MATÉRIA ESCURA

Sensores de xenônio líquido captam anomalia rara em laboratório dos EUA

Tecnologia ultra-sensível operada em instalação subterrânea a 1,5 km de profundidade usa dez toneladas do elemento químico para isolar o ruído da radiação cósmica da Terra

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Cientistas que operam um dos detectores de partículas mais sensíveis do mundo, nos Estados Unidos, registraram um sinal atípico que pode abrir novos caminhos na busca pela matéria escura. A anomalia foi captada pelo experimento LUX-ZEPLIN (LZ), localizado a 1,5 km de profundidade para isolar o equipamento da radiação cósmica que bombardeia a superfície da Terra.

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A detecção é considerada promissora por pesquisadores da área, embora a natureza exata do sinal ainda seja um mistério. Os resultados foram apresentados em setembro de 2026 na conferência TeV Particle Astrophysics no Japão. O equipamento foi projetado para encontrar partículas de matéria escura, e o evento registrado, embora único, possui características consistentes com as de um tipo de partícula teórica de matéria escura, gerando novas investigações sobre sua origem.

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O que é o experimento LUX-ZEPLIN?

O LUX-ZEPLIN (LZ) é um detector de partículas de última geração, resultado de uma colaboração internacional de aproximadamente 250 cientistas de 39 instituições. Desenhado especificamente para a busca direta pela matéria escura e instalado no Sanford Underground Research Facility, na Dakota do Sul, seu objetivo é identificar interações raras que possam revelar a natureza dessa substância invisível que compõe a maior parte da massa do universo.

Como o detector funciona?

O coração do experimento é um tanque de titânio preenchido com dez toneladas de xenônio líquido ultra-puro. A teoria é que, quando uma partícula de matéria escura colide com um átomo de xenônio, ela produz dois sinais distintos: um pequeno flash de luz e uma nuvem de elétrons.

Sensores extremamente sensíveis, posicionados no topo e na base do tanque, são capazes de capturar esses dois sinais quase simultaneamente. A análise dessa dupla assinatura permite aos cientistas diferenciar uma possível interação de matéria escura de outros tipos de partículas ou ruídos de fundo.

Qual anomalia foi captada pelos sensores?

Durante a análise dos dados coletados, os pesquisadores observaram um único evento com características consistentes com um recuo nuclear de alta energia (aproximadamente 248 keV), em uma região onde a expectativa de ruído de fundo é baixa. Este evento isolado representa a anomalia.

Embora o sinal possua características compatíveis com WIMPs (Partículas Massivas de Interação Fraca), trata-se de apenas um único evento com significância estatística de 2,6-sigma, bem abaixo do limiar de 5-sigma necessário para reivindicar uma descoberta. A origem do sinal é desconhecida, e as hipóteses em estudo incluem desde fontes de ruído de fundo ainda não compreendidas até a possibilidade de ser uma nova partícula ou um tipo de interação física nunca antes observada. Caso seja confirmado como matéria escura, o evento sugeriria um WIMP com massa de pelo menos 200 GeV/c², ou cerca de 200 vezes a massa de um próton.

Por que a busca pela matéria escura é importante?

A matéria escura é um dos maiores enigmas da física moderna. Embora sua existência seja indicada pelos efeitos gravitacionais que exerce sobre galáxias e estrelas, ela não emite, absorve ou reflete luz, tornando-se invisível. Entender sua composição poderia revolucionar a cosmologia e a física de partículas.

Estima-se que a matéria escura corresponda a cerca de 85% de toda a matéria do universo, enquanto a matéria comum, que forma tudo o que vemos, representa o restante. A busca por essa substância é fundamental para completar nosso mapa do cosmos.

Quais os próximos passos da pesquisa?

A equipe do LUX-ZEPLIN agora se concentra em analisar os dados com ainda mais rigor para tentar identificar a fonte do sinal anômalo. O processo envolve a calibração minuciosa dos sensores e a revisão de todos os modelos de ruído de fundo conhecidos. Apenas após descartar todas as outras possibilidades, os cientistas poderão considerar a descoberta de uma nova física.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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