/CD/D.A.PRESS)
(foto: CADU GOMES/CD/D.A.PRESS)
 

A homenagem

Mais uma, né? “Na Câmara dos Deputados, no Senado ou na Presidência da República, testemunhei todos os episódios da vida política contemporânea do Brasil. Algumas vezes, fui assistente, em outras vezes, participante e até protagonista”, destacou com humildade o ex-presidente José Sarney (foto), que completou 90 anos. Ele destacou, em entrevista, desta vez à Agência Senado, que seus legados são a redemocratização e uma série de direitos sociais. O próprio Sarney fez o resumo de sua trajetória na política nacional: “É por causa dessas conquistas que posso dizer que não passei pela política em vão”.


PINGA FOGO

  • Está previsto para amanhã, isso mesmo, em plena segunda-feira, a votação de uma medida provisória (MP) que trata da Embratur, Instituto Brasileiro de Turismo – é, mudaram o nome – mas o fato é que ela pode passar a ser uma agência autônoma.
  • O registro oficial é: a Medida Provisória 907/19 transforma a Embratur, atualmente uma autarquia federal, em serviço social autônomo, com a denominação de Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo. Mudou o governo, mudou o nome. Me poupe, né?
  • Em tempo: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou ainda que Jair Bolsonaro só chegou à Presidência da República após Sergio Moro, na época no comando da Lava-Jato, condená-lo sem provas no processo do triplex no Guarujá (SP).
  • Mais um: para registro, dois projetos de lei da Assembleia Legislativa, que buscam garantir mais transparência dos órgãos públicos em processos de compras e contratações para o combate à pandemia do coronavírus, já foram aprovados neste sentido.
  • Ainda sobre Sarney: “Eu não sabia quais compromissos Tancredo havia firmado. Além disso, existia a dificuldade decorrente de eu ter pertencido a um partido que não era o de Tancredo (foto). E ainda havia a área militar, que estava dividida”.
  • Bom domingo a todos. Ah! E fique em casa.

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