Gastronomia

Devemos parar de comer alface? Entenda por que a folha virou vilã da dieta

Além de pouco nutritiva, a alface está ligada a contaminações e desperdício; veja os argumentos para cortar a folha do seu cardápio

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A alface pode ser uma vilã na sua mesa, e não apenas pelo baixo valor nutritivo. A folha está diretamente ligada a surtos de doenças e a um significativo desperdício de recursos. Recentemente, um parasita chamado Cyclospora, transmitido por fezes humanas, causou um grande surto de diarreia nos Estados Unidos, chamada popularmente de “diarreia explosiva”, provavelmente por meio de alface.

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Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), as folhas verdes são a categoria de alimentos que mais causa doenças. Uma análise de 2024 revelou que a alface foi a fonte de aproximadamente 1,7 milhão de casos de intoxicação alimentar por ano, com um custo econômico de US$ 3,7 bilhões, de acordo com dados divulgados pelo jornal “The Washington Post”.

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O risco é maior porque a maioria dos patógenos que nos adoece não sobrevive ao cozimento, e a alface é geralmente consumida crua.

Pouca nutrição e muita água

O valor nutricional da alface também é questionável. A folha é composta por cerca de 95% de água. Para comparação, o brócolis, com 90% de água, possui o dobro de matéria vegetal. Isso significa que a maior parte do peso da alface é apenas água refrigerada transportada da fazenda para a mesa.

O consumo médio diário de 14 gramas de alface por americanos fornece apenas 0,25 grama de fibra, um pouco de potássio e cerca de 9% da recomendação diária de vitamina A. Além disso, muitos pratos com a folha levam acompanhamentos calóricos e pouco nutritivos, como croutons e molhos gordurosos, ressaltou a colunista Tamar Haspel, do “Washington Post”.

Desperdício e impacto ambiental

O desperdício é outro ponto crítico. O Departamento de Agricultura dos EUA estima que a quantidade de alface jogada fora é a mesma que a consumida: anualmente, 1,5 bilhão de quilos são comidos e outro 1,5 bilhão vão para o lixo.

Cultivar, armazenar e transportar a hortaliça também gera uma pegada de carbono considerável. A produção dos 3 bilhões de quilos de alface emite 2,7 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono, o equivalente a mais de meio milhão de carros.

Nos EUA, o cultivo ocupa 375 mil acres, uma área que poderia ter outros usos. Por exemplo, como a alface cresce em locais ensolarados, esse terreno poderia ser usado para gerar energia solar. Um acre de painéis solares pode fornecer 400 megawatts-hora por ano, e 270 mil acres seriam suficientes para abastecer quase 10 milhões de lares.

Apesar de ser um alimento de baixa caloria que pode ajudar a dar volume às refeições, o papel da alface em um sistema alimentar que busca melhorar a saúde humana e reduzir o impacto ambiental precisa ser reavaliado.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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