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Estado de Minas

Maioria dos grandes partidos perde vereadores na Câmara de BH

Mudança na composição do Legislativo municipal mineiro entre 2012 e 2016 revela queda de vereadores do PT, DEM, PDT, PSDB e PP e o aumento de representantes de novas legendas


postado em 10/10/2016 06:00 / atualizado em 10/10/2016 07:46


As escolhas feitas por 15,6 milhões de eleitores mineiros no primeiro turno reduziram as bancadas da maioria dos grandes partidos e deram lugar a outras legendas nas câmaras municipais do estado. De 2012 para 2016, quem mais perdeu cadeiras em Minas foi o PT, partido da ex-presidente Dilma Rousseff, reflexo do que ocorreu no país. Mas DEM, PDT, PSDB, PP e PR também viram suas vagas diminuírem. Na outra ponta, os que mais cresceram foram o PMDB, partido do presidente Michel Temer, o PSD e o PRB. Enquanto isso, os cinco partidos criados de lá para cá que participaram do pleito (SD, Rede, NOVO, PEN e PMB) conquistaram novo espaço no Legislativo municipal.

Na eleição que veio praticamente emendada do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o resultado do PT nas urnas foi o pior possível. O partido, que era o primeiro em votação em Minas em 2012, com 1,2 milhão de votos, e o terceiro em número de cadeiras, fazendo 815 vereadores, teve este mês menos da metade disso. Foram 582 mil votos, que lhe deram a 9ª posição no ranking de cadeiras, com 421 vagas. Há quatro anos, o PT também era o partido com mais votos de legenda no estado, superando PSDB e PMDB. De 187,2 mil votos de legenda, passou a 62,5 mil.

O fracasso eleitoral do PT se repetiu nas várias regiões. No Sul de Minas, por exemplo, o PT viu suas vagas despencarem de 171 em 2012 para 76 este ano. No Vale do Aço, que sempre foi reduto eleitoral dos petistas, a derrota das prefeituras também se refletiu no Legislativo. Na microrregião de Ipatinga, o PT foi o mais votado e elegeu 28 nomes em 2012. Agora, os votos foram reduzidos praticamente à metade e as cadeiras passaram a ser 12. Na Região Metropolitana de BH, o número de vereadores fez o PT passar de segundo lugar, com 38, para a 16º posição, com 12. Na capital mineira, a bancada minguou de seis para duas cadeiras.

Mas não foram só os petistas que tiveram resultado pior em número de vagas em Minas. Um dos principais rivais dos petistas, o DEM, elegeu 176 vereadores a menos, passando de 741 vagas para 565. O PDT também caiu de 537 vagas em 2012 para 428 em 2016, uma diminuição de 109 cadeiras. Na RMBH, o partido passou de 34 eleitos a 22. Depois destas, aparece entre os que perderam vagas o PSDB, principal rival do PT nas urnas, com 78 eleitos a menos. Na Grande BH, no entanto, os tucanos se mantiveram com 28 cadeiras.

Para o cientista político e professor da UFMG Carlos Ranulfo de Melo, o resultado é um retrato da fragmentação partidária no país. De 2012 para cá, foram criados partidos, como SD, Novo, Pros, PMB e PEN. Todos eles conquistaram cadeiras nas urnas, somando 483 vagas em câmaras municipais. “Não é efeito só dos novos partidos criados, são as legendas pequenas conquistando espaço progressivamente porque vereador precisa de pouco voto. Então, os pequenos entram. Você tem uma queda no nível dos partidos grandes nas câmaras municipais porque eles não contam mais, você tem uma dispersão enorme”, afirma.

AMONTOADO O professor fez uma analogia com marcas de refrigerante. Segundo ele, não existem muitas porque há três marcas fortes. “À medida em que os partidos grandes vão perdendo capacidade, os pequenos vão ficando em aberto e vai surgindo um monte de outros que também não representam nada.” O problema disso, segundo Ranulfo, é que dificulta para o chefe do Executivo governar. “Qualquer negociação nessas câmaras é uma peleja, porque vira um amontoado de pequenos partidos. E quanto mais fragmentadas, mais essas câmaras perdem a relevância, pois vão discutir só o varejo do pequeno eleitorado.”

Entre os partidos que ganharam representatividade nas câmaras mineiras, quem mais se destacou foi o PSD. O partido, que na eleição de 2012 era recém-criado pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Telecomunicações, Gilberto Kassab, fez 132 vagas a mais em Minas. Já no primeiro pleito, a legenda estava em 11º lugar, com 328 cadeiras e, nesta votação, subiu para 7º, com 460. O PMDB de Temer conquistou 74 vagas a mais nas câmaras municipais mineiras. Outros partidos que conseguiram números maiores de vereadores no estado foram o PRB, com 83 vagas a mais, passando de 190 a 273, e o PTdoB, que saltou de 75 para 147 representantes. O PCdoB também cresceu, com 32 novas vagas em Minas.


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