LEGISLATIVO

Rua de BH pode receber nome de preso pelos ataques do 8 de janeiro 

Projeto homenageia empresário baiano, que morreu por um mal súbito enquanto estava preso pelos ataques em Brasília; texto segue para sanção do prefeito

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Uma rua do Bairro Betânia, na Região Oeste de Belo Horizonte, pode passar a levar o nome de um dos presos pelos atos de depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília. A homenagem a Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão, empresário baiano que morreu enquanto estava detido no Complexo Penitenciário da Papuda, foi aprovada pela Câmara Municipal de Belo Horizonte nessa quarta-feira (3/6) e agora segue para sanção ou veto do prefeito Álvaro Damião (União Brasil). 

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De autoria do vereador Irlan Melo (PL), o projeto de lei nº 554/2025 foi aprovado por 24 votos favoráveis e 12 contrários. Embora projetos de denominação de vias públicas normalmente tenham tramitação conclusiva na Comissão de Legislação e Justiça (CLJ), sem necessidade de votação em plenário, o texto acabou sendo levado ao conjunto dos vereadores após recurso apresentado por parlamentares da oposição.

Os vereadores Pedro Patrus (PT), Iza Lourença (Psol), Juhlia Santos (Psol), Luiza Dulci (PT) e Pedro Rousseff (PT) contestaram o parecer favorável emitido pela comissão, em março deste ano, e solicitaram que o mérito da proposta fosse analisado pelo plenário da Casa.

A discussão expôs posições antagônicas sobre a memória dos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília, em reação contra o resultado das eleições presidenciais de 2022. O episódio resultou em mais de 2 mil detenções e a posterior condenação do ex-presidente por tentativa de golpe de Estado.

Ao defender a homenagem, Irlan Melo defendeu que Cleriston estava na capital federal participando de manifestações que considerava “legítimas” e que teria entrado no Congresso Nacional para se proteger dos efeitos do gás lacrimogêneo. Na tribuna, o parlamentar classificou Clezão como um "preso político" e atribuiu sua morte à atuação do Estado. O empresário morreu em novembro de 2023 no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, após sofrer um mal súbito.

A proposta recebeu apoio de outros vereadores da bancada do PL. Uner Augusto afirmou que Cleriston representa pessoas que, em sua avaliação, foram injustiçadas em decorrência das investigações e punições relacionadas ao 8 de janeiro. Já o vereador Sargento Jalyson associou o caso ao que chamou de "excessos do Poder Judiciário”.

Do outro lado, parlamentares contrários ao projeto questionaram a pertinência da homenagem. Pedro Patrus argumentou que não há vínculo entre Cleriston e Belo Horizonte que justificasse o reconhecimento público por meio da denominação de uma rua da capital. “O vereador quer homenagear uma pessoa que tentou dar um golpe de Estado no nosso país. Qual a relevância dele para Belo Horizonte?”, questionou.

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Luiza Dulci também criticou a iniciativa e reforçou que a única informação que se tem sobre o empresário é de que seria uma pessoa que saiu da Bahia, “fechou sua lojinha e foi para Brasília para quebrar o STF, o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional”, disse. 

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