Durante anos, o nome Mina de Águas Claras, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, esteve associado à preocupação. Após o encerramento das atividades de mineração, a área passou a integrar a lista de locais monitorados devido às estruturas de contenção de rejeitos, despertando apreensão entre moradores da região e tornando-se um símbolo dos desafios deixados pela mineração em Minas Gerais.

Hoje, esse mesmo território escreve um novo capítulo de sua história.

Entre os dias 24 e 26 de julho, a antiga mina da Vale, antes inacessível ao público, será transformada em um grande palco para o esporte de aventura durante a segunda edição do XTERRA Mina de Águas Claras 2026, promovido pela X3M. O evento representa muito mais do que uma competição: é um exemplo de como áreas degradadas podem ser ressignificadas, permitindo que a população volte a ocupar espaços antes vistos apenas como áreas de risco.

A paisagem impressiona justamente pelo contraste. Onde antes predominavam escavações, máquinas e a intensa atividade mineral, hoje a vegetação avança sobre parte do terreno, formando um cenário que combina paredões rochosos, lagos, trilhas e áreas de mata em regeneração. A recuperação natural da área revela que, quando há planejamento e respeito ao meio ambiente, a terra também encontra caminhos para renascer.

A parceria entre a X3M e a Vale começou em 2025, quando a Mina de Águas Claras recebeu, pela primeira vez, uma etapa do XTERRA Brasil. A iniciativa marcou a abertura do espaço para um grande evento esportivo e inaugurou uma nova forma de olhar para um dos locais mais emblemáticos da história da mineração mineira.

Agora, em sua segunda edição, o evento reforça essa transformação ao reunir milhares de atletas em um ambiente que durante décadas permaneceu fechado ao público. Mais do que uma corrida, a competição simboliza a mudança de vocação de um território que deixa de ser lembrado apenas pela exploração mineral para se tornar referência em turismo de natureza, esporte e lazer.

"O esporte tem o poder de transformar a relação das pessoas com os lugares. Quando levamos uma experiência como o XTERRA para um espaço tão simbólico como a Mina de Águas Claras, criamos uma nova forma de conexão com esse ambiente, valorizando sua história, sua natureza e seu potencial como destino. Na X3M, acreditamos que grandes eventos precisam ir além da competição. Eles devem gerar experiências, movimentar comunidades e deixar um legado positivo por onde passam", afirma Bernardo Fonseca, fundador e CEO da X3M.

Uma mina que agora desafia atletas

A etapa de Nova Lima é considerada uma das mais singulares do circuito XTERRA Brasil. O percurso atravessa uma área que, até pouco tempo atrás, era de acesso extremamente restrito. Os atletas passam por trilhas técnicas, grandes desníveis, estradas abertas pela mineração e trechos cercados por vegetação em recuperação, vivenciando uma experiência rara até mesmo para quem mora em Minas Gerais.

O cenário recebe provas de Duathlon Sprint, Mountain Bike e Trail Run, combinando altimetria exigente, terrenos variados e uma paisagem que evidencia a convivência entre a memória da mineração e a força da natureza.

Mais do que superar desafios físicos, os participantes percorrem um território que simboliza a capacidade de transformação de áreas antes consideradas inviáveis para o convívio social.

A força do turismo esportivo

A expectativa para este ano é reunir 2.500 atletas, um crescimento significativo em relação aos 1.515 participantes da edição de 2025.

Os números mostram a força do turismo esportivo em Minas Gerais. Cerca de 85% dos inscritos são mineiros, enquanto competidores de diferentes estados escolhem a etapa justamente pela oportunidade de competir em um cenário único.

O crescimento também aparece na diversidade do público. A expectativa é que o número de mulheres participantes salte de 475 para 700 atletas, enquanto a prova infantil passe de 67 para cerca de 100 crianças. A idade média dos competidores também aumenta, de 38,6 para 40,8 anos, demonstrando que os esportes de natureza conquistam públicos cada vez mais amplos.

Além do impacto esportivo, o XTERRA movimenta hotéis, restaurantes, transporte, comércio e serviços de Nova Lima e da Região Metropolitana de Belo Horizonte, fortalecendo a economia local e consolidando Minas Gerais como um dos principais destinos brasileiros para o turismo de aventura.

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Mais do que uma competição, a etapa de Águas Claras representa um símbolo de transformação. Um território que durante anos despertou preocupação agora recebe famílias, atletas e visitantes. Uma antiga cicatriz da mineração passa a ser ocupada por pessoas, esporte e natureza, provando que, quando há recuperação ambiental e novos usos para o espaço, a terra devastada também pode florescer novamente.

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