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Ainda sou do tempo de admiração completa e absoluta por Guignard

Foi por causa dessa amizade que sugeri a Cyro Siqueira, então presidente do BDMG Cultural, que comemorasse os 50 anos de criação de sua Escola do Parque, celeiro de alguns bons nomes que ficaram na arte mineira


postado em 07/04/2020 04:00

O pintor e professor Alberto da Veiga Guignard, em foto de 1956, ministrando aulas de pintura no Parque Municipal: celeiro de nomes na arte mineira(foto: Eugênio Silva/O Cruzeiro/Arquivo EM )
O pintor e professor Alberto da Veiga Guignard, em foto de 1956, ministrando aulas de pintura no Parque Municipal: celeiro de nomes na arte mineira (foto: Eugênio Silva/O Cruzeiro/Arquivo EM )
Confesso meu fracasso estético: em matéria de arte, sou absolutamente figurativa. Não admiro muito os abstratos, apesar de ter comprado um imenso, que pontifica na minha sala de estar. Gostei das cores, da visão do infinito, da perspectiva de Murilo Diniz. A graça é que comprei o quadro no bar Chez Bastião, que frequentávamos todo fim de semana. Paguei e levei no mesmo dia, com medo de que outro cliente gostasse dele.

Ainda sou do tempo de admiração completa e absoluta por Guignard, que era meu amigo e que evitei explorar como ele o foi, com sua simplicidade, por tantos o que acolheram. Eu gostava tanto dele, e ele de mim, e foi em minha companhia que ele ficou conhecendo o Retiro dos Pedras, para onde o levei para passar uma manhã de domingo. Gostou tanto, e ficou tão agradecido, que, na volta, quando o deixei na Praça da Liberdade, queria que eu ficasse para ele pintar meu retrato. Não quis e perdi essa raridade.

Foi por causa dessa admiração e amizade que sugeri a Cyro Siqueira, na época presidente do BDMG Cultural, que comemorasse os 50 anos de criação de sua Escola do Parque, celeiro de alguns bons nomes que ficaram na arte mineira. Sem meios para manter uma escola formal, ele se reunia com os alunos a céu aberto, sem custos. Para participar dessa homenagem, que também marcaria o aniversário da capital, os artistas convidados deviam contribuir com uma obra sobre Belo Horizonte, para posteriormente ser doada para o Museu de Arte da Pampulha. A curadoria foi entregue a Sara Ávila, ex-aluna de Guignard e també m uma artista representativa no setor. Curiosidade: as obras foram entregues, mas delas nunca mais se ouviu falar.

Em sua apresentação, Sara relata que “identificaram-se seus alunos, das diferentes gerações, não só os que permanecerem ao longo destes anos, no circuito das artes, como aqueles que, por razões particulares, mantiveram-se afastados, mas produzindo, mesmo eventualmente”. A exposição fez tanto sucesso na cidade, porque em 1996 a arte por aqui já não estava essas coisas, que foi levada para São Paulo. A coletiva, que contou com ampla cobertura da imprensa paulista, principalmente por causa de sua novidade, aconteceu na Casa de Minas, que funcionava na capital paulista e que não sei se atualmente continua existindo.

Entre os participantes, Álvaro Apocalypse, Amílcar de Cas tro, Chanina, Haroldo Matos, Heitor Coutinho, Ione Fonseca, Jarbas Juarez, Leda Gontijo, Lizete Meinberg, Maria Helena Andrés, Santa, Sara Ávila, Wilma Martins, Wilde Lacerda e muitos outros. A exposição e a valorização dos artistas mineiros não foi em vão. Muitos chegaram ao mercado paulista através dessa mostra e não são poucos os que ganharam representatividade e mercado até hoje.

Tenho conhecida que mantém, a duras penas, uma galeria de arte na cidade. Como tem meios, vai levando o sonho como pode, com poucas novidades boas para apresentar e atrair compradores e sem muita perspectiva para o futuro. Tem tentado o que pode, lançar um artista novo no meio é um sonho e um pesadelo que poucos conseguem enfrentar e levar adiante. Outra dificuldade são os leilões, que não estão faturando de acordo com seus sonhos. E como a divulgação está a cada dia mais difícil, só os nomes mais antigos realmente atraem os colecionadores.

Quanto a Guignard, que morreu pobre, uma de suas maiores colecionadoras é sem dúvida a empresária Angela Gutierrez, cujo conjunto de peças oferece a quem tem acesso às telas uma visão coletiva do trabalho do artista. Outro ponto a seu favor é que na época em que foi secretária de Cultura conseguiu reabrir o Museu Guignard, que existia em Ouro Preto, promovendo várias mostras de artistas no local. Atualmente, não sei se o museu está aberto ou foi fechado por causa da penúria das artes em Minas.

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