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Estado de Minas

Lembranças de além-mar


postado em 19/07/2019 04:00


Nos meus tempos de globe troter, a maioria das minhas viagens começava em Portugal, país que amo e com o qual me identifico totalmente. E entre as idas e vindas, um dos locais prediletos era sempre Évora, uma cidade encantada, cujo passado pode ser visitado praticamente a pé. Ficava sempre em um hotel diferente, Convento dos Loios, em plena praça fronteira ao Templo de Diana, ruínas da passagem dos romanos pela região. Ao lado do hotel, que tem um clima totalmente diferenciado, quartos imensos, janelas dando para o mundo, a Capela dos Ossos. O local não é atraente para pessoas sensíveis, porque é formado por ossos dos monges que ficavam ao lado, na linda Igreja São Francisco. Nas paredes, uma montagem de ossos do corpo, caveiras, tudo que ninguém gosta de ver. E, apesar do tempo, ainda carrega um pouco do aroma característico.

Évora tem mil e uma preciosidades históricas, como sua Sé Catedral, que é o mais antigo templo medieval do país (foi construído em 1330), a linda Igreja dos Loios, com as paredes recobertas com cenas bíblicas em azulejo português, e, para quem gosta de andar, vale dar um passeio pelas muralhas medievais que cercam a cidade. Para quem gosta de jogar conversa fora em mesa de bar, uma agradável praça no Largo da Sé tem bom vinho e deliciosos tira-gostos à moda local. Outro lance importante da cidade é que fica praticamente na metade do caminho para Santiago de Compostela.

Vale a pena visitar a cidade, que não é tão badalada pelos brasileiros como o Porto. Mas é lá que fica o melhor Historic Hotel & Spa da Península Ibérica, escolhido pelos leitores da revista americana Travel + Leisure. Trata-se do Convento do Espinheiro, que conheci na última visita que fiz a Évora e que é realmente um lugar inesquecível. Fica fora da cidade, cercado por imensas plantações de laranjas. Não é o primeiro prêmio que o hotel fatura. Em 2017, foi considerado um dos 20 melhores hotéis de Portugal e ganhou a chave de ouro do Guia boa cama boa mesa do jornal britânico The Times e na mesma ocasião a medalha de ouro como melhor resort de Portugal e Espanha.

O hotel é realmente incrível e, como nasceu de um mosteiro, seus quartos luxuosos e requintados estão dispostos em corredores longuíssimos, é preciso andar muito para chegar ao quarto. O meu, imenso e dando para um jardim interno, tinha uma curiosidade: ficava no centro do espaço e, logo depois da cama, estava colocada uma imensa banheira jacúzi (que detesto) separada da área mais formal, com chuveiro e outros apetrechos. Outro lance importante é que o hotel foi montado em um mosteiro do século 15, e é considerado monumento nacional. Mas tem o lado moderníssimo, acrescentado junto ao mosteiro, com piscina aquecida, espaço destinado a crianças, spa, quadra de tênis e ginásio, com piscina para ginástica etc. E uma igreja linda, é claro.

Para quem não quer ir aos restaurantes de Évora, o hotel oferece duas opções: o Divinus, com comida típica da região, e o Olive, italiano. Quando estive lá, o chef era excelente, a comida ótima, bem combinada com os vinhos típicos da região – o hotel tem produção de vinhos e azeites, típicos do Alentejo, que é região de excelentes vinhos. Trouxe de lá aqueles relicários de parede que são tipicamente portugueses e um livro sobre o hotel e região. Que, aliás, por ser o último disponível, me foi presenteado gentilmente pela direção do hotel.

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