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Há muito tempo não derramo uma lágrima, o que é um castigo

No Brasil, a estimativa é de que 12% têm a síndrome do olho seco na proporção de três mulheres para cada homem


postado em 16/09/2019 04:00 / atualizado em 15/09/2019 20:01


 
Meu oculista, que frequento há exatos 30 anos, e a quem fui recomendada por meu amigo, o nefrologista Euler Lasmar, que me informou que o profissional era um craque para cuidar de olhos diabéticos, sofre comigo. Isso porque tenho um problema difícil de resolver, que são olhos sempre secos. Tão secos que há muito tempo meu canal lacrimal parou de funcionar e não solta uma lágrima. O que é um castigo, porque chorar de soluçar, com rios de lágrimas, alivia qualquer penação.
 
Meu problema vem não só do clima, mas de trabalhar com computador, em ambiente com ar-condicionado. Mas quem fala sobre o assunto, para os leitores, é outro profissional da área, o paulista Queiroz Neto. E, para ele, o olho é o órgão mais afetado pelo tempo seco. Isso porque resseca a lágrima, que tem a função de lubrificar e proteger os olhos, e aumenta a concentração de poluentes e micro-organismos no ar, que agridem o globo ocular.
 
No Brasil, a estimativa é de que 12% têm a síndrome do olho seco, na proporção de três mulheres para cada homem. Os sintomas são vermelhidão, ardência, visão embaçada, coceira e maior sensibilidade à luz. O oftalmologista adverte que não se trata de um mal menor. Se não for tratado corretamente, pode causar cicatrizes ou inflamação na córnea, inviabilizar o uso de lente de contato, agravar o ceratocone, predispor à blefarite, uma inflamação nas pálpebras, à conjuntivite viral e à alérgica.
 
O especialista ressalta que o envelhecimento aumenta o risco da síndrome do olho seco, principalmente entre mulheres, porque, após a menopausa, a queda do estrogênio resseca todas as mucosas, inclusive as oculares. Mas a diminuição da lágrima não se restringe aos mais velhos. Um estudo feito pelo oftalmologista mostra que 30% das crianças que ficam mais de duas horas conectadas têm os sintomas da síndrome.
 
O pior é que uma pesquisa que acaba de ser realizada em Londres mostra que o uso das redes sociais cresceu cerca de 60% nos últimos sete anos entre os 25 países analisados. O Brasil está em segundo lugar no ranking, com uma média de 225 minutos/dia, ou seja, quase 4 horas/dia de uso das redes sociais. O médico destaca que a predisposição ao olho seco também pode ser agravada pelo uso de lentes de contato, ceratocone, ambientes com ar-condicionado, doenças autoimunes, como síndrome de Sjögren, síndrome de Stevens Johnson, lúpus e alergias.
 
Queiroz Neto ressalta que a mais nova terapia para tratar olho seco é uma tecnologia de luz pulsada que estimula a glândula de meibômio a produzir a camada lipídica da lágrima. Relatório da Association for Research in Vision and Ophthalmology (Arvo) revela que a maior causa do olho seco no mundo é justamente uma disfunção nessa glândula, que diminui a produção da camada gordurosa do filme lacrimal.
 
“Isso porque é essa camada da lágrima que regula sua evaporação”, explica. O médico destaca que o tratamento inclui pelo menos três sessões, sendo uma por mês. Ele conta que, recentemente, o oftalmologista Thiago Queiroz, do Instituto Penido Burnier, criou um modelo de óculos/compressa para potencializar o tratamento de blefarite e olho seco.
 
Após a luz pulsada, os óculos/compressa devem ser aquecidos por 5 segundos no micro-ondas e aplicados nos olhos por duas vezes. O oftalmologista afirma que as principais dicas para prevenir o olho seco são: umidificar os ambientes com toalhas ou vasilhas com água; evitar a exposição dos olhos ao sol sem lentes que filtrem 100% da radiação UV; não fazer exercícios físicos em espaços abertos das 10h às 16h; evitar as aglomerações; só usar colírio com prescrição médica; manter o corpo hidratado; incluir na dieta fontes de ômega 3, como semente de linhaça, sardinha, salmão ou bacalhau.


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