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Estado de Minas IBGE

Falta de dados prejudica a criação de políticas para a população LGBTQIA+

Como é possível criar políticas públicas sem saber quantas pessoas pertencem à comunidade e quais são suas demandas?


22/07/2022 10:16 - atualizado 22/07/2022 11:18

Mãos de uma pessoa negra segurando uma fita com as cores do arco-íris
É preciso dados concretos sobre a população LGBTQIA+ para criação de políticas públicas efetivas (foto: Anete Lusina)

Pela primeira vez, uma pesquisa do IBGE tentou mapear a orientação sexual dos brasileiros. O levantamento inédito, divulgado em maio de 2022, apontou que 2,9 milhões de pessoas se auto-identificam como homossexuais ou bissexuais no país. A divulgação desse levantamento ocorreu após o IBGE ter sido acionado na Justiça pelo Ministério Público Federal (MPF). O órgão questionou o fato de o Censo Demográfico de 2022 não ter incluído perguntas sobre a população LGBTQIA+.

Que essa pesquisa é muito importante e histórica não resta dúvidas, mas é importante também ressaltar que o fato dela ser inédita diz muito de como o Brasil ainda lida com a população LGBTQIA e suas demandas. Já parou para pensar nas violações de direitos que nascem da ausência de dados sobre a comunidade LGBTQIA no país? 

Só para você ter ideia, em 2019, durante a produção de uma reportagem especial, fiz as seguintes perguntas para as pastas encarregadas da área de direitos humanos no município de Belo Horizonte, governo de Minas Gerais e governo federal: qual é a estimativa de quantas pessoas trans existem no país? Quais são as principais demandas dessa comunidade? Existem algumas políticas públicas, programas ou projetos voltados para as pessoas trans?

E, na época, a resposta das três esferas governamentais foi muito parecidas: “Ainda não sabemos quantas pessoas trans existem em nosso território e ainda não criamos políticas públicas voltadas exclusivamente para a comunidade trans”. 

Há alguns dias, fui contratado para realizar uma palestra sobre Diversidade e Inclusão e no final do evento uma pessoa perguntou: “Arthur, é necessário criar mais políticas públicas para atender a comunidade LGBTQIA ?”. 

Respondi que sim, mas como é possível criar políticas públicas eficazes se ainda existem pouquíssimos dados oficiais sobre essa população? Por exemplo, como é a relação entre as pessoas LGBTQIA e o acesso à saúde, segurança, à moradia, educação e trabalho? Quais são os principais entraves, desigualdades e expulsões sociais que impactam as vivências dessas pessoas?  Cadê os dados oficiais sobre essas questões? É como se nós não existíssemos oficialmente. Um verdadeiro apagamento oficial.

Nós existimos!

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