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Emoção marca volta às aulas de alunos afetados por rompimento de barragem

Mais de 170 estudantes tiveram primeiro contato com professores depois da tragédia de Mariana

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postado em 17/11/2015 06:00 / atualizado em 17/11/2015 08:55

Renan Damasceno - Enviado Especial

Jair Amaral/EM/D.A Press
Mariana - O retorno ontem às aulas das 172 crianças e adolescentes de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, comunidades arrasadas pela lama de rejeitos de desceram da barragem da Samarco, em Mariana, na Região Central de Minas, foi de reencontro e alegria. Mesmo com a tragédia fresca na memória, os estudantes voltaram a sorrir ao ver novamente os amigos. Professores também não esconderam a felicidade ao rever os alunos. Todos vão estudar na Escola Municipal Dom Luciano, no Bairro Alto Rosário.

Os primeiros ônibus disponibilizados pela Samarco para buscar as crianças nos hotéis onde estão hospedadas, chegaram na escola por volta das 12h. Os estudantes desciam tímidos e assustados por causa do grande número de pessoas dentro do imóvel. Mas, rapidamente, se descontraíam.

Com o passar do tempo, a grande mobilização ficou concentrada na porta principal da escola. Lá, a cada pessoa que entrava, longos abraços eram dados. A professora Maria Auxiliadora Mol trabalhava em Paracatu e se emocionou ao rever seus alunos. “Estou muito emocionada. São momentos difíceis que estamos vivendo. Temos pesadelos diários. Nasci e fui criada lá, por isso é muito triste”, disse. “Tudo que passou não vamos esquecer mais, mas vai ser muito bom recomeçar tudo aqui nesta escola”, completou.

A felicidade do reencontro também era estampado no rosto de Cássia Miriam de Souza. Mãe de oito filhos, três mulheres e cinco homens, com idades entre 6 e 18 anos, diz que as aulas serão boas para fazer os garotos esquecerem a tragédia. “Muita alegria poder ver todos. O meu filho mais novo, não queria vir. Disse que preferia a escola que estava antes. Mas expliquei que não tinha como voltar e que os coleguinhas deles estariam aqui, e ele entendeu”, comentou.

EMOÇÃO A professora Elisabete Ferreira, de Bento Rodrigues, estava ansiosa para encontrar os nove alunos dela, de 9 a 11 anos. Para ela, será um desafio fazer as crianças não ficarem lembrando da tudo que aconteceu. “Pretendemos recomeçar, porque a vida continua. Tirar a lembrança nunca vamos conseguir. Mas temos que mostrar a eles que tudo passa e que temos que continuar a vida.”

A cozinheira Lucimar Maria Silveira Silva, de 42 anos, ainda se emociona ao falar da tragédia. Ela trabalhava na Escola de Bento Rodrigues e passou a noite no município no dia do rompimento das barragens fazendo comida para as famílias. Ao ver as crianças juntas novamente, a cozinheira se emocionou. “A gente fica com alegria de olhar que estão bem. Deus deu uma chance para todos sobreviverem”, disse.
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