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Estado de Minas

A análise do Centrão só virá depois dos cargos


postado em 05/04/2019 12:00 / atualizado em 05/04/2019 11:34

(foto: Arte/Soraia Piva)
(foto: Arte/Soraia Piva)
Uma frase valeu mais que a coleção de discursos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados na audiência pública com juristas que discutiam a constitucionalidade da reforma da Previdência. Ela veio de Cezar Britto, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ele alegou retrocesso social. O que interessa, no entanto, é a frase: “Desconstituição do sistema previdenciário é desconstitucional”.

Pelo andar da carruagem, mesmo com a romaria de ontem, o que pode descontinuar é a reforma da Previdência pretendida pelo governo. Se houvesse um compromisso firmado, martelo batido em defesa dela, ele certamente daria entrevista. Não foi o que aconteceu. O registro do presidente Jair Bolsonaro (PSL) até que não perdeu o seu peculiar estilo, o comentário sobre o encontro veio pelo Twitter.

“Pela manhã me reuni com vários presidentes e líderes de partidos. Tudo ocorreu em alto nível. Ao contrário do que propalado por alguns, nada se falou sobre cargos. Executivo e Legislativo unidos, por uma causa que representa o futuro de nossos filhos e netos: a nova Previdência”. Foi a postagem depois do encontro com os presidentes de partidos.

O Centrão, o grupo dos partidos formado pelo DEM, o PP, PR, PRB, PSD e Solidariedade, vai analisar, o que também prometeu fazer o PSDB e o MDB, que têm bancadas mais numerosas. A maioria deles manteve discursos bem parecidos. O primeiro a sair, por exemplo, o presidente nacional do PRB, Marcos Pereira, deixou clara a conta que deve ser paga: “O presidente fez um gesto. Não queremos cargos, queremos solução. Queremos ser recebidos por ministros e atendidos em nossas demandas”. É o PRB que tucanou logo de cara, não o PSDB.

Por falar nos tucanos, o presidente nacional do PSDB, Geraldo Alckmin, saiu avisando. “Não há nenhum tipo de troca, não participaremos do governo”, ressaltou, acrescentando “não existe velha política, e sim boa e má política”. A velha política vem da frase do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Alckmin pegou carona nela para tirar a sua casquinha sobre Bolsonaro.

Melhor levantar voo por hoje. Afinal, o presidente Bolsonaro provavelmente também terá de fazer a mesma coisa. Desta vez, sem o solidéu. Quem avisou foi o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, diplomata de carreira, que pôs o Itamaraty em cena para apagar o incêndio e marcar agendas com os países árabes, o que importa economicamente de fato para o Brasil.

Colorado, tchê!
Futebol e política não se discute, mas quem comanda a sessão do Senado faz questão de aproveitar para cumprimentar o Internacional, a direção, os jogadores e a torcida colorada por mais de 47 mil presentes no Estádio Beira-Rio. O Inter abriu 2 a 0, mas depois cedeu o empate ao River Plate. Só que o senador Lasier Martins (Pode/RS) 2º vice-presidente do Senado nem ligou. Afinal, ele mesmo ressaltou que a situação do Colorado segue bastante tranquila no Grupo A da Libertadores. O time é líder com sete pontos, enquanto o clube argentino é o terceiro com três.

Ainda o STF
“Há um marco que nos une, que é a defesa do Estado democrático de direito. O STF é o guardião de uma Constituição que tanto nos trouxe de avanço e não podemos aceitar que milícias virtuais, intransigência, violência e polarização busquem calar os juízes.” Começou assim o presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz, ainda sobre a questão das fake news contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). E acrescentou: “Sejam os ministros do STF, do STJ ou até mesmo o juiz de uma pequena comarca. Se eles não puderem ter a independência para exercer aquilo que é a sua missão, a nossa democracia estará em risco”.

Banco dos réus
Agora foi pelo crime de lavagem de dinheiro na reforma da casa de sua filha Maristela Temer, em São Paulo. É a quarta vez que ele vira réu. Já era no caso da mala dos R$ 500 mil, nos desvios envolvendo as obras da usina nuclear de Angra 3 e na contratação fictícia da empresa Alumi Publicidades. Já deu para saber que é o ex-presidente Michel Temer (MDB). Já que falamos em corrupção, tem ainda o deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) e seu pai, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Só que no caminho deles está é a delação da Odebrecht. E ainda é inquérito, não há decisão, e não será na Lava-Jato, é crime eleitoral. Mas serão julgados em Curitiba.

Haja agilidade
O depósito em conta bancária foi em 2005. “TCEMG condena beneficiário de cheques fraudados a devolver R$ 28 mil ao município de Sabará.” O título. “Marco Antônio e Silva foi condenado pela Primeira Câmara do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), na sessão do dia 2 de abril, a restituir aos cofres públicos de Sabará o valor de R$ 28 mil, recebido por meio de uma fraude que desviou recursos da Câmara Municipal da cidade”. E olha que isso aconteceu há 14 anos. Só que tem o grand finale: “Essa deliberação pode ser alterada por meio de recursos”.

“A galope”
No ataque: “A acusação de lavagem de dinheiro por meio da reforma da casa de uma das filhas de Michel Temer, além de não possuir base em provas idôneas, é infame”. Na defesa, pegou mais pesado ainda: “Essa acusação estapafúrdia revela, além do desrespeito de seus autores pelo direito, o propósito vil de usar a filha de Michel Temer para atingi-lo, o que merece o repúdio de quem, mesmo em relação a adversários políticos, preserva íntegro o senso de decência”. E reclama que o “MPF-SP formulou a denúncia a galope, logo depois que os mesmos fatos foram usados pelo MPF-RJ para requerer e obter a decretação da prisão de Temer”.

PINGAFOGO


Provando que esse Twitter é meu mesmo (o que é um pouco inusitado). Trata-se do senador Humberto Costa (PT-PE) que propôs ao Senado um projeto de lei para criminalizar a “citação e divulgação de notícia falsa”.

A argumentação do senador petista é que a “criação e divulgação de notícia falsa afeta indevidamente o processo eleitoral”. O texto prevê alterações no Código Penal, no Marco Civil da Internet e no Código Eleitoral.

O senador Eduardo Girão (Pode-CE) defendeu ontem a criação da CPI dos Tribunais Superiores para apurar denúncias de irregularidades no Poder Judiciário. O argumento é o receio de que “o povo perca a fé” nas instituições se a CPI não for criada.

O pedido de criação foi enviado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para análise da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Ele reclamou ainda do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, por causa das manifestações contra a corte.

Enfim, já que no meio do caminho ainda haverá uma coleção de encontros com líderes e algumas bancadas partidárias para tratar da base de sustentação do governo, nem precisa avisar. A conta vai sair dos impostos que pagamos.

 

 


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