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Estado de Minas

Petrobras já caiu 10% na Bovespa só este ano

Interferências do governo na empresa, controlando preços para conter inflação, afugenta investidores e agrava crise


postado em 07/02/2013 06:00 / atualizado em 07/02/2013 07:28

Reajuste autorizado pelo governo foi menor do que a empresa pleiteava(foto: CRISTINA HORTA/EM/D.A PRESS)
Reajuste autorizado pelo governo foi menor do que a empresa pleiteava (foto: CRISTINA HORTA/EM/D.A PRESS)
As ações da Petrobras continuaram puxando o Índice Bovespa para baixo. Um dia depois de a companhia registrar o pior lucro dos últimos oito anos, os papéis preferenciais (sem direito a voto) da estatal despencaram 2,65% ontem, fechando a R$ 17,60. A desvalorização acumulada no ano está perto de 10%. Já as ações ordinárias (com direito a voto) recuaram 1,27%, cotadas a R$ 16,39.

O indicador da Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) recuou 0,83% ontem, fechando a 58.951 pontos. Foi a terceira queda consecutiva e o nível do Ibovespa chegou ao menor patamar dos últimos dois meses. Além da forte influência dos papéis da Petrobras nesse desempenho, a queda do Ibovespa é reflexo do desânimo dos investidores com as perspectivas de recuperação para a economia brasileira e de aumento da intervenção governamental na estatal.

As interferências do governo na gestão da Petrobras, congelando o preço da gasolina para praticar política monetária, ou seja, controlando a inflação, têm mexido bastante com o humor do mercado. O reajuste de 6,6% na gasolina, concedido em janeiro, não foi suficiente para reverter as perdas dos últimos anos devido à importação do combustível a preços internacionais e a revenda a preços defasados. Logo, a presidente da companhia, Maria das Graças Foster, deverá continuar pressionando o governo para que ele autorize novos reajustes, acompanhando a cotação internacional do petróleo. Sem isso, segundo os analistas e a própria executiva, a estatal não conseguirá executar o totalmente o plano de investimentos previstos para este ano, que somam R$ 97,7 bilhões.

Fora da carteira

A falta de confiança na Petrobras tem afastado o interesse de investidores. O sócio da DX Investimentos Felipe Chad, por exemplo, já não recomenda mais a compra de papéis da estatal para seus clientes. “Eles não fazem parte da carteira da corretora há muito tempo”, disse ele, lembrando que os fundos mais rentáveis do mercado atualmente não olham para a Petrobras há 36 meses. “Há muita imprevisibilidade sobre os planos da companhia. Ninguém sabe o que vai acontecer. O governo não dá sinais positivos. O ministro (Guido) Mantega (da Fazenda) a cada hora fala uma coisa. O mercado não gosta disso”, explicou.

De acordo com o economista, a forte queda nos papéis da empresa era resultado de rumores no mercado em torno do aumento da preocupação dos analistas em relação à da nova estatal que será responsável pela gestão das bacias do pré-sal, que voltou a ser comentada após a divulgação do balanço da Petrobras. “Isso implicará em tirar o filé-mingon da Petrobras”, completou. Procurada, a assessoria da petrolífera informou que não tem informações sobre essa nova estatal.


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