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Estado de Minas COLUNA

Vacina e faz-de-conta: brincam com a saúde e a esperança do povo

A lei da pandemia prevê autorização emergencial, que não é a vacinação em massa. Assim, não se pode atropelar, por ânsia política, o rito científico


16/12/2020 04:00 - atualizado 16/12/2020 07:05

Vários imunizantes estão sendo testados no Brasil, mas nenhum ainda foi aprovado pela Anvisa(foto: Carol Morena/CCS Medicina/UFMG - 4/11/20)
Vários imunizantes estão sendo testados no Brasil, mas nenhum ainda foi aprovado pela Anvisa (foto: Carol Morena/CCS Medicina/UFMG - 4/11/20)
Passados 116 da Revolta da Vacina, que teve 30 mortes, 110 feridos e 12.400 prisões no Rio de Janeiro e o governo recuou da obrigatoriedade da imunização contra a varíola, assistimos agora a escaramuças de novo em torno de uma vacina.

De um lado o governo federal e de outro o governo de São Paulo. O secretário-executivo do Ministério da Saúde, como porta-voz do governo, disse que quando houver vacina licenciada, a estrutura habitual do governo, que aplica 300 milhões de doses anuais de 19 vacinas, será acionada via SUS, em seus 38 mil postos.

E acusou Dória de vender sonhos e se aproveitar da esperança do povo. Em meio à pandemia, a população se divide entre os que esperam salvação na vacina e os que preferem esperar, diante vacinas tão pouco testadas em tão pouco tempo.

E ainda temos as de engenharia genética, que nunca tomamos. A produtora alega no contrato que não se responsabiliza por efeitos colaterais.

Sempre citada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que é autônoma, não está submetida a governos e muito menos à política, como salientou seu diretor-geral.

Os funcionários da Anvisa fizeram uma nota reiterando isso. A agência tem por obrigação a defesa da saúde da população, assumindo a responsabilidade pela segurança de vacinas.

Se liberar uma vacina que cause danos à saúde das pessoas, será responsabilizada. Se permitir que o governador Dória aplique a vacina chinesa sem que ela esteja licenciada na China e aqui, também será responsabilizada.

E se as pessoas a serem vacinadas assinarem um termo de responsabilidade, como fazem antes de cirurgias?

A lei da pandemia prevê autorização emergencial, que não é a vacinação em massa. Assim, não se pode atropelar, por ânsia política, o rito científico que visa à segurança da vacina.

O próprio governador de São Paulo, que havia prometido entregar dados da fase 3 da vacina chinesa, adiou o prazo, embora já tenha anunciado início da vacinação para 25 de janeiro, o que é uma precipitação ou desejo de apressar a Anvisa.

Enquanto isso, há resultados marcantes nos tratamentos preventivo e precoce. Nenhum laboratório até agora entrou na agência pedindo registro para uso emergencial e experimental.

No entanto, o relator de ações no Supremo, Ministro Lewandowski, deu 48 horas para o governo marcar data de início e fim da vacinação.

Parece que vivemos no país do faz-de-conta. Faz de conta que temos a vacina, faz de conta que ela é segura, faz de conta que está aprovada, faz de conta que até sabemos quando a vacinação vai começar e terminar.

Brinca-se com a saúde e a esperança do povo, como se fôssemos cordeirinhos descerebrados.


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