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Estado de Minas VÍCIO MORTAL

Minas intensifica luta contra o crack

Fundação Hospitalar de Minas Gerais lança nesta quinta-feira campanha para reforçar programa estadual de apoio a dependentes e familiares e orientar prefeitos


postado em 11/08/2011 06:00 / atualizado em 11/08/2011 06:10

Cracolândia na Pedreira Prado Lopes: programa vai ocupar locais de consumo de drogas com atividades culturais e de lazer(foto: JACKSON ROMANELLI/EM/D.A PRESS %u2013 1/12/2010)
Cracolândia na Pedreira Prado Lopes: programa vai ocupar locais de consumo de drogas com atividades culturais e de lazer (foto: JACKSON ROMANELLI/EM/D.A PRESS %u2013 1/12/2010)


Alguns casos impressionam pelo drama, outros pela dor, e há aqueles que sempre nos deixam sem fôlego quando o assunto é a força de vontade. Na história de um operador de áudio e vídeo de Belo Horizonte, de 34 anos, uma decisão foi o divisor de águas entre um passado tomado pelo crack e o que ele é atualmente: um homem correto e exemplar. Parar de fumar foi a atitude que o impediu de entrar num abismo maior, cujo fim quase sempre é a morte. Morando sozinho em Belo Horizonte, desempregado e sem expectativas, acabou se entregando ao crack, entre 1999 e 2001, depois de ter experimentado cigarro, bebida, maconha e cocaína. Na época, aos 23 anos, ele rodava de bar em bar e podia passar o dia consumindo a droga, uma fase que durou dois anos.

Uma noite, entrou às 20h com outros viciados numa casa abandonada  e só saiu às 10h do dia seguinte. “Quando pulei o muro, a ficha caiu. Vi todo mundo indo trabalhar e tive vergonha. Percebi que aquilo não era vida para mim. Dormi na casa de um amigo e decidi que no outro dia procuraria um emprego. Acordei cedo, peguei o ônibus para ir ao Sine (Sistema Nacional de Emprego). Tinha uma frase no fundo do ônibus que bateu no meu coração: ‘Hoje, eu tomei uma decisão: vou ser feliz assim mesmo’”. Nem todos têm a mesma força para mudar e, nesses casos, ajuda é fundamental.

Acompanhamento

Para incentivar pessoas que vivem esse drama a agir e a mudar os rumos de suas vidas, a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) lança, nesta quinta-feira, às 14h, na Alameda Ezequiel Dias, 365, Bairro Santa Efigênia, a campanha “Se liga! Crack não é brincadeira!”, com o objetivo de mostrar que é possível se tratar. A ideia é alertar quem faz uso, familiares e os prefeitos, responsáveis pela abertura de serviços de acompanhamento e tratamento nos municípios. Dados do Centro Mineiro de Toxicomania (CMT) mostram que 42% das pessoas procuram o serviço por causa do crack. Em seguida vêm o álcool, a cocaína e a maconha. Até 2009, o álcool estava no topo da lista (cerca de 40%), enquanto o crack ficava na casa dos 30%.

A iniciativa da Fhemig é um reforço nas ações do estado, que lançou, recentemente, o programa Aliança pela vida. Esse é um dos resultados do decreto assinado pelo governador Antonio Anastasia em fevereiro deste ano, determinando a aplicação de até 1% do orçamento de órgãos e secretarias para o desenvolvimento de programas sociais a projetos de prevenção e combate às drogas. Apenas para este ano, estão previstos investimentos da ordem de R$ 70 milhões. Numa primeira etapa, os recursos serão destinados a cinco ações principais (veja quadro).

projetos sociais  As medidas já apresentam resultados. Somente o novo serviço telefônico (número 155) recebeu, na última semana, 3 mil ligações de pessoas em busca de orientação e acolhimento. Está aberto também edital para seleção de projetos sociais que tenham como objetivo auxiliar familiares e usuários de drogas. Eles devem conter ações educativas, culturais, esportivas, de capacitação, entre outras atividades preventivas e de tratamento. As informações estão disponíveis na internet: https://www.omid.mg.gov.br. Será ampliada também a rede de Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (Capes AD), de 20 para 40 unidades.

 

Minas sem recursos federais

 

Não é de hoje que parlamentares mineiros que integram partidos de oposição ao Palácio do Planalto reclamam da exclusão do estado pelo governo federal. O último episódio envolvendo investimentos não foi diferente: Minas ficou de fora novamente. Desta vez, de um projeto do Ministério da Saúde para construir centros de prevenção e tratamento a dependentes de crack. Os investimentos serão feitos, inicialmente, em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Distrito Federal. A informação, confirmada pela pasta, foi repassada durante audiência pública em Brasília, na qual a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) informou precisar de R$ 100 milhões para o enfrentamento do problema no ano que vem, face a um orçamento estipulado em R$ 16 milhões.

“Essa deve ser uma prioridade nacional, uma verdadeira cruzada antidrogas, principalmente contra o crack, que é devastador e é uma droga barata. Temos uma estratégia no Sistema Único de Saúde (SUS), que são os Capes AD (Centro de Atenção Psicossocial - Álcool e Drogas), mas eles não dão conta do desafio”, afirma o ex-secretário de Estado de Saúde e deputado federal Marcus Pestana (PSDB-MG). “O governo anunciou centros de tratamento, mas excluiu Belo Horizonte. Isso faz parte de um processo preocupante, pois Minas está sendo excluída de todos os segmentos nacionais. As relações do governo estadual com o federal são boas, mas, na prática, não há retorno. Há uma lista de demandas de Unidades de Pronto-Atendimento UPAs) que foram marginalizadas. Minas está carente há nove anos”, diz.

O subsecretário de Políticas Antidrogas, Cloves Benevides, destaca que todas as ações de enfrentamento aos entorpecentes estão sendo feitas exclusivamente com recursos do estado. “A justificativa é de que Minas Gerais tem seus sistema mais bem organizado e, por isso, o ministério investiria em municípios com políticas menos desenvolvidas. Mas temos leitura inversa. Como boas práticas estão acontecendo, é mais justificável que se repasse recursos para cá”, afirma. “Essa é a primeira subsecretaria antidrogas no Brasil e com essa lógica de integração não há outra”, completa. 


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