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União deve abrir 20 concursos este ano

Ministério do Planejamento estima que 20 mil postos de trabalho federais estão vagos no país. Com a faca na mão para cortar gastos, governo pode priorizar órgãos como o INSS

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postado em 05/01/2015 06:00 / atualizado em 05/01/2015 09:58

Rodolfo Costa /Correio Braziliense , Bárbara Nascimento

Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press - 29/4/11
Brasília – Apesar do arrocho fiscal previsto para 2015, boas oportunidades devem ser abertas para quem almeja uma vaga na administração pública. Conforme o Ministério do Planejamento, cerca de 20 mil postos estão vagos e precisam ser preenchidos, isso sem contar cargos que ainda dependem de aprovação do Congresso Nacional para existir. Os especialistas no setor apontam pelo menos 20 grandes seleções que devem movimentar a vida dos concurseiros este ano.

Diante da necessidade de cortes de gastos, o governo deverá estabelecer prioridades na hora de definir quais editais serão abertos. No topo da lista, devem estar, por exemplo, os órgãos com grande defasagem por conta de aposentadorias e necessidade de substituição de terceirizados. A Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac) estima que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) está entre os casos mais graves, com um déficit de 19 mil servidores, considerando 10 mil que estão em condições de se aposentar. “Esses concursos (em função de grande defasagem) têm que sair, senão, a máquina pública para”, aponta a diretora-executiva da Anpac, Maria Thereza Sombra.

Ela espera ainda que o enxugamento das contas públicas passe pelo corte mais rigoroso dos cargos terceirizados. “Mesmo com a recente política de substituição desses postos por meio de concursos, vivemos uma realidade onde milhares de aprovados estão na fila esperando para tomar posse de um cargo que é ocupado por um terceirizado”, critica.

O especialista em mercado de trabalho Carlos Alberto Ramos, da Universidade de Brasília (UnB), acredita que o programa de austeridade fiscal do governo, contudo, pode fazer com que as nomeações sejam mais lentas neste ano, respeitando a lista de prioridades do governo. “Editais podem ser postergados e contratações de servidores podem ser realizadas com o pé no freio, em ritmo lento”, prevê.

Segundo semestre

Em um primeiro momento, os especialistas acreditam que o governo deve esperar o retorno das novas políticas, com resultados sólidos na arrecadação e no crescimento, para, só então, fazer nomeações. Por isso, a maior movimentação é esperada na segunda metade do ano. “Devemos observar mais prudência na hora de abrir editais. Só serão abertas vagas essenciais”, analisa o professor de Administração Financeira e Orçamentária e Orçamento Público do IMP Concursos, Anderson Ferreira. “O governo tem anunciado outros contingenciamentos e medidas para reequilibrar as receitas, como aumento de tributação e mudanças no seguro-desemprego. Não haverá apenas o corte para o lado do servidorismo”, completa.

No pior dos cenários, diz ele, 2015 será um ano equivalente a 2014. No ano passado, 20,6 mil vagas foram autorizadas ou providas. “Isso quer dizer que alguns concursos podem ser retardados, mas isso não deve desanimar o candidato. As vagas precisam ser preenchidas, o que aumenta expectativa para os próximos anos”, completa Ferreira. “A não realização de concursos pode fazer o Estado perder a governança. O país precisa manter capacidade de administração com o mínimo de eficiência para promover o interesse público”, diz.

Algumas seleções, inclusive, serão imprescindíveis para o equilíbrio das contas públicas, destaca ele. “A própria Receita Federal tem o quadro defasado e precisa de mais servidores para otimizar o processo de arrecadação”, afirma. Outros certames que estavam previstos para sair ao longo de 2014, mas não foram lançados, são esperados já neste ano, como o do Tribunal de Contas da União (TCU), da Receita Federal e do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O que diz a LDO
A previsão feita na Lei de Diretrizes Orçamentárias inclui todos os cargos a serem preenchidos ou criados nos Três Poderes, incluindo postos militares (preenchidos por concurso ou não). Isso não significa, necessariamente, no entanto, que todas essas vagas serão preenchidas no exercício de 2015, esclarece o Ministério do Planejamento.

Comece a estudar o quanto antes


Passar em um concurso público requer dedicação e paciência. Mesmo que, por conta do corte de gastos do governo, o ano não seja aquecido para os concursos públicos, a dica é não desanimar. Esse, aliás, é um bom momento para focar e se adiantar nos estudos. Iniciar a preparação apenas quando o edital é publicado é um erro, garantem os especialistas.

Estudar provas de certames passados, revisar exercícios e exames aplicados pela banca examinadora do concurso de desejo são alguns dos melhores métodos para fixar o conteúdo, recomenda Gilber Botelho, professor de língua portuguesa de cursinhos preparatórios. “Se não praticar, perde a fluência. A repetição é a mãe da aprendizagem”, ressalta. Também é importante ter foco nos conteúdos básicos, como gramática. “É uma disciplina que elimina muitos candidatos. A pessoa pode ser formada em letras, mas, se não souber aplicar as questões de prova, ficará em desvantagem”, acrescenta.

Organizar-se e estabelecer um foco é imprescindível. “O ideal é ele saber qual área planeja seguir e onde trabalhar”, aconselha o diretor-presidente do Gran Cursos, José Wilson Granjeiro. Para isso, é importante estudar a legislação do órgão almejado, os conteúdos específicos e conhecer atributos e requisitos para sair na frente da concorrência.

O estudante Emiliano Luiz Neto, de 22 anos, bateu na trave no último concurso que prestou, para a Polícia Civil do Tocantins, realizado no último ano, e não quer ficar para trás. O sonho da estabilidade o motiva a estudar por mais de 12h por dia. Prestes a tentar a seleção para o cargo de perito criminal da Polícia Civil de Goiás, em fevereiro, garante que não abandonará os livros se não for aprovado. Para isso, ele tem uma estratégia. “Me formei em física no fim de 2013, e durante os quatro anos de curso, economizei o dinheiro que ganhei com estágio e trabalho. Hoje, uso essa reserva para bancar meus estudos e não perder o foco”, afirma.

Em maio, fará dois anos que o estudante Joel de Castro Oliveira, de 40, não mede esforços para ingressar no serviço público. No entanto, tamanha dedicação já está no limite. Após esbarrar na tentativa de passar em órgãos da área de segurança pública, ele vai apostar as fichas no concurso da Subsecretaria do Sistema Penitenciário do Distrito Federal (Sesipe/DF) para o cargo de agente penitenciário. Em caso de não ser aprovado, admite a possibilidade de ir para a iniciativa privada, mas mantém expectativas com a previsão dos certames para a Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. “A área policial costuma chamar sempre muitas pessoas, então é um atrativo. Mas já estou cansado. Minha esposa tem sustentado a casa, mas diante da inflação elevada, as contas estão pesando, e eu preciso ajudar”, diz. (BN e RC)
Tags: concurso
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jose
jose - 05 de Janeiro às 11:42
Será que esse país já não tem parasitas demais para quem trabalha e produz sustentar? Será que não seria mais honesto e digno fazer os que já estão lá trabalhar apenas um pouco?
 
jose
jose - 05 de Janeiro às 16:49
Nunca tentei porque não tenho vocação para sanguessuga e se aquele bando de parasitas passa não deve ser tão difícl.. Sempre gostei de trabalhar e produzir, quanto a você Paulo, não precisa nem dizer que já deu pra ver o que você é.....
 
Paulo
Paulo - 05 de Janeiro às 13:18
Que recalque é esse Zé? Tentou passar em concurso e não conseguiu? Desanima não...