Datas: a cidade mineira que conquistou o governador eleito Cleitinho
A cerca de 35 quilômetros de Diamantina, município reúne história do garimpo, Festa do Divino, produção de morangos, cachoeiras, trilhas e paisagens de altitude
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Há cidades mineiras que entram no roteiro pela fama. Outras são descobertas aos poucos, quase como um segredo compartilhado entre quem conhece bem as estradas do interior. Datas pertence ao segundo grupo.
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A pequena cidade da Serra do Espinhaço ganhou recentemente uma citação especial do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo. Na sabatina ao jornal Estado de Minas, ao falar sobre lugares do estado que costuma visitar, ele não escolheu um dos destinos mais conhecidos de Minas. Preferiu Datas. “Cara, eu vou muito para Datas. Eu amo aquela cidade aqui, é perto de Diamantina”, afirmou em entrevista.
Mas, para quem vive na cidade, a explicação para o carinho de Cleitinho vai muito além da proximidade com Diamantina ou dos atrativos turísticos. “Datas é uma cidade muito pequena, mas que tem uma riqueza, uma história cultural e natural gigante. É o diamante maior de Minas Gerais, como costumamos dizer”, afirma Augusto Vieira, secretário Municipal de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo.
Segundo ele, o governador eleito já incorporou hábitos do cotidiano local. “Ele gosta muito de tomar o nosso suco de morango colhido diretamente das nossas plantações. Frequenta as academias, as sorveterias da cidade”, conta.
Também é comum, segundo o secretário, encontrar Cleitinho caminhando pelas ruas, conversando com moradores ou sentado diante da Igreja Matriz do Divino Espírito Santo.
“Isso demonstra uma relação muito espontânea que ele tem com Datas. Aqui existe uma população muito acolhedora, respeitosa, que gosta de receber e tem orgulho da sua cidade”, diz Vieira.
Uma cidade pequena entre montanhas
Datas está localizada no Alto Jequitinhonha, na região da Serra do Espinhaço, a aproximadamente 35 quilômetros de Diamantina. O município tem cerca de 5,5 mil habitantes e pouco mais de 300 km² de área.
O próprio nome Datas remete à história da mineração. Durante o período colonial, “datas” eram lotes de terras concedidos para exploração mineral. A localidade se desenvolveu em meio ao ciclo do ouro e dos diamantes que transformou a região do Espinhaço.
Hoje, a relação com a terra ganhou novos significados. Além do turismo e da agricultura, Datas se destaca pela produção de morangos, atividade que se tornou uma das marcas do município.
A produção está entre as maiores de Minas Gerais e coloca Datas em posição de destaque no cultivo da fruta no estado, atrás principalmente dos municípios tradicionalmente produtores do Sul de Minas. As plantações aproveitam as características de altitude e clima da região e ajudam a movimentar a economia local.
Para quem visita a cidade, o morango também pode aparecer como experiência gastronômica, em doces, geleias, sobremesas e outros produtos artesanais.
“Quando falamos em turismo, o nosso grande cartão-postal é a Igreja Matriz do Divino Espírito Santo. É a nossa identidade, o nosso cartão de visitas”, explica Augusto Vieira.
Localizada no centro histórico, a igreja é cercada por construções preservadas que ajudam a compor o cenário típico das pequenas cidades históricas de Minas Gerais.
Outro patrimônio religioso é a Capela Nossa Senhora da Conceição, tombada pelo município.
O Divino como patrimônio cultural
Se a produção de morangos representa uma parte importante da Datas contemporânea, a Festa do Divino Espírito Santo ajuda a explicar a dimensão cultural e religiosa do município.
A celebração tradicional reúne moradores e visitantes em torno de missas, cortejos, manifestações de fé, música e encontros comunitários. A festa está profundamente ligada à identidade da cidade e transforma as ruas em espaços de convivência e devoção.
A Igreja do Divino Espírito Santo e a Praça do Divino estão entre as referências do centro urbano. É ali que o visitante pode perceber uma característica muito mineira: a relação entre religiosidade, tradição e vida comunitária.
A Festa do Divino também aproxima Datas de outras cidades históricas do interior de Minas onde festas religiosas se mantêm como importantes manifestações do patrimônio imaterial.
Mais do que um evento do calendário, a celebração é uma oportunidade para conhecer uma Datas que não aparece necessariamente nos cartões-postais: a cidade das famílias, das tradições transmitidas entre gerações e dos encontros em torno da fé.
“Enquanto secretário de cultura e turismo, eu me sinto muito feliz e muito grato de ver nossa cidade reconhecida pelo governador. E que as pessoas realmente possam nos conhecer e queiram estar mais presente em nossa cidade. Datas vai permanecer de portas e braços abertos para quem quiser nos visitar. E, saber que Datas tem esse lugarzinho especial no coração do nosso novo governador, nos enche de alegria, nos enche de emoção e torna tudo muito especial”, admira o secretário Vieira.
O que conhecer em Datas
Uma visita pode começar pelo centro da cidade, observando a arquitetura e os espaços ligados à religiosidade local.
Para quem gosta de natureza, Datas oferece alternativas que combinam montanha, água e formações rochosas.
Entre os atrativos da região estão a Cachoeira de Cubas, a Serra do Índio e a Lapa Pintada, onde pinturas rupestres acrescentam ao roteiro uma dimensão arqueológica.
A região de Cubas é especialmente interessante para quem procura contato com a natureza, enquanto as áreas serranas permitem caminhadas e contemplação das paisagens características do Espinhaço.
O turismo de Datas, portanto, não está concentrado em um único monumento. Está justamente na combinação entre pequenas construções históricas, manifestações religiosas, agricultura, vestígios arqueológicos e natureza.
Um roteiro que vai muito além da cidade
A grande vantagem de Datas para o viajante é sua localização estratégica. Quem se hospeda na região pode combinar a pequena cidade com alguns dos principais atrativos do entorno de Diamantina.
O primeiro deles é a própria Diamantina, reconhecida pela Unesco como Patrimônio Mundial. O centro histórico preserva ruas de pedra, igrejas, casarões e construções ligadas ao período da exploração dos diamantes.
Outro destaque é o Parque Estadual do Biribiri, localizado próximo a Diamantina. O parque reúne cachoeiras, formações rochosas e inscrições rupestres. Dentro da unidade está a Vila de Biribiri, antigo núcleo fabril cuja igreja e antigas casas dos trabalhadores permanecem preservadas.
A Cachoeira do Sentinela é um dos atrativos naturais que podem entrar no roteiro.
Para quem prefere experiências ligadas à geologia, a Gruta do Salitre é outra opção. A formação de quartzito apresenta cânions, paredões, fendas e vestígios de ocupação arqueológica. O local também recebe atividades como caminhada, escalada, rapel e boulder.
“Não queremos que a pessoa venha simplesmente passar por Datas. Queremos que ela viva Datas”, afirma.
A proposta é que o visitante caminhe pelo centro histórico, conheça a Matriz do Divino, sente na praça, converse com moradores, visite a Casa de Cultura, percorra a Rua Literária, conheça a biblioteca, o coreto, o Sítio do Picapau Amarelo, a capela, o portal, o balneário, as cachoeiras e as plantações de morango.
É justamente essa experiência cotidiana que, na avaliação do secretário, explica a relação de Cleitinho com o município.
“Ele não gosta de Datas apenas pelos nossos atrativos turísticos. Ele gosta de caminhar pela cidade, frequentar os estabelecimentos, os restaurantes, os bares, conversar com as pessoas, tomar o nosso suco de morango, sentar em frente à matriz”, afirma.
Para Vieira, o vínculo do governador eleito passa menos pelos cartões-postais e mais pela convivência.
“Datas tem essa característica. Você chega como visitante e muito rapidamente passa a se sentir parte daqui. E hoje eu acho que o nosso governador Cleitinho se sente parte daqui,” finaliza Augusto Vieira.
Caminhos históricos pela Serra do Espinhaço
A região ainda guarda caminhos que ajudam a entender como riquezas minerais eram transportadas pelo interior de Minas.
Um deles é o Caminho dos Escravos, trilha com trechos de calçamento construídos no século XIX e ligada ao transporte de diamantes na região.
Outra possibilidade é a Trilha Verde da Maria Fumaça, implantada sobre o antigo ramal ferroviário que ligava Diamantina a Corinto. O trecho histórico pode ser percorrido por caminhantes, ciclistas e cavaleiros.
Para quem tem mais tempo, vale ampliar o roteiro para os distritos e povoados da região, como São Gonçalo do Rio das Pedras, Milho Verde e Conselheiro Mata, cada um com paisagens, cachoeiras e características culturais próprias.
Uma Minas que se descobre sem pressa
Datas não tem a monumentalidade de Ouro Preto, a fama de Tiradentes ou o movimento turístico de Diamantina. E talvez esteja justamente aí seu charme.
É uma cidade para quem gosta de viajar sem pressa, observar a paisagem pela janela do carro, caminhar por uma praça pequena, conhecer uma igreja, experimentar produtos locais e seguir por uma estrada em direção a uma cachoeira.
A declaração de Cleitinho chama atenção justamente por revelar esse tipo de vínculo. Em vez de escolher um destino óbvio, ele apontou para uma cidade pequena, próxima de Diamantina, mas com identidade própria.
Entre a tradição da Festa do Divino, os campos de morangos, os antigos caminhos do garimpo, as cachoeiras, as pinturas rupestres e as montanhas da Serra do Espinhaço, Datas apresenta um retrato particular de Minas Gerais.
Um destino que talvez não esteja entre os primeiros nomes lembrados quando se fala em turismo mineiro, mas que pode ser justamente o tipo de lugar que o viajante procura quando quer descobrir uma Minas menos conhecida — e mais autêntica.
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