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Estado de Minas ALEXANDRE GARCIA

Dois desafios que o presidente Lula não percebeu até agora

O presidente já fez declarações de pacificação, mas também já lançou palavras de guerra


18/01/2023 04:00 - atualizado 18/01/2023 07:34

ministro Maíson da Nóbrega
O ministro Maíson da Nóbrega alertou para o erro de Lula, que frustrou expectativas de economistas do mercado financeiro (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)


Lula parece não ter se dado conta do desafio que tem pela frente. A avaliação foi feita pelo ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, em entrevista ao Correio Brasiliense, nessa segunda-feira. Maílson disse que Lula frustrou as expectativas de economistas e do mercado, que esperavam que o novo mandato fosse uma repetição do primeiro, mas está semelhante ao período de Dilma, “com intervencionismo muito forte, percepção equivocada do papel das estatais, como se o Brasil voltasse aos anos 70, 80 ou ao período de derrama do Tesouro e do BNDES, do período Dilma”. Um alerta baseado na primeira quinzena de governo, em que o calor do discurso de posse inflamou os discursos dos ministros.

O pacote de Haddad foi frustrante; foi uma tentativa de marketing que não mostrou saídas para o excesso de gastos. Ao mesmo tempo em que estoura o escândalo das Americanas, com pedaladas de R$ 20 bilhões, e o Grupo Guararapes anuncia o fechamento de sua fábrica no Ceará, com perda de 2 mil empregos. A insegurança jurídica, agora alardeada pelo jornalista americano Glenn Greenwald, não anima produtores, empregadores e investidores nacionais e estrangeiros, tampouco o novo tamanho do poder executivo federal.

Maílson deve ter olhado o aspecto econômico do desafio, mas o presidente parece não estar também percebendo o tamanho do desafio político, exposto pelo retrato do país em 30 de outubro: Lula tem metade do eleitorado – isso sem a gente saber as preferências de 37 milhões, que não votaram. Os acontecimentos de 8 de janeiro, com depredações nas sedes dos três Poderes, não podem ser considerados apenas atos criminosos; foram também atos políticos. Os responsáveis pelos crimes devem responder na Justiça, mas os atos políticos devem ser respondidos com atos políticos que não inflamem ainda mais as cabeças que comandam braços, mãos e pernas.

E o presidente, ao que parece, está lidando com pombas e falcões nas suas próprias avaliações e no seu entorno. Já fez declarações de pacificação, mas também já lançou palavras de guerra. No café com jornalistas, fez provocações desnecessárias aos militares; agora, pretende conversar com eles, talvez num almoço, ainda nesta semana; já houve até uma preliminar, com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, almoçando ontem com os comandantes militares, tendo o ministro da Defesa, José Múcio, como anfitrião.

É preciso reconhecer que as invasões se constituíram um pretexto conveniente para mostrar força, mas estão esquecendo da proporcionalidade dessa força, no país dividido ao meio. Isso serve para as duas forças que se opõem. E quem está no poder tem mais responsabilidade com a paz, porque detém os meios do estado. Os dois grandes desafios, econômico e político, interagem; um que alimenta o outro.

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