Na Suíça, a chegada do frio também é marcada por um espetáculo que mistura natureza, fé, cultura e tradição. Entre setembro e outubro, depois de cerca de quatro meses nos pastos das montanhas, os rebanhos descem dos Alpes para passar o inverno nos vales. É a Désalpe, uma das mais importantes festas da cultura alpina suíça.
As vacas são preparadas como verdadeiras protagonistas. Ganham flores coloridas, pequenos arranjos de abeto e enormes sinos presos a colares de couro trabalhado. À frente dos rebanhos seguem os amarillis, os pastores alpinos, vestidos com trajes tradicionais. O som dos sinos anuncia a passagem do cortejo pelas aldeias.
Mais do que uma festa, a Désalpe simboliza o encerramento de um ciclo. É o retorno seguro dos animais depois de uma temporada nas montanhas e uma celebração do trabalho dos produtores rurais, da vida nos Alpes e dos produtos que nascem dessa tradição, especialmente os queijos de montanha.
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Onde acontece
Charmey, no cantão de Friburgo, é uma das celebrações mais famosas. A festa reúne milhares de pessoas, com desfile de rebanhos, mercado de artesanato, produtos locais, queijos alpinos e música folclórica. Em 2026, a Désalpe de Charmey está marcada para 26 de setembro.
Saint-Cergue, no cantão de Vaud, realiza uma das maiores Désalpes da região do Arco do Lago de Genebra. Cerca de oito a nove rebanhos, com mais de 400 bovinos enfeitados, participam do cortejo. A edição de 2026 também acontece em 26 de setembro.
Albeuve e Semsales, no cantão de Friburgo, também transformam a descida dos rebanhos em grandes encontros culturais, com música, gastronomia, artesanato e produtos do território. Albeuve realiza sua festa em 3 e 4 de outubro de 2026.
Em L’Etivaz, no cantão de Vaud, a tradição se conecta diretamente à produção do famoso queijo de montanha. A Désalpe de 2026 acontece em 26 de setembro, com desfile dos rebanhos, demonstrações de fabricação de queijo, degustações e mercado artesanal.
Jaun também mantém viva a tradição alpina, embora sua celebração seja especialmente ligada à descida de ovelhas e à tradicional feira anual. Em 2026, acontece em 21 de setembro.
Uma Suíça que preserva suas raízes
A Désalpe revela uma face da Suíça que não aparece apenas nos cartões-postais. É uma celebração de um modo de vida transmitido entre gerações, no qual os Alpes, os animais, o queijo, os trajes, os sinos e a música fazem parte de uma mesma identidade.
Quando as vacas descem das montanhas, a Suíça celebra mais do que o fim do verão. Celebra a própria memória.
E talvez esteja aí uma das maiores belezas do país: em meio à modernidade, aos relógios de precisão e às cidades cosmopolitas, algumas tradições continuam sendo tratadas quase como sagradas — porque representam aquilo que o tempo não conseguiu apagar.
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