Engenheiro da OpenIA é preso após instalação de dispositivo de gravação na empresa, e o caso reacende um debate sobre segurança interna e riscos de espionagem na tecnologia
Detenção de ex-colaborador acusado de instalar escuta na criadora do ChatGPT expõe os novos desafios de proteção do Vale do Silício no setor de IA
compartilhe
O cidadão saudita Abdulrahman Alfozan, ex-engenheiro da OpenAI, foi detido sob a acusação de instalar um dispositivo de gravação na sede da empresa. O Departamento de Justiça informou que o aparelho foi colocado no dia 28 de setembro e encontrado dois dias depois durante uma checagem de segurança. A companhia demitiu Alfozan logo após o incidente.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Alfozan concluiu estudos no Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), trabalhou na Meta e morou nos Estados Unidos por mais de uma década. Registros judiciais revelaram que ele, sua esposa e outro parente reservaram passagens só de ida para a Arábia Saudita, com partida prevista para 12 de outubro a partir de São Francisco.
Leia Mais
Debate sobre contratações e espionagem
O caso provocou discussões sobre os riscos da força de trabalho internacional no Vale do Silício. Executivos como Palmer Luckey, da fabricante Anduril, e Shaun Maguire, da Sequoia Capital, afirmaram na rede X que as companhias de tecnologia precisam priorizar a contratação de cidadãos norte-americanos para combater vulnerabilidades.
Representantes do setor sustentam que a disputa pela liderança da inteligência artificial exige buscar talentos globais. Em abril, Katrina Mulligan, integrante da equipe de segurança nacional da OpenAI, defendeu no Capitólio uma via rápida de cidadania para esses profissionais. Mulligan destacou que apenas metade dos 300 principais pesquisadores de ponta no mundo é norte-americana.
Investigações e ligações governamentais
Alfozan não responde a acusações de espionagem formal, mas a seção de Contrainteligência e Controle de Exportações da Divisão de Segurança Nacional atua no processo. O diretor de Inteligência Nacional, Jay Clayton, declarou que os órgãos de segurança mantêm o foco em barrar ameaças externas.
A trajetória pública de Alfozan registra vínculos com autoridades sauditas. Ele atua como sócio na firma RAED Ventures, ligada ao príncipe Khalid bin Bader al Saud. Alfozan também relatou em um podcast que conheceu o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman durante uma visita corporativa aos Estados Unidos.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Supervisão no setor tecnológico
No Congresso, os senadores Jim Banks e Kirsten Gillibrand apresentaram em setembro uma proposta legislativa que obriga fornecedores de inteligência artificial do Pentágono a detalharem métodos de triagem de funcionários e incidentes suspeitos. Simultaneamente, fornecedores de segurança física como a HiveWatch relatam que as empresas ampliaram ferramentas tecnológicas para identificar padrões incomuns em seus escritórios.