Vinho perde espaço entre consumidores, e diretor de vinícola espanhola analisa a queda inesperada que traz as mudanças de preferência para o centro do debate
Carlos Villar explica a busca por equilíbrio nas taças; vinícola centenária investe em qualidade e altitude para conquistar novos paladares
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Fundada em 1927 por onze viticultores em Peñafiel, a Bodegas Protos mantém suas galerias históricas sob o castelo da cidade, com instalações projetadas por Richard Rogers e Alonso Balaguer. Carlos Villar comanda a vinícola desde 2009, representando a quarta geração de uma família que iniciou a atividade em Toro no ano de 1920.
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Mesmo com a retração no consumo de vinho e as mudanças do clima, a empresa mantém números positivos. No ano anterior, o consumo da bebida na Espanha recuou 5,2%, enquanto a Protos cresceu 3,5% em volume e 3,5% em valor. No período recente, a marca avançou 3,1% em valor e 2% em volume, em um mercado com quedas próximas a 7%.
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Mudança de hábitos no consumo
Carlos Villar explica que grupos como os baby boomers e a geração X priorizam a saúde e o bem-estar físico: optam por reduzir o volume consumido para priorizar garrafas de maior valor. O executivo também avalia que o público jovem busca comer e beber bem socialmente, mas demora mais para ingressar no mercado de trabalho e obter salários elevados.
O perfil atual de preferência exige equilíbrio, harmonia e facilidade ao beber, sem a madeira secante de períodos anteriores. Para o gestor, o teor alcoólico de 14,5 graus não prejudica a qualidade se estiver bem integrado às características do vinho.
Adaptação climática e monitoramento
Diante do clima extremo de Ribera del Duero e de safras com calor intenso, a vinícola avalia áreas de maior altitude, como em Soria. A empresa digitalizou mais de 3.000 parcelas para monitorar dados específicos: localização, clone plantado, ano de plantio, orientação solar, altitude, manejo e histórico de qualidade.
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Na colheita recente, o setor acumulou cerca de 123 milhões de quilos de uva, contra aproximadamente 129 milhões no ano anterior. Metade das vinhas utilizadas pertence à Protos ou a seus sócios, enquanto a outra parte vem de viticultores parceiros que recebem remuneração acima da média regional. O acervo histórico da companhia reúne duas garrafas da safra de 1927 e reservas com até 30 anos de guarda.