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'Remédios não tratram varizes', diz angiologista

Médica explica que medicamentos podem apenas diminuir os sintomas provocados pela doença, que requer avaliação de especialista para ser tratada


21/10/2020 04:00

Aplicações podem diminuir o desconforto provocado pelos vasos aparentes (foto: Jair Amaral/EM/D.A.Press)
Aplicações podem diminuir o desconforto provocado pelos vasos aparentes (foto: Jair Amaral/EM/D.A.Press)

Já contei aqui que quando meu primo e irmão Márcio de Castro Silva estava vivo, era meu conselheiro para assuntos médicos. Foi ele quem descobriu um médico italiano em Nápoles para tratar de meu braço, que havia ficado imenso depois da retirada de um câncer no seio. E era ele quem tratava de pequenas veias que eu tinha na perna.

Ia ao seu consultório, ele dava daquelas picadas com um remédio dentro, passava uma camada de gaze e pronto. Depois que ele se foi, fiquei com uma parte da perna, do lado esquerdo, cheia daquelas pequenas varizes externas. Até que um dia, com medo de aquilo se complicar, arrumei no Mater Dei um especialista no assunto, que também é craque, Paulo Bastianetto. Fui ao seu consultório, ele me aplicou mais de 30 picadas na perna e não é que as pequenas varizes sumiram todas?

Pior do que essas pequenas veias vermelhas são as outras varizes, aquelas internas ou externas, que são um problema e incomodam muito, não apenas pela questão estética, mas também pelos riscos à saúde e o desconforto sentido pelos pacientes.

“Varizes são veias que perderam sua função circulatória. Como seu sistema valvular não funciona, elas deixam o sangue refluir, aumentando a pressão e causando alteração em sua parede. Dessa forma, a veia vai ficando dilatada, tortuosa e começa a aparecer na pele. Dependendo do grau, elas podem até causar úlceras varicosas”, explica a cirurgiã vascular Aline Lamaita, angiologista e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Mas será que é possível tratar varizes usando remédios ou aplicando cremes nas pernas?

De acordo com a médica, não. “Os remédios não tratam ou dissolvem as varizes. O que eles podem se propor a fazer é melhorar o inchaço, a dor e o cansaço. Além disso, alguns deles estabilizam a parede da veia, prevenindo quadros de flebite”, alerta a cirurgiã vascular. “Já os cremes para varizes podem ter diversas funções, como hidratante ou cicatrizante, porém todos têm algo em comum: eles refrescam a perna, proporcionando sensação de alívio e descanso, mas também não tratam as varizes.”

Ou seja, ambos os produtos são ótimos para promover a melhora dos sintomas das varizes, mas sem tratar definitivamente, assim como as meias de compressão, que melhoram os sintomas, o retorno venoso, a retenção hídrica e o inchaço.

Para realmente tratar o problema, o ideal é que sejam realizados procedimentos indicados pelo médico especializado. “Cada caso requer um tipo de tratamento, que pode ser por meio da escleroterapia (substância química injetada dentro da veia), espuma, uso de lasers e radiofrequências ou procedimentos que combinem as técnicas, como o Clacs, que une laser não invasivo e injeções de glicose. Cirurgias também podem ser indicadas, dependendo do caso”, diz Aline Lamaita.

Segundo a especialista, a principal causa de varizes é a genética. Além disso, fatores como a idade, sexo e hábitos de vida ruins também podem levar à formação dos vasinhos. “A parte mais importante da prevenção de varizes cabe ao paciente. Manter uma alimentação adequada, o peso sob controle, realizar exercícios físicos e ter bons hábitos de vida são fundamentais para evitar o problema. Desse modo, a doença atacará menos, o médico terá menos trabalho e o paciente terá menos intervenções ao longo da vida”, afirma.

Porém, para quem tem predisposição genética a varizes, os cuidados vão apenas controlar a velocidade da doença e a gravidade do quadro, mas os vasinhos acabarão aparecendo. “Consulte sempre seu cirurgião vascular para saber qual a melhor forma de tratar”, diz a médica.

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