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Estado de Minas EM DIA COM A POLÍTICA

O encontro secreto do PT sábado no Rio

Melhor mudar de assunto. Afinal, um presidente da República quando está em sessão solene no plenário da Câmara dos Deputados não costuma discursar da tribuna


postado em 16/07/2019 04:00


 E muito menos com a imprensa presente, que passou longe dele. Embora tenha sido em praias cariocas, com direito ao trocadilho, tudo tem de passar por Minas Gerais. Quem organizou foi o líder do PT na Câmara Municipal do Rio de Janeiro (CMRJ), vereador Reimont Otoni, mineiro de Conceição do Mato Dentro, em seu terceiro mandato, lá Rio.
Por que tanto segredo? Ah! Deve ter sido por causa da presença do ex-presidente petista José Genoíno e a guerrilha do Araguaia, em que foi um dos principais líderes da resistência na época da ditadura militar. Depois foi deputado por cinco mandatos consecutivos na Câmara Federal, de 1982, 1986, 1990 a 1994 e o último em 1998. O escândalo do mensalão deixa para lá.
Melhor tratar do presente, não do passado. Afinal, a presença mineira chama muito mais a atenção. Reimont Otoni organizou o evento para discutir os temas importantes do partido, a conjuntura nacional e tratar dos assuntos que serão levados para o próximo congresso do partido.
E a primeira oradora foi a presidente do PT de Minas Gerais, Cida de Jesus: “Fiz uma provocação em Belo Horizonte, convidei 40 jovens para um encontro. Reuni jovens da periferia, do hip-hop, das pastorais, do teatro, da classe média, do MST, e disse vocês precisam me ajudar”.
A ajuda veio por meio de um pedido. Um jovem do hip-hop foi direto ao ponto. “Mas como é que eu vou falar isso para a minha comunidade?” “Em Minas, nós vamos no mínimo retomar o que éramos. Tivemos diretórios em 851 municípios e agora temos em 600. Minas é um Brasil. Vamos retomar o número de vereadores, deputados”, foi a resposta em tom otimista de Cida de Jesus.
Melhor mudar de assunto. Afinal, um presidente da República quando está em sessão solene no plenário da Câmara dos Deputados não costuma discursar da tribuna. Só que o presidente Jair Bolsonaro (PSL), pelo jeito, voltou ao seu tempo como parlamentar. E discursou por 10 minutos.
A sessão, no entanto, durou 1h40min, com direito, por exemplo, à execução da Canção das Forças Especiais e da Canção dos Comandos executadas pela Banda do Comando Militar do Exército, regida pelo 1º Sargento Afonso Sabino de Moura Júnior.   Diante de tudo isso e com direito a um pequeno descanso por uns dias, melhor fazer como o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que nem se deu ao trabalho de dar as caras para receber o presidente da República. Optou por não ter que vestir a farda, ops, o terno exigido no plenário.

Um pouco mais…
… de José Genoíno (foto). “Não podemos esquecer a nossa história. Eu não me esqueço da minha, que nunca foi de proveito próprio.” “Outro dia peguei um táxi em SP e quando parei na porta da minha casa o taxista falou: 'Não é possível essa casa tão modesta ser sua'”. E eu respondi: “Vamos para a delegacia agora, para provar que essa é a minha casa, não vivo em um apartamento de luxo no Morumbi. Vamos para a delegacia, e se você não provar o que está falando eu te ferro”. São mais algumas frases dele no encontro fechado do PT.

Mourão defende reforma política
Depois da reforma da Previdência, o Brasil tem urgência de uma reforma política. Quem faz a defesa é o vice-presidente da República, Hamilton Mourão. Na abertura de um evento ontem na Fundação Getulio Vargas, no Rio, ele defendeu que o próximo passo seja uma mudança no sistema político. “Hoje, lá dentro do Congresso, na Câmara dos Deputados, temos 26 partidos representados, apenas dois partidos têm mais de 50 deputados, em torno de sete têm entre 30 e 40 e o restante são partidos com 10 ou oito deputados. Então, é extremamente fragmentado o nosso Congresso, não é fácil lidar com isso aí. Os partidos deixaram de representar o pensamento da sociedade como um todo. Acho que todos aqui entendem perfeitamente que o ideal é que tivéssemos cinco partidos, quando muito sete, que representassem as diferentes espécies de pensamento que temos dentro da nossa sociedade”, disse.

Estatais
Ainda na FGV, Hamilton Mourão (foto) disse sobre a reforma da Previdência que ela não é a solução dos problemas, mas a abertura para resolver a questão fiscal e a retomada da economia. “É como se o Brasil estivesse dentro de uma garrafa e o gargalo é a reforma da Previdência. Temos que sair por esse gargalo para que se crie um ambiente de estabilidade, e estabilidade gera confiança. É isso que está sendo buscado”. Mourão disse ainda que a venda de estatais é uma outra forma de resolver o desnível fiscal no país. “Se a empresa está dando prejuízo, e o governo não tem condição de arcar com aquilo, tem que vender. Então, vamos privatizar aquilo que deve ser privatizado”, disse, ressaltando ainda que não haverá contratações.

Fiemg
Em tom de “hora da virada”, o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe (foto), faz amanhã, em encontro com a imprensa, a defesa da urgência de uma reforma tributária focada em simplificação e desburocratização, como pressuposto para a volta do crescimento econômico. O industrial chama a atenção para o “inaceitável cenário de insegurança jurídica, o que afugenta investimentos”. A crítica se refere às indefinições que se arrastam no campo da tributação brasileira, e também às exigências que tomam tempo e dinheiro das empresas e do cidadão. Um exemplo é sobre como serão compartilhadas e tratadas informações que as empresas são obrigadas a anotar na escrituração fiscal digital e no sistema de escrituração das obrigações fiscais previdenciárias e trabalhistas, o e-social. O governo já admitiu que vai mudar o e-social, mas não revelou como.

Dívidas
A União bancou R$ 1,262 bilhão em dívidas de governos estaduais em junho, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira, 15, pelo Tesouro Nacional. O valor se refere a R$ 610,45 milhões em débitos não pagos pelo Rio de Janeiro, R$ 520,36 milhões em dívidas de Minas Gerais e R$ 131,21 milhões em calotes do governo de Goiás. No primeiro semestre de 2019, o governo federal precisou desembolsar R$ 4,246 bilhões para honrar dívidas dos três estados, que têm garantias da União. Embora o custo para a União com essas garantias seja crescente, o Tesouro está impedido de bloquear os repasses para os três estados.  Nos casos de Minas Gerais e de Goiás, porque os governos estaduais conseguiram decisões judiciais que impedem a execução das contragarantias pela União nessas operações.

Recesso, mas só  
de uma semana 
Por fim, melhor seguir o exemplo do Congresso e fazer o registro de que, ao contrário dos deputados federais e senadores, será de apenas uma semana. Isso mesmo, o titular da coluna volta na terça-feira que vem, torcendo para encontrar melhores notícias na política, o que anda difícil atualmente.

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