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Estado de Minas COLUNA

Uma torcida para Lázaro, mas minoritária

A maioria fica indignada com o coro que subestima a inteligência das pessoas em vários campos no Brasil


30/06/2021 04:00 - atualizado 30/06/2021 07:03

Movimentação após anúncio da captura de Lázaro Barbosa: morto, matador de aluguel, jagunço ou psicopata homicida tornou-se mais uma vítima da opressão(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Movimentação após anúncio da captura de Lázaro Barbosa: morto, matador de aluguel, jagunço ou psicopata homicida tornou-se mais uma vítima da opressão (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

Testemunhamos tempos muito estranhos. Semana passada, quando o número de mortos por COVID-19 chegou a 500 mil, para alguns foi como chegar a uma meta almejada, como em algum torneio mundial.

O vírus parece ter uma grande torcida. Na mesma semana, aparece no palco uma figura que se escafedera de Brasília para continuar suas aventuras financeiras na Flórida e voltou eleito deputado federal pelo DF com mais de 65 mil votos. No entanto, encontrou uma torcida que lhe deu crédito, como se todos fossem ingênuos.

Sua performance forneceu combustível à CPI, que minguava em audiência. Até quem tem o ceticismo como dever profissional cedeu à fraqueza da ingenuidade.

Valores são postos de lado. Na CPI, é como se recusássemos a memória, ter Renan Calheiros como relator e como presidente Omar Aziz, que nunca gaguejou tanto como ontem, diante do deputado amazonense. Aliás, passou-se a adotar raciocínios que obliteram a razão e lógicas que amordaçam a lógica.

Gente manifestamente alheia a um tema tem sido apresentada como especialista, a inventar regras. A ciência que usam é fechada como um dogma; uma ciência que recusa a experiência, os fatos, a dúvida. O contraditório é exorcizado com o rótulo de negacionismo.

Agora, veio o caso Lázaro a continuar a lógica da inversão de valores. Significativamente, durante quase três semanas ocupou o pódio no lugar dos neo-heróis da CPI. Matador de aluguel, jagunço ou psicopata homicida, já vinha aparecendo como o herói que humilha a polícia. Morto, tornou-se mais uma vítima da opressão da sociedade. Para a CPI, mais um alívio para poder resgatar a audiência perdida.

O italiano Cesare Battisti, asilado no Brasil, atirou num menino de 13 anos e o deixou paraplégico, e assassinou quatro. Lázaro matou o dobro. Battisti tinha torcida por aqui. Seria a mesma de Lázaro? Ainda bem que a maioria fica indignada com essa torcida que subestima a inteligência das pessoas. Uma torcida contra os valores e raízes de quem vive com ética, lei e ordem. Valores que ficam ao lado das vítimas e não dos bandidos.

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