Parados em seus carros no congestionamento de cerca de quatro quilômetros que se formou na manhã dessa quarta-feira na Via Expressa, na Região Noroeste de Belo Horizonte, motoristas não podiam imaginar as causas que os impediam de passar da primeira marcha do carro. Foi nessa via, no trecho entre as avenidas do Contorno e Silva Lobo, que uma pane nos semáforos adiou em mais de uma hora a ida de muita gente ao trabalho ou à escola. Tentando vencer a prova de fogo em que se transformou o tráfego na região, condutores nem imaginavam que entre as 6h40 e as 9h, horário em que os semáforos ficaram desligados, apenas dois dos 240 agentes da BHTrans tentavam, sem sucesso, gerenciar o tráfego.
O baixo número de agentes na ocorrência reflete um problema: a falta de pessoal para fiscalizar e manter a ordem no trânsito em toda a cidade. A própria BHTrans admite que a quantidade necessária seria maior. Atualmente, 300 guardas municipais e 400 policiais militares reforçam o time de 240 agentes da BHTrans, um total de 940 pessoas para controlar a circulação nas vias. A empresa informa que o número ideal seria de pelo menos 1.380, o que representa um para cada 1 mil carros que circulam em BH.
O aumento é reivindicado pelo sindicato da categoria, que cobra a ampliação do efetivo em pelo menos três vezes, ou seja, de 240 agentes para cerca de 700. Somados com os 300 guardas municipais e 400 policiais militares, BH passaria a ter 1,4 mil operadores de trânsito. Para o diretor jurídico do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Assessoramento, Pesquisas, Perícias e Informações no Estado de Minas Gerais (Sintappi), Alex Kronenberger, o déficit de funcionários gera sobrecarga de trabalho para os atuais agentes, problema que deságua no vaivém das pessoas na capital. “A cidade perde muito com isso, pois as pessoas passam horas presas em engarrafamentos causados por problemas com semáforos, colisões, estacionamentos proibidos e outras infrações de trânsito que podem ser evitadas pela presença do agente”, afirma o diretor.
Enquanto faltam agentes, os custos com a manutenção dos semáforos da cidade vão aumentar. Na terça-feira, a empresa homologou licitação no valor de R$ 5,8 milhões para o período de 20 meses, 123% maior do que os atuais R$ 2,6 milhões para o mesmo período de tempo. Na prática, o custo com cada cruzamento semafórico vai passar de R$ 162 para R$ 250 com o novo contrato, elevação de 54%.
Paciência
No congestionamento dessa quarta-feira, a pane ocorreu nos cruzamento da Via Expressa com a Rua Conde Pereira de Carneiro, no Coração Eucarístico, e com a Avenida Tereza Cristina, no Carlos Prates. No primeiro, de acordo com o gerente de Semáforos da BHTrans, José Gabriel Gazolla, os aparelhos apresentaram problemas desde o início da semana. “Na segunda-feira, um caminhão esbarrou em um sinal e ele entrou em flash. Na terça, houve falha no controlador e hoje (quarta-feira), foi a umidade da chuva”.
Entre segunda e quarta-feira, 133 panes foram registradas, uma média de 44 por dia. Segundo Gazolla, em dias de chuva fina como da segunda-feira as ocorrências ficam entre 5 e 10.
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Faltam agentes para fiscalizar o trânsito em BH
BHTrans admite que número de pessoal para fiscalizar deveria ser maior, mas firma contrato que dobra custo com semáforos
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