Hotmart Fire: especialistas defendem autenticidade para crescer nas redes
Segundo dia de Hotmart Fire é marcado pela presença de especialistas que apontam que a marca bem posicionada no mercado une identidade, estratégia e constância
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O que faz uma marca ou um criador de conteúdo se destacar em meio a uma internet cada vez mais disputada? Para especialistas reunidos no segundo dia da Hotmart Fire 2026, realizado nesta quinta-feira (11), a resposta passa menos por fórmulas prontas e mais por autenticidade, estratégia e capacidade de acompanhar as mudanças no comportamento do público.
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Ao longo da programação, profissionais de criação de conteúdo, marketing e branding discutiram os desafios de construir autoridade e transformar presença digital em relacionamento com a audiência. Em comum, as falas apontaram que estar nas redes não significa apenas publicar com frequência: é preciso entender para quem se fala, encontrar uma identidade própria e manter uma presença constante.
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Um dos pontos levantados foi justamente a velocidade com que os hábitos do público mudam. Para Igor Coelho, quem trabalha com conteúdo precisa acompanhar de perto os movimentos da audiência, independentemente do tamanho do canal.
“O grande segredo é entender a movimentação da audiência”, afirmou. Na avaliação dele, o crescimento dos vídeos verticais é um exemplo de como os formatos de consumo se transformam. Por isso, adaptar conteúdos mais longos para vídeos curtos ou criar materiais específicos para esse formato pode ajudar a levar a mensagem até onde o público está.
A estratégia, porém, não significa simplesmente correr atrás de toda tendência que surge. Igor ressalta que o formato escolhido precisa estar alinhado ao comportamento de quem consome aquele conteúdo. Caso contrário, mesmo uma boa mensagem pode não alcançar a audiência desejada.
Conteúdo antes da venda
Para João Paulo Martins, fundador e CEO da Hashtag Treinamentos, a produção de conteúdo também ocupa um papel central na construção de uma marca. A proposta, segundo ele, é entregar gratuitamente ao público um material que realmente tenha valor.
“Eu sempre brinco que a sua produção de conteúdo gratuita tem que ser tão grande a ponto das pessoas pensarem: ‘se eu consigo aprender tudo isso de graça com eles, por que eu precisaria pagar por um curso ou pagar por outra solução?’”, contou.
A lógica está diretamente relacionada à construção de confiança. Quando o conteúdo gratuito consegue ajudar o público, a pessoa pode passar a buscar uma solução mais estruturada oferecida pela própria empresa.
O comportamento do consumidor, no entanto, não é estático. João Paulo lembra que estratégias que funcionavam alguns anos atrás podem perder força rapidamente. Por isso, empreendedores precisam saber identificar tendências sem abandonar princípios que continuam relevantes, como produzir conteúdo de qualidade e cuidar da experiência do cliente.
“É importante demais entender a forma de vender e entender que essa forma muda”, afirmou.
Na prática, a recomendação para quem está começando é olhar para o próprio negócio e identificar o que pode ser produzido para gerar uma transformação real na vida de quem acompanha a marca. A preocupação, portanto, deve ir além do alcance de uma publicação e considerar o valor que aquele conteúdo entrega.
Autenticidade como diferencial
Em um cenário no qual diferentes criadores podem reproduzir os mesmos formatos e tendências, a identidade pessoal ganha ainda mais importância. É o que defende Rafa Xavier, que ensinou milhares de profissionais sobre beleza negra por meio da metodologia de tranças.
Para ela, acompanhar outros criadores pode ser uma fonte de inspiração, mas também pode levar empreendedores a perder de vista o próprio caminho. A saída é entender o propósito do negócio, o público e o motivo pelo qual aquele projeto existe.
“Quanto mais você conhece o seu propósito, o seu negócio, porque você está fazendo, qual é o cliente que você tem, mais você consegue focar no seu próprio processo”, explicou.
Rafa também destaca que a tecnologia pode ajudar a reduzir a sobrecarga de quem começa a empreender. Ferramentas de automação, por exemplo, podem auxiliar no atendimento e na comunicação com clientes, permitindo que o empreendedor administre um volume maior de demandas sem largar a uma relação humanizada.
A tecnologia, porém, aparece como ferramenta, e não como substituta da identidade de quem está por trás do negócio.
A internet está cansada da perfeição
Para o publicitário e criador de conteúdo Misha Menezes, outro movimento pode favorecer quem aposta em autenticidade: o desgaste provocado pelo excesso de conteúdos perfeitos.
Ele lembra que, principalmente entre 2022 e 2023, ganhou força uma produção altamente elaborada, com equipamentos profissionais e uma preocupação constante com a aparência do conteúdo. Com a expansão da inteligência artificial, Misha avalia que a internet passou a conviver com uma quantidade ainda maior de materiais visualmente impecáveis.
Nesse cenário, mostrar a personalidade pode ser um diferencial.
“Eu acredito que a pessoa que conseguir imprimir a personalidade dela própria na produção de conteúdo sempre vai crescer mais rápido”, afirmou.
Para ele, compartilhar vulnerabilidades e experiências também ajuda a criar autoridade. Uma das estratégias sugeridas é dedicar 30 dias à produção de conteúdos baseados em histórias vividas na vida pessoal ou profissional, contando aprendizados, erros e acertos.
A proposta é diminuir a pressão pela perfeição e fazer com que o conteúdo parta da experiência de quem o produz. Em vez de repetir uma fórmula, o criador passa a mostrar como ele próprio faz determinada atividade.
Uma nutricionista, por exemplo, poderia trocar um conteúdo genérico sobre alimentação por um vídeo mostrando como organiza as próprias refeições. Uma dentista, em vez de apenas ensinar uma técnica, pode mostrar como ela mesma realiza aquele cuidado.
“Esse conteúdo já traz mais proximidade, gera uma autoridade imediata. Ninguém consegue copiar porque é a forma que aquele profissional faz”, disse Misha.
Marca forte se constrói com o tempo
A autenticidade pode aproximar o público, mas a construção de uma marca forte exige também continuidade. É o que explica Beatriz Guarezi, especialista em branding e criadora da plataforma Bits to Brands.
Para ela, uma marca que permanece na memória não é necessariamente aquela que aparece mais, mas a que consegue construir conexões ao longo do tempo.
“O que diferencia uma marca comum de uma marca que vai estar presente é a capacidade que essa marca tem de capturar a atenção das pessoas a ponto de construir memórias com elas”, afirmou.
Essa lembrança é formada por uma série de contatos com a marca: uma propaganda, uma recomendação, uma experiência ou até mesmo uma memória de infância. Isoladamente, cada contato pode parecer pequeno, mas, com o tempo, contribui para formar uma percepção sobre aquela empresa.
Por isso, Beatriz aconselha marcas que estão começando a não tentar reproduzir, em escala menor, tudo aquilo que grandes empresas fazem. Em vez de estar em vários canais sem conseguir se dedicar de fato a nenhum, o empreendedor deve identificar onde tem mais facilidade e concentrar esforços.
“Eu escolheria, ao invés de fazer um pouquinho de várias coisas, tentar encontrar qual é o canal que você tem mais facilidade, que você tem mais aptidão e fazer aquilo com muito volume e muita qualidade”, explicou.
Repertório vai além das redes
Para encontrar uma identidade própria, também é necessário buscar referências fora do próprio segmento. Beatriz defende que empreendedores não olhem apenas para concorrentes, mas observem os interesses do público e as referências que fazem parte da vida dele.
Entre as possibilidades estão música, esporte, moda, entretenimento e outros ambientes frequentados pelo consumidor. A construção de repertório, segundo ela, pode ajudar a criar uma comunicação menos previsível e mais conectada com diferentes universos.
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“As marcas mais interessantes e as pessoas mais apaixonadas pelos seus negócios são aquelas que conseguem fazer isso a partir de vários interesses”, afirmou.