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MODA/ROUPA DE PRAIA

Confecção mineira de biquínis e sungas cresce produzindo longe do mar

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postado em 24/05/2015 06:02 / atualizado em 24/05/2015 09:43

Marcos Vieira/D.A Press
Belo Horizonte não tem mar, e o calor é, de longe, parecido com aquele sentido em cidades como Rio de Janeiro. Era de se estranhar que alguém pudesse fazer sucesso produzindo peças voltadas para a moda praia. Mas fez e ainda faz. Foi com ousadia e sem medo do mercado, que Cila Borges entrou a fundo nesse meio e, hoje, é referência no assunto na capital mineira e também fora do estado. Apostando no varejo, a marca Cila está há 41 anos no mercado produzindo 12 mil peças por mês. Além do estilo, Cila credita o sucesso à qualidade do que produz e a capacidade de responder as demandas da clientela.

Foi na década de 70, que Cila Borges, já apaixonada por costura, conheceu um biquíni que mudou de vez a sua vida. “Minhas amigas tinham ido ao Rio de Janeiro e, de lá, trouxeram uma peça de que gostei muito. Pedi emprestado e, aos 16 anos, fiz um biquíni para mim”, conta. A experiência deu certo. As amigas queriam que a moça criativa fizesse mais. E assim a fama de Cila foi crescendo na cidade. “Não há praias aqui, mas há clubes. Então, vi nisso uma oportunidade de negócio. Em 1974, abri minha primeira loja na capital, na Rua Pernambuco, na Savassi. Para isso, contratei duas costureiras”, recorda.

Com o negócio em crescimento, já que havia poucas pessoas produzindo o que Cila fazia, a loja foi crescendo e a empreendedora teve que mudar de endereço e passou a entender a clientela na Rua Pernambuco, onde ficou até 1983. “Depois, vim para a Avenida do Contorno, onde funcionava a minha fábrica e loja. Hoje, a minha fábrica funciona no Bairro São Lucas e temos 96 funcionários”, ressalta Cila. Ela diz que, depois do biquíni, ela passou a fazer sungas e, em seguida, a moda esportiva.

Para ela, o fato de Belo Horizonte não ter mar nunca será empecilho. “O mineiro gosta de clubes e viaja muito”, destaca. Nesse tempo que está no mercado, ela conta que já passou por várias crises econômicas brasileiras e nada mais a assusta. “Nesse meio da moda, você tem que dançar conforme a música. Se há uma crise, as suas despesas têm que diminuir”, ensina.

Cila diz estar sempre atualizada, participa de congressos e palestras. Agora, está estudando gestão na Fundação Dom Cabral. “Trata-se de um curso que chama Programa de Desenvolvimento do Acionista. A minha empresa tem mais de 40 anos e tenho que pensar na transição do comando para outras gerações”, afirma, dizendo que, se daqui a 10 anos tiver que parar, suas clientes e o seu negócio não podem ficar desamparados. É aí que as suas filhas entram em ação. Tereza, que criou a marca Tetê, que é voltada para a moda beachwear; e a Luiza, que criou uma marca de lingerie que se chama Petti Romã, para qual já há revendedoras em sete estados, além de Minas Gerais. “Estou passando para elas tudo o que sei. Elas estão criando, e investindo nisso”, orgulha-se Cila.

QUALIDADE A preocupação de Cila sempre foi com a qualidade do que vende. “Para o mercado, o empreender tem que ser criativo, fazer algo bacana e, ao mesmo tempo, comercial. Há muitos modelos de biquíni, por exemplo, que são lindos, mas não trazem o conforto para a consumidora. É preciso pensar nisso”, afirma. Com o zelo para as suas peças, Cila enfatiza que, para qualquer produto, é preciso sempre pensar na durabilidade e usar materiais bons. “Não é necessário usar os mais caros, mas, sim, os melhores. Eu, por exemplo, uso as melhores tecelagens do Brasil”, revela.

Para saber se esses tecidos vão ou não dar certo, Cila não esconde: “eu testo”. É isso mesmo. Se há um novo material na moda, ela veste, usa até ver se é, realmente, seguro adotar em seus produtos para vender a suas clientes. “Sempre tomei muito cuidado com isso. O dinheiro da empresa sai do bolso do cliente, ou seja, é a pessoa mais importante do meu negócio”, diz.
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