Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas

Uso de dispositivos eletrônicos exige cuidados na pandemia

Estresse visual atinge 30% das crianças, 75% dos jovens e adultos com até 40 anos de idade e 90% dos que já passaram dos 40


postado em 20/05/2020 04:00

Uso de dispositivos eletrônicos, como celular, exige cuidado, pois excesso pode desenvolver estresse visual ou CVS, síndrome decorrente de muitas horas com os olhos fixos nas telas digitais(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Uso de dispositivos eletrônicos, como celular, exige cuidado, pois excesso pode desenvolver estresse visual ou CVS, síndrome decorrente de muitas horas com os olhos fixos nas telas digitais (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)

Como diz bem a Bíblia: “A cada dia uma nova provação”. Estamos, portanto, vivendo em tempos mais do que bíblicos. A última provação que foi divulgada na semana que passou é que os micróbios do coronavírus podem entrar também pelos olhos. Fico então pensando como é que será essa nova máscara protetora – ou se os óculos seriam suficientes, porque, na linha de frente, eles já estão por causa do trabalho home office, reuniões, treinamentos, aulas e eventos on-line impostos pelo isolamento na pandemia, que estão aumentando o desconforto visual, deixando a visão embaçada em todas as faixas etárias.

Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, de São Paulo, a boa notícia é que não se trata de aumento do grau dos óculos ou lente de contato como muitos acreditam ao buscar por consulta. Na maioria dos casos é estresse visual ou CVS (computer vision syndrome), uma síndrome decorrente de muitas horas com os olhos fixos nas telas digitais. Três levantamentos feitos pelo médico no hospital mostram que o estresse visual nos dispositivos eletrônicos atinge 30% das crianças, 75% dos jovens e adultos com até 40 anos de idade e 90% dos que já passaram dos 40. Os principais sintomas são sensação de areia nos olhos, visão embaçada e dor de cabeça.

Queiroz Neto afirma que, independentemente da idade, o primeiro sintoma é sensação de areia nos olhos e visão embaçada, que faz quem usa óculos para corrigir miopia, hipermetropia ou astigmatismo acreditar que o vício refrativo aumentou. “A visão embaça porque na frente dos dispositivos movimentamos pouco o globo ocular e piscamos quatro vezes menos – entre 5 a 6 vezes/minuto, contra 20/minuto normalmente. Isso resseca a lágrima e causa sensação de areia nos olhos”, explica. Outro fator importante são os 16,7 milhões de cores geradas pelas telas dos equipamentos. A grande variação de luminosidade sobrecarrega o esfíncter iriano, musculatura que regula a entrada de luz até a retina, onde são formadas as imagens.

Entre crianças até 8 anos de idade, quando os olhos completam seu desenvolvimento, o excesso de esforço visual para perto, devido ao uso de dispositivos eletrônicos por mais de 2 horas consecutivas, somado a esta variação na luminosidade dos equipamentos e à falta de exposição ao sol, que controla a progressão da miopia por ativar a produção de dopamina, são fatores que aumentam o risco de alta miopia, uma importante causa de perda da visão provocada por descolamento da retina, glaucoma e edema retiniano.

O oftalmologista complementa que a iluminação adequada também influi no estresse visual e na produtividade, independentemente do dispositivo utilizado e da idade. Isso porque enxergamos através da luz que penetra em nossos olhos. Entretanto, as alterações anatômicas do globo ocular a partir dos 40 anos tornam a iluminação ainda mais importante, salienta. Queiroz Neto explica que nessa faixa etária nosso cristalino perde o poder de acomodação, que é a capacidade de focar a toda distância, reduzindo a visão de perto. É a presbiopia que faz com que 100% das pessoas necessitem usar óculos de leitura em algum momento depois dos 40 anos.

A perda da flexibilidade do cristalino e dos músculos ciliares que sustentam esta lente interna do olho exige maior adaptação às mudanças de luminosidade. Por isso, a prevalência da síndrome da visão no computador atinge 90% da população nessa faixa etária. Queiroz Neto destaca que, a partir dos 50 anos, o cristalino começa a amarelar. É o processo da catarata, que nos faz precisar de três vezes mais iluminação aos 60 anos do que uma pessoa de 20 anos para enxergarcom a mesma nitidez.

O especialista ressalta que todo o nosso metabolismo é controlado por hormônios, que são produzidos conforme nossa exposição aos comprimentos de luz emitidos durante o dia e à noite, conhecido como ciclo circadiano. A tela do celular, do tablet ou do computador emite luz azul que é predominante durante o dia. Por isso, quando usamos esses dispositivos à noite enganamos nosso organismo, que pensa ser dia. Resultado: temos insônia devido à produção de hormônios que nos mantêm em estado de alerta e deixamos de produzir melatonina, hormônio indutor do sono. O médico explica que essas alterações hormonais levam ao envelhecimento precoce, que também antecipa a formação da catarata e expõe a retina a lesões que podem levar à perda permanente da visão. Por isso, as principais dicas do médico são: evitar o uso de qualquer equipamento durante a noite, usar filtro de luz azul nos equipamentos e óculos com lentes que filtrem a luz azul para reduzir o risco de catarata e degeneração macular.

Compartilhe no Facebook
*Apenas para assinantes do Estado de Minas

Publicidade