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Estudo recente transforma óleo de côco de mocinho em vilão

Ingrediente que foi incorporado pela onda fitness pode elevar o colesterol ruim, de acordo com pesquisa


postado em 23/03/2020 04:00

Estamos mesmo à mercê dos modismos da saúde. Não vou nem falar aqui sobre a pandemia do COVID-19, ou coronavírus, como preferir. Estou falando do diz-que-me-diz de produtos que, em um dia, são queridinhos da saúde e, no outro, vilões e vice-versa. Entre eles estão o ovo e o café.

Antes, não podia comer ovo por causa do aumento do colesterol ruim. Hoje, o ovo é um superalimento por ser rico em macro e micronutrientes. O mesmo ocorreu com o café, que antes era abominado e hoje já se descobriram inúmeros benefícios da bebida, que está em alta.

A bola da vez é o óleo de coco. Há algum tempo ele se tornou referência de óleo saudável para cozinhar e consumir. Todas as pessoas fitness passaram a usá-lo, porém, uma pesquisa realizada recentemente mostra que o produto não é tão bom quanto se imagina. O ingrediente, que tem se tornado cada vez mais comum nas casas dos brasileiros por ser um produto natural e saudável, capaz de fortalecer o sistema imunológico e auxiliar no processo de perda de peso, foi objeto de análise de um estudo publicado em janeiro na revista médica Circulation, que colocou em dúvida alguns dos seus efeitos benéficos.

De acordo com o estudo, o óleo de coco está associado ao aumento da lipoproteína de baixa densidade (LDL), conhecida popularmente como colesterol ruim, e dos níveis de colesterol total no sangue, favorecendo o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e aterosclerose.

Segundo a médica nutróloga e professora Marcella Garcez, para chegar a essa conclusão, os pesquisadores realizaram uma revisão sistemática de 16 estudos publicados em revistas médicas de renome que comparavam os efeitos do consumo de óleo de coco com outras gorduras por períodos maiores do que duas semanas.

Com isso, os pesquisadores foram capazes de notar que, em comparação ao óleo de oliva, soja e canola, o consumo elevado de óleo de coco aumentou substancialmente o colesterol ruim. O culpado pelo aumento do colesterol pode ser o tipo de gordura presente no óleo de coco, que é composto de aproximadamente 90% de gordura saturada, valor superior ao de alimentos como manteiga e banha, que são conhecidas por possuir uma grande quantidade de sódio, gorduras trans e saturadas, contribuindo assim para o aumento do colesterol ruim (LDL).

Segundo a médica, grande parte dos defensores do uso de óleo de coco se baseia no fato de o ingrediente ter ácidos graxos de cadeia média, que são quebrados e absorvidos pelo organismo mais rapidamente, sendo então uma ótima fonte energética e menos propensos a serem estocados como gordura.

Porém, o estudo mostra que um dos ácidos graxos de cadeia média presente no óleo de coco, o ácido láurico, é metabolizado de forma diferente dos ácidos graxos da mesma classe, sendo, na verdade, absorvido e transportado de forma semelhante aos ácidos graxos de cadeia longa, que, ao contrário dos ácidos graxos de cadeia média, são usados pelo organismo para produzir colesterol, favorecendo o aumento de LDL no sangue e o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e aterosclerose.

De acordo com a angiologista Aline Lamaita, a aterosclerose ocorre quando se formam placas de gordura nas artérias que causam o endurecimento e entupimentos dos vasos sanguíneos por causa dos altos níveis de colesterol ruim.

Resumindo: até que novas pesquisas sejam feitas para comprovar este estudo, o ideal é reduzir o consumo do óleo de coco e utilizá-lo com moderação, apenas para dar sabor ou textura aos alimentos. Em seu lugar, vale a pena apostar em óleos vegetais insaturados, como os de girassol, soja e milho, é o que aconselha Marcella Garcez. 

 



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