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Bolsonaro e o museu

O museu ressaltou ainda o fato de ele apoiar a mineração e outros empreendimentos na Floresta Amazônica


postado em 13/04/2019 05:06 / atualizado em 13/04/2019 12:32

Um almirante navegando em águas turvas corre mesmo sério risco de naufragar. Mesmo assim, na quarta-feira, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, será recebido por empresários, políticos e autoridades sobre a situação das mineradoras no país, da proposta para o setor energético e das concessões e PPIs que estão na pauta do ministério. Vale um registro.

Ontem, onde ele estava? Melhor responder de uma vez: em Roraima. Qual era o compromisso: agenda de trabalho lá. Onde mesmo? Lá em que as mineradoras miram Tepequém, o maior – ou um dos maiores – ponto turístico de Roraima. Os turistas, no entanto, certamente ficarão embasbacados quando lá chegarem.

Com o novo governo, não são poucas as mineradoras internacionais que sentem um momento propício para apostar na mineração em larga escala no maior ponto turístico de Roraima. Já que o assunto é este, vale o registro de que o evento onde estará o ministro, na quarta-feira, fica no Vale do Sereno. Será que os ambientalistas estarão por lá para quebrar a serenidade?

E amanhã? Onde estará o chefe do ministro almirante? A resposta é: o presidente Jair Bolsonaro (PSL) estará em New York City. Vai receber o prêmio “Personalidade do Ano” da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, com direito a jantar de gala. O problema é que o evento pode sair pela culatra. Sem trocadilho.

O evento será no The American Museum of Natural History que deixou claro estar consternado por sediá-lo e classificando Bolsonaro como presidente de ultradireita. O museu ressaltou ainda o fato de ele apoiar a mineração e outros empreendimentos na floresta amazônica. E citou o fato de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já ter “pulling out”, abandonado o Acordo de Paris, embora o Brasil, pelo menos por enquanto, que fique claro, não tenha seguido o mesmo caminho.

E acrescentou sobre Trump: “He continues to support mining and other development in the Amazon rainforest region, considered by most scientists as the world’s biggest natural defense against climate change”. Ou seja, dando suporte à mineração na floresta amazônica, considerada pela maioria dos cientistas a maior defesa natural do mundo contra a mudança climática já em curso.

Já que falamos do mundo, a Lua pregou uma peça em uma missão privada israelense. Pertinho dela, a pequena espaçonave desligou e perdeu comunicação com a Terra. Sendo assim, melhor aterrissar por hoje. Um bom domingo a todos.

Produtor rural
A praça da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) ficou literalmente lotada durante toda a manhã e início da tarde de ontem por produtores rurais de várias partes do estado, principalmente do Vale do Jequitinhonha. Eles vieram trazendo faixas e cartazes para protestar contra a reforma da Previdência Social, pretendida pelo governo federal. Após várias falas de protestos, os manifestantes, com o devido apoio de alguns deputados estaduais, seguiram em caminhada até a Praça da Estação. Obviamente, com direito ao chavão de sempre, voltaram a prometer que a luta vai continuar companheiros.

Porcentagens
Itaú Unibanco reduziu as expectativas para o crescimento econômico em 2019 e 2020. A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano passou de alta de 2,0% para 1,3%. Ano que vem pode melhorar, um pouquinho só, mas vale a torcida: saiu de 2,7% para 2,5%. Se no meio do caminho tem a produção de minério de ferro que despencou por causa do rompimento da barragem em Brumadinho (MG), melhor torcer para que venham dias melhores. Se no último Datafolha, 30% dos entrevistados achavam que o governo é ruim ou péssimo, 32% acham bom ou ótimo, enquanto 33% consideram a gestão regular, faz sentido o DataItaú seguir a mesma toada.

Sei de nada, não!
Antes já tinha avisado de forma taxativa o ministro Alexandre de Moraes: “Eu vou comentar do que sei. Não tive conhecimento da revista, destas reportagens”. Ele tratava do fato de o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, ter sido citado na famosa lista de codinomes da Odebrecht. Ele seria “o amigo do amigo do meu pai”. “Em nenhum país do mundo pode-se responsabilizar um juiz pela interpretação que ele faz da lei”. E sobre o novo pedido de impeachment do também ministro do STF Gilmar Mendes, que deve estar rindo à toa, sem maiores especulações, Moraes foi econômico: “Pedidos anteriores foram corretamente arquivados”.

"O Exército não matou ninguém, não. O Exército é do povo e não pode acusar o povo de ser assassino, não. Houve um incidente, uma morte. Não existe essa de jogar para debaixo do tapete. Vai aparecer o responsável"
A frase é do presidente Jair Bolsonaro, que, pela primeira vez, tratou do assunto. Se nada mais ou nada menos foram 80 tiros – eu digo que nem precisa de “uma perícia já pedida para que se tenha certeza do que realmente aconteceu naquele momento...” Me poupe!

Ficam presos
Ele é general do Exército, ministro do Superior Tribunal Militar (STM) e negou habeas corpus aos nove militares que estão presos por causa dos 80 tiros disparados contra o carro em que estava Evaldo dos Santos Rosa. O general Lúcio Mario de Barros Góes seguiu o entendimento da juíza Mariana Campos, da Primeira Auditoria da Justiça Militar. Se o presidente Jair Bolsonaro insiste em que o Exército não matou ninguém, será que ele vai depor como testemunha de defesa?

PINGAFOGO

Sopa de letrinhas. Krishna Srinivasan. Como se soletra? Deixa para lá, é vice-diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI). O fato é que disse não ser possível prever como a interferência na Petrobras pode afetar a sua nota. Aliás, na Bolsa, afetou.

A ministra da Família, da Mulher e dos Direitos Humanos, Damares Silva, insiste em pedir regime de urgência na tramitação do projeto de lei da educação domiciliar. Já cansei, melhor é mandar Damares para o seu domicílio, devidamente demitida do governo.

Para registro: o presidente Jair Bolsonaro (PSL) concedeu entrevista coletiva à imprensa na inauguração do novo aeroporto internacional de Macapá, lá no Amapá. “Não sou economista, já falei. Quem entendia de economia afundou o Brasil, tá certo? Os entendidos afundaram o Brasil”.

Mais um: Bolsonaro virou tucano, subiu no muro? Quer dizer que “houve um incidente, uma morte” ele disse depois de já ter declarado esta bobagem: “O Exército não matou ninguém, não. O Exército é do povo e não pode acusar o povo de ser assassino, não”.

Já que a coleção de bobagens de ontem vindas do comandante-chefe do Palácio do Planalto e da ministra responsável pelos direitos humanos no país, só resta um jeito. Finalizar por hoje, sem maiores comentários.

 


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