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Por que a praia de Boa Viagem, em Recife, tem tantos tubarões?

Conheça os fatores ambientais e humanos que levaram ao aumento dos ataques de tubarão no litoral de Pernambuco nas últimas décadas

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A alta concentração de tubarões na praia de Boa Viagem, em Recife, voltou a ser notícia em junho de 2026 com novos incidentes, mas não se trata de um fenômeno natural ou um acaso. É o resultado direto de uma combinação de alterações ambientais e intervenções humanas que, ao longo das últimas décadas, transformaram o litoral da capital pernambucana em uma área de risco.

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Esses incidentes, que se intensificaram a partir de 1992, estão ligados principalmente a dois fatores históricos. O primeiro e mais significativo foi a construção do Complexo Industrial Portuário de Suape, ao sul de Recife. A obra, iniciada na década de 1980, suprimiu estuários e áreas de mangue que serviam como berçário para diversas espécies marinhas e rota de migração para os tubarões. Desde o primeiro registro, já foram contabilizados 84 incidentes em todo o estado de Pernambuco até junho de 2026.

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Com seu habitat e rota natural bloqueados, os animais foram forçados a procurar novos locais para caçar e se reproduzir. O litoral de Recife, localizado ao norte do porto, tornou-se a nova área de passagem e alimentação para espécies como o tubarão-tigre e o tubarão-cabeça-chata.

Um rastro que atraiu predadores

Um segundo fator, frequentemente apontado por especialistas, foi a possível influência de um antigo matadouro localizado às margens do rio Jaboatão. O descarte de sangue e restos de animais diretamente no rio teria criado um rastro de cheiro que se estendia até o mar, atraindo os tubarões para perto da costa e condicionando-os a associar a área com alimento fácil.

Apesar de o matadouro ter sido desativado, especula-se que o comportamento animal possa ter sido influenciado por esse longo período de oferta de comida, mantendo os predadores na região por hábito ou memória ambiental.

A geografia submarina da praia

A própria geografia da praia de Boa Viagem contribui para o risco. Existe um canal submarino profundo muito próximo da orla, que funciona como uma via natural para o deslocamento dos tubarões. Além disso, a foz de rios como o Capibaribe e o Jaboatão lança matéria orgânica no mar, atraindo suas presas. Durante a maré alta, a água cobre os arrecifes que formam uma barreira de proteção, permitindo que os animais cheguem ainda mais perto da área dos banhistas.

Essa combinação de fatores transformou um ambiente que antes era equilibrado em um ponto de encontro perigoso entre humanos e predadores. Os ataques na região são atribuídos principalmente às duas espécies mencionadas: o tubarão-cabeça-chata, conhecido por sua agressividade e adaptação a águas com baixa salinidade, e o tubarão-tigre, um predador de grande porte e comportamento curioso.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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