As investigações sobre a morte do engenheiro mineiro Mário Bittencourt, de 61 anos, e do geólogo paulista Mário Guedes, de 57 anos, enviados a trabalho de campo para instalação de usina hidrelétrica no Norte do Peru, entram em nova fase. A embaixada do Brasil no Peru informou nessa terça-feira que o governo peruano já considera oficialmente a hipótese de os brasileiros terem sido assassinados e que uma acareação será realizada nos próximos dias entre todas as pessoas que estiveram no local. Na terça-feira, esses mesmos envolvidos no caso participam de uma espécie de reconstituição do que ocorreu na selva peruana.
“Zorrilla e Sánchez não estão presos nem foragidos. Eles serão ouvidos na condição de suspeitos e ainda confrontados entre si e com testemunhas para eventual descoberta de incongruências entre os depoimentos”, afirmou o secretário de imprensa da Embaixada do Brasil no Peru, Thiago Couto. A acareação e reconstituição das mortes também terão participação dos pesquisadores peruanos José Antonio Suazo Bellaci, de 38 anos, e Fausto Edurino Liñan Turriate, de 55, que acompanharam os brasileiros, contratados da Leme Engenharia, na caminhada na área da floresta em 25 de julho, segunda-feira.
Desta vez, os representantes do Itamaraty não devem acompanhar a reconstituição no Norte do Peru. Na identificação das vítimas, diplomatas trabalharam, a pedido das famílias de Mário Guedes e de Mário Bittencourt, para conseguir a liberação dos corpos e a coleta de amostras para os exames toxicológicos e histopatológicos no Peru e no Brasil. O resultado dos testes ainda não tem data para ser divulgado pelo governo peruano. Por meio da assessoria da embaixada, o embaixador do Brasil no Peru, Carlos Alfredo Lazary Teixeira, garantiu que trabalha para que se chegue à verdade dos fatos.
Trilha Em depoimentos colhidos no Peru, os dois pesquisadores peruanos que acompanharam os brasileiros disseram que, por volta das 12h, Bittencourt se cansou e reclamou de dor na perna. Ele teria ficado sentado à beira da estrada, enquanto o trio seguiu um trecho de subida. Depois de meia hora, o grupo voltou e percebeu que o mineiro não estava mais no local. Os peruanos afirmaram à polícia que nenhum deles ficou preocupado, porque acreditavam que o engenheiro tinha voltado para o carro. Desse mesmo ponto, os dois peruanos seguiram em uma pequena trilha para saber se o caminho levava a um rio. Mário Guedes teria decidido ficar à espera da dupla. Pouco mais de uma hora depois, então, os peruanos voltaram e também não encontraram Guedes.
Os corpos dos brasileiros foram encontrados somente na quarta-feira, já em adiantado estado de decomposição. O Ministério Público peruano não descarta a hipótese de envenenamento, uma vez que os corpos dos brasileiros não apresentavam sinais externos de violência.
