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Inflação contagia calote e consumo

Vendas no comércio têm a menor alta desde janeiro de 2012. Inadimplência cresce 1,97%, refletindo avanço do custo de vida

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postado em 12/06/2013 06:00 / atualizado em 12/06/2013 07:25

Marinella Castro

FOTOS: RAMON LISBOA/EM/D.A PRESS
A alta persistente do custo de vida tem feito o brasileiro frear o consumo, ter mais cautela com as prestações, esfriando um dos fortes motores da economia – o varejo. As vendas do comércio em maio cresceram 2,24% em relação ao mesmo período do ano passado. A alta é o menor patamar desde o começo da série histórica do indicador do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), iniciado em janeiro de 2012, e mostra a preocupação do brasileiro com o consumo e endividamento. Na primeira prévia da inflação medida em junho pela Fundação Getulio Vargas, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) voltou a preocupar, acelerando em seis das sete capitais pesquisadas. Em Belo Horizonte, o indicador registrou variação de 0,48% ante 0,45% registrados em maio. No país, subiu para 0,48%, ou 0,16 ponto percentual em relação ao resultado anterior (0,32%).

A taxa de inadimplência dos consumidores no comércio varejista também mostrou reflexos da força do dragão, que tem deixado a população mais atenta com os compromissos financeiros, segundo a CNDL. Apesar de ser a menor taxa desde 2012, o indicador avançou 1,97% em maio, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. No acumulado de 2013, frente a igual período do ano passado, a alta é de 7,37%. Segundo a CNDL, o calote é um reflexo da resistência do custo de vida em se aproximar do centro da meta de inflação determinada pelo governo, de 4,5%.

O engenheiro Willian Mateus de Oliveira diz que tem sentido o galope dos preços principalmente nos alimentos, tanto em supermercados quanto nas refeições fora do lar. “Temos feitos substituições. Quando notamos que um alimento está muito caro, trocamos o item por outro.” À frente de uma loja de roupas, a comerciante Gláucia Monteiro percebe a baixa no consumo. Ela comenta que o custo de vida do brasileiro vem crescendo há algum tempo. Segundo Gláucia, no primeiro semestre, os consumidores reduziram os gastos como reflexo da inflação. “Esperamos que no segundo semestre as vendas melhorem, com algum crescimento”, apontou.

Reação em BH

O economista da Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Juan Moreno de Deus, diz que o índice de pleno emprego em Belo Horizonte tem contribuído para que a inadimplência do consumidor no estado (4,2%), segundo o Banco Central (BC), seja menor que a do país (7,5%). Para o especialista, esse é um dos indicadores que podem alavancar as vendas do setor no estado a partir da Copa das Confederações. “Esperamos uma reação do comércio no segundo semestre. O resultado do ano deve ser perto de 3,5%, maior que o esperado para o país.”

Segundo a FGV, a inflação de Belo Horizonte foi a segunda menor do país, depois de Salvador que em junho alcançou variação negativa (0,11%). Em 12 meses, o IPC-BR acumula alta de 5,96%, e o IPC-BH, elevação de 5,86%. Para André Braz, economista e coordenador do IPC-S da FGV, a inflação do país pode fechar 2013 em 5,9%. “A área plantada de inúmeros alimentos importantes como arroz, feijão e tomate foi baixa em 2012 e continuará assim em 2013. Isso antecipa que a oferta desses alimentos não será grande. Pode ser que os alimentos subam menos no segundo semestre, mas continuarão a influenciar destacadamente a inflação de 2013”, apontou Braz.

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