A cerca de um mês do primeiro turno das eleições gerais de 2026, marcado para 4 de outubro, a segurança da urna eletrônica volta a ser tema central do debate público. O sistema já passou por duas etapas decisivas de verificação: em dezembro de 2025, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) promoveu o Teste Público de Segurança (TPS) da urna eletrônica, evento em que especialistas em tecnologia executaram 35 planos de ataque na tentativa de encontrar falhas no sistema de votação.

Três achados de segurança foram identificados, mas nenhum comprometeu a integridade ou o sigilo do voto, e as correções necessárias já foram validadas em maio de 2026, na etapa complementar conhecida como Teste de Confirmação, encerrada com a confirmação de que nenhuma das fragilidades apontadas afeta a confiabilidade do pleito de outubro.

O que são os Testes Públicos de Segurança da urna?

Os Testes Públicos de Segurança são simulações de ataques hackers controlados, organizados pela Justiça Eleitoral. O objetivo é permitir que especialistas independentes examinem o código-fonte e tentem encontrar falhas no sistema eletrônico de votação, contribuindo para seu aprimoramento e para a transparência do processo.

Realizada desde 2009, a iniciativa está em sua oitava edição, com eventos anteriores ocorrendo em 2012, 2016, 2017, 2019, 2021 e 2023. Todas as descobertas feitas pelos participantes são documentadas e as equipes técnicas do TSE trabalham para corrigi-las antes do pleito oficial.

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Como funcionam os testes hackers na prática?

O processo é dividido em etapas claras e ocorre meses antes das eleições para garantir tempo hábil para correções. Os investigadores seguem um cronograma rigoroso que envolve desde a análise dos componentes internos da urna até a execução dos planos de ataque. O funcionamento se dá da seguinte forma:

  1. Inscrição e seleção: especialistas e grupos de todo o país se inscrevem e enviam seus planos de ataque para análise do TSE.

  2. Acesso ao código-fonte: os selecionados ganham acesso antecipado aos códigos e sistemas que serão usados na votação, permitindo um estudo aprofundado.

  3. Execução dos ataques: durante o evento, os participantes têm dias para colocar seus planos em prática em um ambiente controlado e com acesso físico às urnas.

  4. Relatório e correção: ao final, todas as tentativas, bem-sucedidas ou não, são registradas. As falhas encontradas são publicadas, e as soluções são implementadas.

  5. Teste de Confirmação: meses após o evento principal, como ocorreu em maio de 2026, os investigadores que encontraram vulnerabilidades retornam para verificar se as correções implementadas pelo TSE foram eficazes.

Quem pode tentar invadir a urna eletrônica?

A participação é aberta a qualquer cidadão brasileiro maior de 18 anos, mas o foco é em especialistas com conhecimento avançado em tecnologia da informação, segurança de sistemas e computação. Investigadores individuais, universidades e empresas privadas costumam formar a maior parte dos inscritos.

Para participar, é necessário realizar uma pré-inscrição e apresentar um "plano de ataque" detalhado, explicando quais metodologias e técnicas serão usadas para testar a segurança do sistema de votação.

Quais são as principais camadas de proteção digital?

O sistema eleitoral brasileiro possui múltiplas barreiras para impedir fraudes e ataques cibernéticos. Essas camadas são justamente o alvo dos especialistas durante os testes. Entre os mecanismos de defesa, destacam-se:

  • Criptografia e assinatura digital: todos os dados, como os votos e a identificação dos eleitores, são embaralhados por códigos complexos. Cada software da urna é assinado digitalmente, o que impede a execução de programas não autorizados.

  • Hardware específico: o sistema da urna foi projetado para rodar apenas no equipamento físico da urna eletrônica, dificultando a adulteração por softwares maliciosos em outros computadores.

  • Rede isolada: as urnas não se conectam à internet. A transmissão dos resultados é feita por uma rede privada e segura da Justiça Eleitoral.

  • Auditoria aberta: o código-fonte fica disponível para análise de diversas entidades, como partidos políticos, Ministério Público, Polícia Federal e universidades, garantindo a lisura do processo.

Os resultados dos testes de 2025, cujos relatórios foram publicados em dezembro daquele ano, foram cruciais para validar a segurança dos sistemas que serão utilizados nas Eleições Gerais de 2026, marcadas para 4 de outubro (primeiro turno) e 25 de outubro (segundo turno).

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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