Cirurgias dermatológicas ganham destaque no tratamento do câncer de pele
Dermatologista explica como funciona o procedimento que permite tratar a hidradenite supurativa e retirar tumores em áreas delicadas, como nariz e pálpebras
compartilhe
SIGA
O câncer de pele não melanoma segue como o tipo de câncer mais frequente no Brasil e corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Apesar dos altos índices de cura quando diagnosticado precocemente, a doença exige atenção contínua, sobretudo em áreas expostas ao sol, como face, orelhas, couro cabeludo, ombros e braços. Além dos tumores cutâneos, doenças inflamatórias crônicas, como a hidradenite supurativa, também têm demandado abordagens cirúrgicas cada vez mais especializadas.
- Hidradenite supurativa: a doença que pode ser confundida com acne
- Cabelo atrasou diagnóstico de câncer de pele que matou jovem de 18 anos
De acordo com o dermatologista Eduardo H. K. Oliveira, especialista em oncologia cutânea e cirurgia dermatológica, muitas lesões malignas podem evoluir de forma silenciosa e ser confundidas com alterações benignas da pele. “O câncer de pele costuma apresentar crescimento progressivo e, nos estágios iniciais, frequentemente não causa dor. Por isso, qualquer lesão que não cicatrize em quatro a seis semanas, apresente sangramentos recorrentes ou alterações de cor e formato deve ser investigada por um especialista”.
A atenção deve ser redobrada em regiões de pele fina ou de difícil percepção no autoexame, incluindo nariz, orelhas, couro cabeludo e pálpebras. Nódulos persistentes, feridas que não cicatrizam, crostas recorrentes, sangramentos, perda localizada de cílios ou deformidades na margem palpebral podem ser sinais de alerta e devem ser avaliados clinicamente.
Leia Mais
O diagnóstico costuma combinar avaliação clínica, dermatoscopia e, quando indicado, biópsia para confirmação. Em casos mais avançados ou localizados em áreas anatômicas delicadas, exames de imagem podem ser necessários para avaliar a extensão da lesão e orientar o planejamento cirúrgico.
A cirurgia permanece como o tratamento padrão para a maior parte dos cânceres de pele. A excisão cirúrgica com margens de segurança é uma das estratégias mais utilizadas para carcinomas basocelulares e espinocelulares. Em tumores de maior complexidade, especialmente na face e em áreas de preservação funcional e estética, a cirurgia micrográfica de Mohs está entre as técnicas mais precisas disponíveis atualmente.
“A cirurgia de Mohs permite avaliar integralmente as margens tumorais durante o procedimento, aumentando as taxas de cura e preservando o máximo possível de tecido saudável. Isso é especialmente importante em regiões como nariz, orelhas, lábios, pálpebras e couro cabeludo”, destaca o dermatologista.
- Maioria dos pacientes que retiram câncer de pele precisa fazer reconstrução da ferida operatória
- Hospital em Minas Gerais realiza cirurgia inédita de câncer de pele
O couro cabeludo está entre as áreas frequentemente negligenciadas na proteção solar e pode abrigar tumores agressivos, principalmente em homens calvos ou pessoas com rarefação capilar. Feridas persistentes, crostas recorrentes, sangramentos e nódulos na região devem ser avaliados rapidamente. “Muitas pessoas esquecem que o couro cabeludo também sofre danos cumulativos da radiação ultravioleta ao longo da vida”, acrescenta Eduardo.
Hidradenite supurativa
Além dos tumores cutâneos, outra condição que pode exigir abordagem cirúrgica é a hidradenite supurativa, doença inflamatória crônica que acomete principalmente axilas, virilhas, nádegas e região mamária. A condição provoca nódulos dolorosos, abscessos, drenagem de secreção e formação de fístulas e cicatrizes, com impacto importante na qualidade de vida.
“A hidradenite supurativa vai muito além de um problema estético. Trata-se de uma doença inflamatória crônica, dolorosa e incapacitante, que interfere diretamente na autoestima, no convívio social e até em atividades simples do dia a dia”, explica o médico.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Embora os imunobiológicos tenham ampliado as possibilidades terapêuticas, muitos pacientes ainda necessitam de tratamento cirúrgico, principalmente nos casos avançados. “Quando há formação extensa de fibroses e fístulas profundas, a remoção das áreas afetadas pode ser uma alternativa importante para controle da doença e melhora da qualidade de vida”, destaca.