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Meritocracia vence ideologia nas eleições de 2016

Resultados das urnas mostraram que eleitorado de algumas regiões apoiou campanhas voltadas para o discurso da meritocracia, em detrimento de apoio a bandeiras políticas

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postado em 10/10/2016 06:00 / atualizado em 10/10/2016 07:45

Paulo de Tarso Lyra

Andre Violati/Esp. CB/D.A Press

Brasília – O PT orgulhou-se, ao longo dos últimos 13 anos, de bradar que é o partido que melhor entende a população mais carente. A legenda que ampliou o Bolsa-Família, criou as políticas afirmativas de cotas, promoveu 40 milhões das classes D e E à classe C, a chamada nova classe média. Mas, agora, o resultado das eleições municipais ligou o alerta de que essa parcela do eleitorado está escapando das mãos petistas. Em São Paulo, a periferia foi com o tucano João Doria. Em Salvador, o queridinho é o prefeito reeleito ACM Neto, vitorioso com mais de 70% dos votos válidos. “As populações mais carentes não são vinculadas a partidos, são vinculadas a pessoas”, confirmou o gerente de pesquisa do Data Popular, Mitsu Shida.

O instituto, especializado em pesquisa e conhecimento sobre o consumo popular no Brasil, avalia que as classes D, E e os recém-ingressos na classe C atribuem os avanços conquistados primeiramente a Deus e, depois, ao esforço próprio. O governo tem cada vez menos participação nisso. A situação tende a se agravar mais ainda, já que o PT perdeu o comando do governo federal, mingou nas prefeituras – até mesmo no Nordeste, bastião eleitoral do partido, os resultados ficaram aquém do esperado – e tende a ter um desempenho sofrível também na disputa pelos governos estaduais e ao Planalto em 2018. Na prática, o partido vai perder a narrativa para os novos integrantes do núcleo de poder.

“Se formos lembrar, o PT, em suas origens, não era um partido dos grotões. Era um partido da classe média e dos intelectuais. Nós chegamos a esse público após a vitória de Lula em 2002”, recordou o líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA). Florence ainda pontuou o que ele considera uma diferença entre o discurso voltado para os mais carentes do Nordeste e os moradores da periferia paulistana, por exemplo. “A classe D e E de São Paulo é composta por metalúrgicos. No Nordeste, essa faixa é mais carente e depende muito mais da presença do estado”, argumenta o líder baiano.

INCLUSÃO Essa revisão interna no discurso começou ainda em 2013, quando a população foi às ruas pedir melhorias nos serviços públicos. Lula também alertara que a população que chegará aos 18 anos em 2018 – apta, portanto, a votar – tinha 5, 6 anos quando o PT assumiu pela primeira vez o Planalto. “Esse pessoal cresceu incluído, com comida e escola. Não dá para a gente continuar repetindo essa história”, disse o ex-presidente, em um encontro com senadores do partido em 2015.

Para o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), os êxitos do governo Lula no Nordeste foram mais ligados à boa conjuntura internacional, que permitiu ao governo federal ter mais recursos para investir na região. E recorda que, antes dos anos petistas, era o antigo PFL – hoje DEM – que tinha uma hegemonia na região. Tanto que, em 1994, Fernando Henrique Cardoso, candidato do PSDB ao Planalto, uniu-se ao PFL de Antonio Carlos Magalhães para ter maior visibilidade nos grotões. “A população brasileira e o eleitorado, em especial, são conservadores. Eles não são ligados a teorias. São ligados às próprias realidades”.

Aleluia não acredita, contudo, que haja uma migração uniforme dos votos da periferia. “Nos grandes centros, isso pode acontecer de maneira mais rápida. No Nordeste, contudo, a tendência é que esse processo seja mais lento, já que a região dependerá de ações econômicas mais efetivas do governo federal. E, nesse caso, os resultados vão demorar mais a ser percebidos”, ponderou o deputado do DEM.

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