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Estado de Minas

O dia de interceptar que ainda não acabou

"Toda vez que pega conversa privada, eu pinço aqui, acolá, está fora do contexto". A voz da sensatez é do vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB)


postado em 11/06/2019 06:00 / atualizado em 11/06/2019 09:29

Não há como deixar de interceptar a confusão política de ontem. O melhor seria fazer como o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que cancelou a entrevista coletiva prevista para depois da audiência em que tratou de regras para concursos públicos para juízes e saiu às
pressas do evento.

A Praça dos Três Poderes, em Brasília esteve, pouco tempo depois, movimentada por causa do site The Intercept e a divulgação dele mesmo ressaltando que as informações vieram de “fonte anônima”, que envolve o hoje ministro da Justiça, Sérgio Moro e o procurador da República Deltan Dallagnol, o que gerou verdadeira crise reunindo os Três Poderes da República.

Afinal, estiveram reunidos o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), o que explica a pressa de Toffoli em sair correndo sem dar a entrevista prevista na audiência envolvendo o concurso de juízes.

A voz da sensatez não veio de “fonte anônima”, muito antes pelo contrário. Foi o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão (PRTB), ao lembrar que, em relação aos processos ocorridos na Lava-Jato, todos passaram por primeira, segunda, e outros já chegaram à terceira instância. “Não vejo nada de mais nisso aí”. E acrescentou: “Toda vez que pega conversa privada, eu pinço aqui, acolá, está fora do contexto”.

Já que é assim, o melhor é sair voando deste assunto, já que, quinta-feira agora, será oficializado o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa do Transporte Aéreo Nacional, uma iniciativa do Coronel Tadeu (PSL-SP), para reunir as classes que tratam do tema, como a Agência Nacional da Aviação Civil (Anac), o Ministério dos Transportes e, óbvio, as empresas aéreas.

O que levantou voo de fato é uma boa notícia que vem do setor agrícola. O crédito rural teve crescimento de 7% entre este ano e o passado. E o otimismo continua crescendo, já que os agricultores pretendem investir 17% a mais para a safra de 2019/2020. O que é indicador de maior confiança dos produtores. Tomara que se concretize, já que há uma capilaridade econômica que vão de tratores à contratação de trabalhadores rurais.

Melhor então deixar pessimista apenas o ex-juiz da Lava-Jato Sérgio Moro, diante da possibilidade de ele ser alvo de comissão parlamentar de inquérito (CPI). A esquerda e o Centrão, com vários encrencados que só não estão presos por conta do foro privilegiado, barato não vão deixar. O troco vai chegar.

Na quinta vez
Senador de primeiro mandato e uma espécie de relator especial quando os temas são complicados, ele foi escolhido pela quinta vez consecutiva um dos líderes do Congresso Nacional em lista divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). É Antonio Anastasia (PSDB), atualmente o vice-presidente do Senado. E não tucanou, foi direto ao ponto ao fazer a ressalva: “Claro que fico lisonjeado com mais esse reconhecimento. Mas esse não é um momento de comemorações”.

Ainda o Diap
Já o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) fez bonito em seu primeiro mandato e estreou como sendo articulador, também de acordo com o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Entre os deputados figuram Aécio Neves (PSDB-MG), Fred Costa (Patri-MG), Júlio Delgado (PSB-MG), Lincoln Portela (PL-MG) e Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG). É pouco, afinal são apenas 10% para uma bancada que tem 53 deputados. Melhor torcer para que haja dias melhores na política nacional.

Rapidinho!
Não perdeu tempo o senador Rogério Carvalho (PT-SE), que não submergiu diante da polêmica envolvendo o ministro Sérgio Moro e o procurador da República Deltan Dallagnol. Fez questão de subir à tribuna e ressaltar que “a operação de Moro e Dallagnol contribuiu para destruir a cadeia de petróleo e gás, ensejou a venda a preços aviltados das reservas do pré-sal, solapou a nossa competitiva construção civil pesada e comprometeu projetos estratégicos na área da defesa, como a construção do submarino nuclear”.

O detalhe
O senador petista foi à tribuna logo depois do pronunciamento do senador Alvaro Dias (Pode-PR), que havia discursado. Basta um trecho: “Eles não estavam investigando e julgando crimes com penas leves, criminosos comuns, aqueles que assaltam na esquina ou que roubam o boteco no bairro. Eles estavam investigando para julgar grandes criminosos, barões da corrupção, ladrões do dinheiro público, assaltantes do Brasil, que são ladrões e assassinos”.

A blindagem
É o que pretendem os integrantes da comissão que trata da reforma da Previdência, aquela que está ainda na comissão especial da Câmara dos Deputados. O temor, de acordo com o presidente da comissão especial, Marcelo Ramos (PL-AM). Ele admite que a polêmica envolvendo o ex-juiz Sérgio Moro atrapalha, mas pretende manter o script já determinado. “Gera tumulto”, alerta, diante da esquerda, leia-se deputados do PT encabeçando, mas espera manter o calendário traçado anteriormente.

PINGAFOGO

(foto: El País/Reprodução )
(foto: El País/Reprodução )

Em tempo: ainda sobre o senador Rogério Carvalho (PT-SE), que foi à tribuna tratar também sobre a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (foto) (PT) e ressaltou que foi uma “gigantesca farsa jurídica”.

A Lava-Jato vai fazer água? O trocadilho é infame, mas não dá para resistir. Afinal, veio do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao tratar do caso envolvendo o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador da República Deltan Dallagnol.

Para que fique claro, ele se manifestou: “É ruim para a imagem do juiz Sergio Moro como candidato a uma cadeira no Supremo. Hoje, eu tenho dúvidas até se ele termina o governo aí ministro da Justiça, mas vamos esperar”.

Bem, o fato é que o Conselho Federal da Ordem dos Advogados (OAB) recomendou o afastamento do ministro Sérgio Moro e do procurador Deltan Dallagnol dos cargos que ocupam e sem qualquer suspeita, até o fim das investigações.

Diante tudo isso, o melhor a fazer é, sem nenhuma suspeição, encerrar por hoje. E deixar que a Suprema Corte de Justiça do país encontre uma solução o mais rápido possível. Afinal, a coluna ainda é de política, embora as notícias estejam vindo mais do Judiciário.

 


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