Minas Gerais já ocupa uma posição de destaque no turismo brasileiro, mas os números também revelam um mercado ainda com espaço para crescer, especialmente na atração de visitantes estrangeiros e na captação de grandes eventos. Em 2024, o Estado recebeu mais de 32 milhões de turistas. Desse total, cerca de 42,6 mil eram estrangeiros. O turismo representa quase 7% do PIB mineiro e responde por centenas de milhares de empregos formais.
É nesse cenário que representantes das candidaturas ao Governo de Minas apresentaram propostas para o setor durante o Encontro com Candidatos ao Governo de Minas Gerais – Pauta Setorial: Turismo e Eventos, realizado em Belo Horizonte. A iniciativa reuniu lideranças do trade para discutir caminhos para ampliar a competitividade do Estado, com temas como conectividade, infraestrutura, promoção, captação de eventos, internacionalização e desenvolvimento regional.
Participaram do encontro Mateus Simões (PSD), Gabriel Azevedo (MDB) e Flávio Roscoe (PL), além de Luís Eduardo Falcão, representando a chapa de Cleitinho Azevedo (Republicanos), e Jarbas Soares, representando a chapa de Patrus Ananias (PT). O encontro foi promovido pela Federação de Convention & Visitors Bureau de Minas Gerais (FCVB-MG), com apoio de entidades representativas do turismo e dos eventos.
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Gabriel Azevedo: uma carteira permanente para captar eventos
Entre as propostas apresentadas por Gabriel Azevedo, candidato ao governo de Minas, está a criação de uma carteira mineira de captação de eventos, com atuação permanente na prospecção de congressos, feiras, convenções e outras oportunidades.
A ideia apresentada é profissionalizar e dar continuidade à disputa por eventos que movimentam uma extensa cadeia econômica, incluindo hotéis, restaurantes, transportadoras, comércio, serviços e fornecedores especializados.
Em seu plano de governo, Azevedo também apresenta propostas relacionadas à profissionalização da gestão do turismo, estruturação de roteiros e circuitos regionais, fortalecimento dos consórcios e qualificação dos destinos. O documento ainda cita a possibilidade de transformar as estâncias hidrominerais mineiras em uma plataforma de turismo e serviços.
Mateus Simões: planejamento e integração entre regiões
Mateus Simões apresentou cinco propostas estruturantes para turismo e eventos. Uma delas é a criação de uma mesa permanente de interlocução entre governo, entidades do setor e diferentes territórios turísticos.
Outra frente é antecipar a atuação na captação de grandes eventos. A proposta inclui fam tours e ações com profissionais responsáveis pela escolha dos destinos, aproximando Minas de organizadores e compradores do mercado de eventos.
Simões também defendeu a criação de um calendário estadual de eventos, com datas planejadas para reduzir conflitos e melhorar o aproveitamento da infraestrutura disponível.
A adoção de métricas padronizadas para medir público, impacto econômico e resultados dos eventos está entre as propostas, assim como o fortalecimento das Instâncias de Governança Regionais (IGRs), considerando as características e demandas de cada região.
No plano de governo, o candidato também propõe articular turismo e cultura como eixo econômico, fortalecer a identidade de Minas como ativo de mercado, ampliar a captação de eventos e diversificar as rotas turísticas.
Luís Eduardo Falcão: redução de custos e competitividade
Representando a candidatura de Cleitinho Azevedo, Luís Eduardo Falcão concentrou sua apresentação na necessidade de reduzir custos para melhorar as condições de operação das empresas do setor.
A proposta apresentada defende medidas de desoneração como forma de aumentar a competitividade de Minas na atração de eventos e estimular produtores, empresas e profissionais que integram a cadeia turística.
A lógica é utilizar instrumentos tributários e de redução de custos para criar um ambiente mais favorável à realização de eventos e ao crescimento das atividades ligadas ao turismo.
Jarbas Soares: infraestrutura e novos produtos turísticos
Representando a candidatura de Patrus Ananias, Jarbas Soares defendeu maior protagonismo institucional para o turismo e propôs a separação das pastas de Turismo e Cultura, mantendo a articulação entre as duas áreas.
A infraestrutura apareceu como uma das principais frentes de sua apresentação. Entre os exemplos citados estão investimentos e duplicações de rodovias, especialmente nos acessos da Zona da Mata e na ligação entre Sete Lagoas e o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte.
Outra proposta é transformar ativos característicos de Minas, como cachaça, gastronomia e o patrimônio das regiões de cavernas, em produtos turísticos capazes de gerar novos fluxos de visitantes e negócios.
O plano de governo de Patrus Ananias trata o turismo como uma política de desenvolvimento regional sustentável e propõe maior integração entre Estado, municípios, cultura, patrimônio, meio ambiente, agricultura familiar, infraestrutura e economia criativa.
Flávio Roscoe: infraestrutura, divulgação, qualificação e segurança
Flávio Roscoe apresentou quatro eixos para o turismo: infraestrutura, divulgação, formação e qualificação profissional e segurança pública.
Na infraestrutura, o candidato destacou a necessidade de melhorar rodovias e fortalecer aeroportos regionais para facilitar o acesso aos destinos do interior. A conectividade aérea internacional também foi apontada como uma frente de expansão, com defesa de mais voos internacionais diretos a partir do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte.
Na promoção, Roscoe defendeu maior divulgação dos destinos mineiros, especialmente no mercado internacional. A avaliação apresentada é que comunicação e infraestrutura precisam avançar conjuntamente para ampliar a presença de Minas na disputa por turistas.
A qualificação profissional também aparece como eixo para o desenvolvimento do setor. Na área de segurança, Roscoe citou a ampliação do uso de câmeras com reconhecimento facial, incluindo locais turísticos e áreas de grande circulação. A desburocratização para realização de eventos também foi apresentada como uma medida para facilitar a atividade no Estado.
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Um desafio comum: transformar potencial em negócios
Apesar das diferenças entre as propostas, temas como infraestrutura, conectividade, promoção dos destinos, captação de eventos e desenvolvimento regional apareceram de diferentes formas nas apresentações.
O desafio é relevante porque Minas já possui uma forte demanda doméstica, mas ainda recebe uma parcela pequena de visitantes internacionais em relação ao seu potencial. Em 2024, os 42,6 mil turistas estrangeiros representaram crescimento de 10,6% sobre o ano anterior, mas o número continua pequeno diante do volume total de visitantes do Estado.
Os eventos também são apontados pelo trade como uma ferramenta para ampliar os fluxos turísticos, reduzir a sazonalidade e distribuir renda entre diferentes setores e regiões.
Para Karla Delfim, diretora de Comunicação e Marketing do Belo Horizonte Convention & Visitors Bureau, o turismo já movimenta a economia mineira, mas ainda existe espaço para ampliar sua participação. Segundo ela, políticas permanentes, investimentos, conectividade e promoção são necessários para que o Estado avance na atração de visitantes e eventos.
Trade apresenta agenda para até 2030
Durante o encontro, as entidades também entregaram aos representantes das candidaturas o “Compromisso Turismo Minas Gerais”, documento que reúne propostas e metas para o período de 2027 a 2030.
A agenda foi organizada em cinco eixos:
- Governança e Inteligência
- Acesso e Competitividade
- Mercado e Internacionalização
- Produto e Experiência
- Pessoas, Investimento e Sustentabilidade
A proposta do setor é estabelecer uma agenda de longo prazo para o turismo mineiro, independentemente das mudanças de governo, com foco em competitividade, profissionalização, promoção, infraestrutura e desenvolvimento regional.
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Para Thais de Oliveira Lima, presidente da FCVB-MG e vice-presidente do JFCVB, o turismo já possui peso significativo na economia de Minas e movimenta uma extensa cadeia produtiva. O desafio, segundo ela, é ampliar esse impacto, tendo os eventos como uma das ferramentas para atrair novos públicos, reduzir a sazonalidade e aumentar a circulação de recursos nos destinos.
