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Estado de Minas

Savassi sofre com crise e marasmo quase um ano após a Copa

Quase um ano depois do início do Mundial que prometia ser gerador de riquezas para as cidades-sede, regiões como a Savassi, sofrem com crise


postado em 07/06/2015 06:00 / atualizado em 07/06/2015 10:32

Túlio Santos/EM/D.A Press - 12/06/2014 Ramon Lisboa/EM/D.A Press
Do rolar da bola na primeira partida da Copa do Mundo, que completa um ano no próximo dia 12 e estreou em Belo Horizonte em 13 de junho de 2014, até os sete gols marcados pela Alemanha no Mineirão, um outro palco fez bastante sucesso no estado: a Savassi. Local de encontro dos torcedores estrangeiros com os brasileiros, o espaço reuniu milhares de pessoas entre junho e julho do ano passado, ganhando visibilidade na mídia. Mas bastou o evento acabar para a multidão invasora desaparecer. Saíram os bares lotados e retornou a campo o marasmo de uma região um dia glamorosa, com aluguéis nas alturas e clientes escassos em meio a uma crise econômica. Esta foi uma das heranças da Copa na capital mineira: da multidão sobrou a desilusão.


Empresário da região há três décadas, João Pimenta vem observando de perto nos últimos meses um cenário bem diferente do esperado para a região, que foi palco para a torcida durante o Mundial. Dezenas de comerciantes fechando as portas. Legado da Copa? Ele avalia que o único aprendizado foi que o evento é algo “irreal”, com duração de apenas 30 dias. “É muito pouco tempo. Não adianta achar que, com o que você vai ganhar em um mês, você vai poder gastar demais”, afirma, ressaltando que outros bares investiram pesado para o evento e depois não conseguiram pagar as contas, sendo forçados a fechar as portas.

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No período, o Bar do João ficava lotado de turistas em busca de uma brecha para ver os lances dos jogos da Seleção Brasileira e de outros times enquanto todos proseavam com uma lata de cerveja na mão. Eram centenas de latas vendidas em poucas horas. Doze meses passados, ele sobrevive principalmente da fidelidade de clientes antigos. “Todos os dias de jogo, dava muito movimento. A gente até brincava que deveria ter Copa todo ano. Mas depois da Copa também foi um caos. Aí começou o movimento a cair, cair, cair...”, afirma Pimenta. Ele mostra que no quarteirão do bar apenas dois comércios ainda estão funcionando.

 

SEM ATRATIVOS A alta carga tributária foi uma barreira para o comércio das cidades-sede absorver melhor os milhares de turistas gringos, na avaliação do presidente do Conselho Savassi da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Alessandro Runcini. “Não é interessante para um chileno ou argentino comprar uma camisa na minha loja. Os preços não são atrativos”, afirma o italiano. Em comparação com eventos esportivos anteriores, ele diz que o comércio sempre teve crescimento, enquanto no Brasil isso não se repetiu. Na Itália, em 1990, ele recorda do sucesso de vendas.

Em dias de jogos no Mineirão, todos os comerciantes baixavam as portas devido ao baixo fluxo. Segundo Runcini, se a Copa fosse nos EUA, os estrangeiros voltariam com as malas cheias de mercadorias. “A Savassi ficou mais conhecida no exterior. Mais até que a própria cidade. Mas fica difícil dizer que alguém voltaria para comprar  aqui”, afirma.

O cenário desalentador para a economia foi o balde de água fria para os comerciantes, segundo o dono da loja Brasilusa, Marco Antônio Gaspar. “Sem a Copa seria pior? Acho que não. O Mundial aconteceu em uma época ruim. O aumento esperado de clientes no comércio não se concretizou.”

Gaspar ressalta que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 0,1% no ano passado. No acumulado dos últimos 12 meses, o que se percebe é queda de 0,9% no indicador. Ou seja, no pós-Copa, a geração de riquezas, em vez de acelerar, sofreu um baque com “ajuda” da Operação Lava-Jato. “Quem ganhou foram os cartolas da Fifa e as empreiteiras”, desabafa o empresário e também vice-presidente da CDL.


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