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Estado de Minas

Projeto de segurança de Moro não inclui capitais

Ao que parece, governo federal tem medo das estatísticas, que obviamente, serão desfavoráveis


postado em 30/08/2019 04:00 / atualizado em 30/08/2019 08:37

(foto: Dario Oliveira/Estadão Conteúdo)
(foto: Dario Oliveira/Estadão Conteúdo)

Todos juntos vamos, pra frente Brasil, Brasil, salve a seleção de 1970. Faz tanto tempo a canção, mas a falta de imaginação oficial é bastante atual. O batismo, quase uma apropriação indébita, repete a canção da Copa do Mundo do século passado, antiga mesmo, há quase meio século. De repente parece que todo o Brasil deu a mão. Todos unidos na mesma emoção, tudo é um só coração.

Só que atualmente não é mais bem assim. O projeto batizado “Em Frente, Brasil” do governo federal prevê é um aumento, um reforço do policiamento com o objetivo de reduzir homicídios. É o projeto-piloto lançado ontem pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL). Vai lançar onde?

A ideia do governo é pilotar ações em Ananindeua, no Pará, Paulista, em Pernambuco, apesar do nome pouco apropriado, Goiânia em Goiás, Cariacica, no Espírito Santo e, sem rezar, São José dos Pinhais, no Paraná.

Uma em cada região. Por que não usou as capitais? Medo das estatísticas que, obviamente, serão desfavoráveis? Bem, o fato é que parece notícia velha, os municípios foram selecionados em maio, mas vale a ressalva de que havia o aviso de que as ações serão iniciadas no segundo semestre de 2019.

“A concepção é diferente – agir preventivamente, irmos a esses municípios para evitar que situações de criminalidade violenta se agravem”, disse o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro. “Uma redução substancial na insegurança pública, perdas de vida, violências, são objetivos que valem a pena”, acrescentou.

O jeito então é mudar de assunto, sem ficar com pena do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) que deve andar numa ansiedade danada. É que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), avisou em alto e bom som que só pretende colocar o tema para a votação no plenário quando tiver a devida certeza de que o presidente Bolsonaro terá garantido os votos necessários para indicar o filho querido.

O fato é que “independente de eu ser ou não embaixador, essa aproximação – leia-se com o governo dos Estados Unidos da América (EUA), mais especificamente com o presidente Donald Trump – já existe”. A frase não é literal, mas é o resumo do que está por vir.

Com a palavra, os nobres senadores e senadoras. Não é isso, meu caro presidente do Senado Davi Alcolumbre?

Carro blindado
A CPI deveria ter mudado de nome. É que os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as operações feitas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) feitas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, não deixaram que ela prosperasse. Guedes teve a convocação para depor devidamente rejeitada. O avalista foi nada mais, nada menos que o próprio presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Que fique claro
Rodrigo Maia vem, e não é de hoje, protegendo o ministro da Economia, Paulo Guedes, alegando que “não era o momento certo para avançar com o requerimento”. Já que não teve avanço de sinal, vale um registro: blindagem é a tecnologia utilizada especialmente em veículos para a proteção pessoal contra armas de fogo. Criada para a guerra, a inovação em pouco tempo alcançou centros urbanos de países com altos índices de violência, como o Brasil, Paraguai ou a Colômbia.

R$ 78.197.344,98
“Acredito que esse valor seja próximo do real”. A “estimativa” é do advogado Nilton Serson, preso na Operação Carbonara Chimica. A notícia nova, no entanto, é que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu ontem a decisão de que o ex-ministro Guido Mantega fosse obrigado a usar tornozeleira eletrônica. A determinação para ele usar tinha partido do juiz Luiz Antonio Bonat, o substituto de Moro na 13º vara criminal Federal de Curitiba, aquela que cuida da Operação Lava-Jato da Polícia Federal(PF) em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF).

(foto: Carlos Eller/Especial EM)
(foto: Carlos Eller/Especial EM)

Toque mineiro
O projeto altera a lei do Programa Minha Casa, Minha Vida e obriga a construção de biblioteca, sala de estudo, creche e pré-escola em todos os conjuntos habitacionais financiados com recursos do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS). De acordo com o relator, deputado José Ricardo (PT-AM), “é fundamental para que não se tornem espaços vazios e desperdício de dinheiro público”. Legal a proposta, né? Mas faltou o toque mineiro. O Minha casa, minha vida foi criado pela Lei nº 11.977, de 7 de julho de 2009. Quem sancionou foi o saudoso vice-presidente José Alencar Gomes da Silva (foto), que estava no exercício da Presidência da República.

Embaixador?
Já que citamos o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) vale deixar claro que ele começou mal. A diplomacia, pelo jeito Trump de ser, não merece uma declaração desta: “a gente vai ficar aceitando fundo de Amazônia e continuar se prostituindo em nome disso?”. Perguntou e respondeu ele próprio: “A gente não vai ficar chorando e fazendo tudo o possível atrás desse dinheiro”. São apenas trechos, mas bastam. O que não dá para resistir é: será que bebeu? “A Amazônia, essa mulher tão bonita, o outro cara vai lá, pisca para ela, quer pagar um drink para ela, não posso achar que esse drink está sendo pago de graça, né?”. Basta por hoje.

Pinga-fogo

A vírgula antes do mas. Algumas notícias registraram assim: foi além do esperado, mas ainda está longe. Para clarear, o PIB cresceu mais que o esperado, mas uma retomada consistente da economia ainda está longe. Faça você mesmo a sua escolha.

Só faltava esta. Duplicidade. Isso mesmo, já tem inquérito em andamento com o fato igual em tramitação na “inequívoca duplicidade das informações”, como alertou a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Daí a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que seja decretado o arquivamento. Como o caso é do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que já está em andamento e envolve a Odebrecht, diferença nenhuma faz.

(foto: Denis Charlet/AFP)
(foto: Denis Charlet/AFP)

Merci beaucoup. Só que a primeira-dama francesa, Brigitte Macron, foi mais elegante ainda. Agradeceu em bom português: “muito obrigada”. É claro por causa comentário do presidente Jair Bolsonaro, aquele mal–educado, que comentava em post: “Não humilha cara. Kkkkkkk”.

Para que fique claro, foi em retribuição aos brasileiros diante da campanha na hashtag #DesculpeBrigitte, que a emocionou como registrou a imprensa francesa no início desta semana. Sendo assim, au revoir por aujourd'hui.
 


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