CURIOSIDADE

Cone de pedra de 40 metros com cratera no topo intriga cientistas há quase 80 anos

Pesquisa descarta impacto de meteorito e mostra como gases profundos combinados ao gelo do permafrost moldaram a colossal estrutura de Patom

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Uma formação rochosa de 40 metros de altura e cerca de um milhão de toneladas, isolada na taiga da Sibéria Oriental, ganhou uma nova explicação científica. O geofísico Dmitry Demezhko, do Instituto de Geofísica de Ecaterimburgo, descartou a queda de um corpo celeste e apontou que a elevação surgiu pela combinação de gases profundos com o congelamento do solo.

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Apresentada na revista "Doklady Earth Sciences" em julho de 2025, a tese propõe que fraturas causadas por pressões internas permitiram a infiltração de água, que depois congelou no permafrost. O monumento geológico do platô de Patom segue sem um consenso definitivo quase oito décadas após ser documentado pela primeira vez.

Origem e características da estrutura

O geólogo Vadim Kolpakov identificou a estrutura em 1949 durante um trabalho de mapeamento no distrito de Bodaibo, no norte da região de Irkutsk. O monte mede 160 metros de largura na base e exibe no topo uma depressão com uma elevação central, formando um anel visível do alto que contrasta com a vegetação ao redor.

O bloco é composto principalmente por pedras calcárias claras, misturadas em alguns pontos com arenito e xisto. A datação dos anéis das árvores que crescem nas encostas indica que a estrutura tem cerca de 500 anos, ou até mais tempo de existência.

Hipótese de impacto cósmico descartada

A hipótese inicial de Kolpakov sobre um meteorito guiou expedições durante décadas, mas os pesquisadores nunno loca acharam evidências desse evento cal. Faltam fragmentos de metais característicos e não existem minerais deformados pela violência do choque.

A disposição interna em camadas circulares reforça a ideia de uma formação lenta e progressiva, contrariando o efeito imediato da colisão de um meteoro. No início da década de 2010, especialistas sugeriram outro processo: fluidos aquecidos e ricos em dióxido de carbono teriam subido por fendas profundas ligadas a magma oculto, transformando o arenito em carbonato.

Atuação de gases e permafrost

O estudo recente sustenta que emissões de gás criaram fendas verticais no terreno rochoso. Muito tempo depois, a água da chuva e do degelo ocupou essas aberturas, e a ação do gelo permanente moldou a superfície.

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A presença do permafrost nessa encosta foi confirmada por medições de gravidade, que detectaram uma variação negativa de 0,6 miligal no ponto exato da elevação. Testes eletromagnéticos identificaram arenito com grafite, material de alta condutividade elétrica, sob o solo da taiga de Bodaibo.

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