Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, ostentou um título desagradável, que mostra bem como é caótica a relação entre veículos e pedestres na cidade: o pior trânsito do país, de acordo com pesquisa feita por uma revista especializada, de circulação nacional, feita em 2008. E com o aumento do número de veículos, a situação só se agrava. Em 2011, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte, foram registradas 23.788 infrações de trânsito, uma média de 2 mil por mês. As principais irregularidades cometidas são estacionamento irregular, dirigir falando ao celular, falta do uso do cinto de segurança e avanço de sinal vermelho.
O taxista Pedro Joaquim da Silva, que há 10 exerce a profissão, conta que já se envolveu duas vezes em acidentes e que em uma delas o condutor do outro veículo estava embriagado. “Ainda bem que nunca foi nada grave. Aqui não existe isso de não beber se estiver dirigindo. Se a pessoa fizer essa opção, é porque é consciente. Aqui, motorista entra na rotatória de qualquer jeito, fura sinal, entra na contramão. Vejo isso todos os dias.”
Quem não teve tanta sorte e acabou se acidentando, como o arquiteto Leandro Camargo, de 31, carrega até hoje o trauma. Foi em 2006, e Leandro teve a perna direita amputada. O acidente ocorreu na Avenida JK, no Centro da cidade, e o arquiteto ficou preso debaixo da carreta. “Quando lembro daquele momento, sinto a dor, a sede. É uma dor que não dá para descrever. Como se estivesse queimando. Tem horas que paralisa e é como se você não estivesse sentindo mais nada”, conta.
A moto que Leandro pilotava foi atingida pela carreta ao fazer uma curva. Hoje, o arquiteto prefere andar de carro, passou a dar ainda mais valor à vida e, ao volante, procura dirigir pensando nele e nos outros, sempre muito atento. “É preferível chegar em casa mais tarde, ou atrasar alguns minutinhos, do que se arriscar. São alguns minutos que mudam a vida da gente e podem causar sérios desastres”, conclui.
Nova Serrana
Vizinha de Divinópolis, Nova Serrana, com quase 74 mil habitantes, também convive com trânsito caótico e violento. De acordo com dados da Polícia Militar, no ano passado 272 pessoas ficaram feridas na cidade em consequência de acidentes. Foram registradas seis mortes. Quem enfrenta diariamente problemas como engarrafamentos no horário de pico, acidentes e desrespeito à sinalização cobra planejamento, conscientização dos motoristas e melhoria das vias para desafogar o tráfego.
É o caso do taxista Bruno Lopes dos Santos, de 22. Para ele não restam dúvidas: é preciso mais investimentos e mais planejamento do trânsito na cidade. “Dirigir aqui é horrível. Não existe respeito e as ruas são estreitas. Quem não está acostumado passa aperto ao dirigir em Nova Serrana. Tem que estar sempre com a atenção redobrada. Já vi muitas batidas provocadas por imprudência”, conta.
Há três anos Lauro Henrique Will da Silva, de 25, trabalha como porteiro em uma loja localizada numa das principais vias da cidade: a rua Guimas Dimarães, no Centro. Ele também já presenciou inúmeras batidas e hoje prefere não dirigir. “Aqui é muito complicado. Ninguém respeita nada e as ruas são estreitas. Prefiro evitar aborrecimentos e vir trabalhar a pé mesmo”, diz.
Rotina de acidentes e feridos
Mais veículos nas ruas, mais falta de respeito e mais vítimas de acidentes do trânsito. Em Sete Lagoas, na Região Central de Minas, a 84 quilômetros de Belo Horizonte, dados da Secretaria Municipal de Saúde mostram que cerca de 40% dos casos atendidos no Hospital Municipal são decorrentes de acidentes envolvendo motociclistas. Já de acordo com o Corpo de Bombeiros, que também atende vítimas de acidentes, só em 2012 já foram socorridos 24 motociclistas e passageiros de motociclistas, com registro de uma morte. (Marcos Avellar)
